Editorial
Se o nome é jornalismo ou comunicação, os sobrenomes não podem ser outros a não ser responsabilidade e profissionalismo. Com o advento da tecnologia e a explosão mundial das redes sociais, hoje, oito a cada dez pessoas fazem parte do universo comunicacional online. Escrever virou mania, todos fazem, seja como desabafo, como distração ou como contribuição para a propagação da informação.
Se o nome é jornalismo ou comunicação, os sobrenomes não podem ser outros a não ser responsabilidade e profissionalismo. Com o advento da tecnologia e a explosão mundial das redes sociais, hoje, oito a cada dez pessoas fazem parte do universo comunicacional online. Escrever virou mania, todos fazem, seja como desabafo, como distração ou como contribuição para a propagação da informação.
Até os mais resistentes se entregaram. Uns, apenas curtem status; outros, compartilham mensagens e fotos, mas tem aqueles que se lançam e, atrás de identidades ocultas, semeiam muito mais do que notícias e fatos. Propagam mentiras, palavras de preconceitos, fazendo apologia ao racismo de forma múltipla e denegrindo a imagem de uma cidade ou instituição.
O que num primeiro momento parece engraçado, divertido e uma manifestação de humor, sob a ótica de um olhar mais criterioso e uma análise racional, passa a ser deplorável, deprimente, depreciativo e até mesmo criminoso.
No Facebook existe uma página chamada ‘Pomerode Depressão’, que utiliza a foto no perfil de um cidadão blumenauense que sempre se faz presente nas edições da Festa Pomerana. O mesmo é conhecido pela animação e simpatia, embalada por um caneco de chope que sempre está em suas mãos e o traje típico tradicional.
Trabalhador, de origem simples, ele economiza com antecedência para frequentar, no mínimo, cinco dias a festa oficial da “Cidade mais Alemã do Brasil”. Vem e volta de ônibus para a sua casa e mesmo retornando tarde, no outro dia, logo pela manhã, tira a vestimenta de Fritz e se mistura em meio a milhões de trabalhadores brasileiros. Seu nome é Waldemar e certamente não ficará feliz em saber que sua imagem está sendo vinculada de forma depreciativa a uma página totalmente ofensiva, que fala mal da cidade que ele tanto adora, como ele mesmo relatou em entrevistas concedidas a equipe de redação do Jornal de Pomerode.
Com 350 curtidas, a página está aos poucos conquistando popularidade, o que é, no mínimo, preocupante. Entre os apreciadores, grande parte é jovem que compartilha e garantem notoriedade a um perfil onde os responsáveis são anônimos.
Novamente, quem sofre são as pessoas mais humildes, com limitações físicas e intelectuais, vindas de outros estados, entre outras. Um exemplo disso fica por conta da postagem de um imóvel conhecido em alemão por “Drei Stock”, ou seja, ‘três andares’ em português. Como legenda da foto aparece: Brooklyn 1986. Outro fato repugnante é a publicação da foto de uma jovem com distúrbios mentais, que fica caminhando pelas ruas da cidade, com 17 compartilhamentos e dezenas de comentários. Os adeptos à página chamam a jovem de louca e divagam sobre o penteado da mesma.
Para piorar ainda mais, ilustrações associam cordas e cadeiras a cartões postais do município, fazendo referência ao fato que Pomerode é conhecida internacionalmente pelos expressivos números de enforcamento, que de forma nada divertida, estes jovens insinuam que foram cometidos em decorrência da falta de atividades e opções de lazer disponíveis no município.
Outra postagem diminui aqueles que ainda são virgens e que nunca tiveram relações sexuais na Trilha da Saúde, localizada no Parque de Eventos da Festa Pomerana, mesmo sabendo do esforço das autoridades municipais e da polícia em manter o local apto para atividades físicas e seguro para seus usuários, coibindo atos de vandalismo, consumo de drogas e demais práticas ilícitas que outrora ali se cometia.
Personagem conhecido em Pomerode por andar em uma espécie de bicicleta adaptada as suas deficiências motoras, falecido, também teve sua foto postada nesta página, sendo alvo de piadas e de brincadeiras de péssimo gosto.
E novamente os paranaenses também são discriminados, com postagens que garantem a Pomerode o título de filial do Paraná. Não é a origem de uma pessoa que determinará se suas atitudes são condizentes ou não com as regras de conduta estipuladas pela sociedade, seja ela paranaense, pomerodense, blumenauense, brasileira, alemã, chinesa, ou de qualquer outra etnia ou naturalidade. Em tempo, não é a origem do cidadão que o torna mais ou menos ser humano. Não é o local onde nasceu que o faz ser mais digno do que outro.
O que precisa ser sabido é que isso não é jornalismo e muito menos comunicação online. Difamar pessoas é, sim, crime e jamais foi, dessa forma, ferramenta de notícia. A comunicação é livre e o advento do mundo virtual permite que as informações tomem um rumo desenfreado. Mas comunicação livre não significa denegrir a imagem de uma pessoa, cidade ou um país. Isso é, no mínimo, falta de educação e respeito.