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Editorial

Fazer o bem, sem importar a quem. Esse ditado popular é extremamente verdadeiro e capaz de contagiar, espalhando generosidade entre as pessoas, quando aplicado na prática. Numa sociedade em que a correria toma conta de praticamente todas as pessoas, que desdobram suas rotinas em três, às vezes até quatro, a…

1 de junho de 2015

Fazer o bem, sem importar a quem. Esse ditado popular é extremamente verdadeiro e capaz de contagiar, espalhando generosidade entre as pessoas, quando aplicado na prática. Numa sociedade em que a correria toma conta de praticamente todas as pessoas, que desdobram suas rotinas em três, às vezes até quatro, a gentileza parece que ficou em segundo plano, sendo substituída por grosserias, por falta de respeito ao próximo.

É digno de reconhecimento e louvor que encontra uma carteira e a devolve ao seu dono, quem ajuda uma senhora atravessar a rua, quem junta do chão algo que alguém derrubou, quem dá bom dia, boa tarde, boa noite, quem agradece, quem se preocupa com o seu semelhante. Atitudes que deveriam ser normais, rotineiras, fazem com que despertem a atenção de uma sociedade cada vez menos humanizada.
Nesta semana, uma notícia divulgada na internet, demonstrou a atitude de um home, que fez aquilo que qualquer pessoa sensata e de bem deveria fazer. Isso mesmo, deveria. Mas que, infelizmente, é cada vez mais rara nos dias de hoje.

A administradora Lívia Kotama tomou um susto ao buscar o carro atrás dos anexos dos ministérios do Trabalho e da Saúde, na área central de Brasília. No vidro do lado do motorista, havia um bilhete com o recado Você esqueceu seu carro destrancado e com os vidros abertos. Tomei a liberdade e fechei tudo. Lucas.

O incidente aconteceu no início da noite de quinta-feira (26), quando a jovem de 27 anos saía do trabalho. No automóvel, avaliado em R$ 20 mil e que tem alarme e vidro elétrico, havia uma mala com itens de academia, tênis, perfume, sandálias de dança, casaco, som e CDs. Eu nem imaginava que poderia ter deixado o carro aberto, porque além de travar com o alarme eu sempre verifico pela maçaneta se [o veículo] realmente está fechado, disse Lívia. Fiquei muito surpresa por ter esquecido e mais ainda por alguém ter fechado por mim. A sensação é de que nem tudo está perdido, ainda existem pessoas de bem.

A administradora diz que não tem a mínima ideia de quem é Lucas, mas afirmou que nem pretende que ele seja encontrado. Ele sabe que fez o bem. Quero só que as pessoas aprendam com o exemplo dele, que ajudem o próximo mesmo sem saber quem é, mesmo sem receber nada em troca, afirmou.

Uma atitude aparentemente simples, mas que como dito, serve de exemplo. Tenho certeza que se a proprietária do carro chegasse no exato momento em que Lucas estava fechando o veículo, pensaria mil e uma coisas, mas todas elas negativas, como por exemplo, que ele estivesse tentando roubá-lo. E ela não poderia ser recriminada, este pensamento seria reflexo de uma pessoa desacreditada nas pessoas de bem, em atitudes de generosidade.

A desconfiança impera nos dias de hoje, assim como a violência, ambição desmedida, desigualdades sociais, preconceito de todos os tipos, ganância, entre outros. Não podemos assistir a isso de braços cruzados, sem nada fazer. Se quisermos um mundo de paz, igualdade, saúde, felicidade, nós podemos e devemos fazer muita coisa, sim!

Contam que havia um grande incêndio numa floresta e todos os animais começaram a carregar água para apagarem o fogo. Bichos de todas as raças, de acordo com suas possibilidades empenharam-se nesse propósito, arregaçaram as mangas e colocaram-se nas fileiras do amor para a grande batalha em favor da vida. Mamíferos, répteis, aves e outras espécies participaram da empreitada do bem. Uma grande ave que voltava, após carregar porção maior de água em seu enorme bico, vendo um pequeno pássaro levando água em seu biquinho, exclamou irônica: Não sei por que você está fazendo isso. Seu bico é muito pequeno. Com essa quantidade de água jamais apagaremos o incêndio. O pequeno pássaro despejou a água sobre as chamas e respondeu com simplicidade, mas também com muita propriedade: Eu estou fazendo a minha parte.

A nossa contribuição é fator bem decisivo na luta contra incêndios do mal.

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