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Editorial

Na semana passada, um assunto repercutiu nas redes sociais e principais sites de tecnologia e entretenimento do Brasil. Isso porque, consumidores que aguardavam ansiosos o anúncio do lançamento do PlayStation 4, a nova geração de um dos videogames de maior sucesso no mundo, ficaram revoltados com o preço do produto anunciado pela Sony, fabricante do console.

1 de junho de 2015

Na semana passada, um assunto repercutiu nas redes sociais e principais sites de tecnologia e entretenimento do Brasil. Isso porque, consumidores que aguardavam ansiosos o anúncio do lançamento do PlayStation 4, a nova geração de um dos videogames de maior sucesso no mundo, ficaram revoltados com o preço do produto anunciado pela Sony, fabricante do console.

O PlayStation 4, que será lançado no dia 29 de novembro, irá custar no mercado brasileiro, pasmem, a bagatela de R$ 3.999. Não, não é um erro de digitação, o preço é este mesmo, com um dígito a mais do que o mesmo produto no mercado americano. Nos EUA, o videogame será lançado uma semana antes, ao custo de U$ 399. Convertendo esse valor em reais, o PS4 sai por R$ 897.

O concorrente direto da Sony, o Xbox One, da gigante Microsoft, que será lançado em terras tupiniquins em 22 de novembro, foi anunciado por R$ 2.199, quase a metade do preço do seu rival. O mais curioso é que nos Estados Unidos o Xbox One custa US$ 499 (por volta de R$ 1.088), US$ 100 a mais que o PlayStation 4.

A notícia causou indignação e frustrou os consumidores de todo o país. O preço alto e o fato de que seu concorrente direto será vendido por metade desse valor, causaram grande furor na internet.
Segundo a Sony do Brasil, o preço é justificado pela alta carga tributária que o videogame recebe ao ser importado para o país. Cerca de 60% a 70% do preço final do PS4 corresponde a impostos de importação.

Diretores da própria empresa mostraram-se decepcionados com o preço anunciado para o mercado brasileiro. Neste domingo, 20 de outubro, o vice-presidente e gerente-geral para a América Latina da Sony, Mark Stanley, postou uma mensagem no blog oficial do PlayStation, manifestando seu descontentamento.

Obrigado a todos vocês que compartilharam seus comentários sobre o alto preço do PS4 no Brasil. Nós também estamos frustrados com o preço de R$ 4.000, e em breve vamos poder mostrar as razões. Obrigado pela sua paixão e fiquem ligados para mais informações, disse o executivo no blog.

Com o preço anunciado pela empresa, o PlayStation 4 brasileiro é um dos mais caros do mundo. No país vizinho, a Argentina, segundo lugar no ranking do preço mais elevado, ele será vendido por 6,5 mil pesos argentinos, o que equivale a R$ 2.406, quase 50% mais barato do que o console no Brasil.
Alguns sites noticiaram que, com o dinheiro investido para comprar o PS4 aqui no Brasil, o consumidor poderia realizar uma viagem para os Estados Unidos, adquirir o console em terra americana e retornar ao Brasil, e ainda assim economizaria. Num desses casos, foram utilizados como exemplo os custos de uma viagem de sete dias para o estado da Flórida, nos Estados Unidos, onde com as passagens de avião, hospedagem e o console, seria possível economizar mais de R$ 500.

Contudo, não é somente o preço dos impostos que torna o produto tão caro. É certo que quase 73% do valor do produto corresponde a taxas, sendo uma das categorias mais tributadas, perdendo para itens como o cigarro e bebidas. Entre os impostos estão o ICMS, PIS e Cofins. E, no caso de produtos importados, o IPI.

Mas, mesmo com a tributação, o produto poderia ser vendido, tendo como base o preço praticado nos EUA, por pouco mais de R$ 2 mil. O restante seria a margem de lucro para a Sony e os lojistas.
O preço do videogame da Sony, que um assalariado brasileiro teria que trabalhar quase seis meses para pagar, é apenas o estopim atual da discussão sobre a alta carga tributária aplicada sobre os produtos e o desejo de lucrar cada vez mais sobre os mesmos.

Podemos falar também sobre carros, já que é a paixão de todos nós, brasileiros, e a cada dia a frota de automóveis nas cidades só tem aumentado.

Usando como exemplo o Corolla, sedã da Toyota, que é vendido com itens semelhantes no Brasil, México e EUA. Nos dois primeiros, o modelo XLi custa R$ 23 mil e R$ 25 mil, respectivamente. No Brasil, o preço do carro, sem impostos, seria de R$ 35 mil, mais da metade com relação aos dois países. Com o acréscimo de impostos, o Corolla chega a R$ 36 mil no México e R$ 32 mil nos EUA. Aqui, o Corolla não sai por menos de R$ 60 mil, quase 100% a mais.

Isso se aplica a todos os tipos de produtos. O povo no Brasil está fadado a pagar caro pelo que precisa, a trabalhar para pagar tributos. Não é à toa que, segundo cálculos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), o brasileiro médio trabalha cinco meses (150 dias) no ano somente para pagar impostos.

E esse número vem crescendo com o passar do tempo. Na década de 70, foram necessários 76 dias trabalhados para pagar tributos. Na década seguinte aumentou em um dia, passando para 77. Já na década de 90, o número pulou para 102 dias.

Em 2013, de todo o rendimento bruto, o contribuinte brasileiro terá de destinar 41,10% para arcar com a tributação. Neste exato momento, o impostômetro aponta que já foram pagos mais de um trilhão e duzentos e cinquenta e quatro bilhões de reais em impostos, somente no início do ano até agora. São quase três milhões por minuto, e esse número só tende a crescer. Enquanto isso, a maioria do povo brasileiro vai tentando sobreviver, fazendo malabarismos com um salário mínimo de R$ 678, enquanto, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário, para que se tenha condições também mínimas de qualidade de vida, seria de R$ 2.621,70.

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