Editorial
Pomerode, uma locomotiva desgovernada?É durante o período eleitoral que o povo constrói, muda, defende seus ideais e valores, tem a possibilidade de pôr em prática suas opiniões e conceitos. É através da eleição que a construção da sociedade pode ter continuidade ou ser alterada por completo, seguir novos rumos. Pelo…
Pomerode, uma locomotiva desgovernada?
É durante o período eleitoral que o povo constrói, muda, defende seus ideais e valores, tem a possibilidade de pôr em prática suas opiniões e conceitos. É através da eleição que a construção da sociedade pode ter continuidade ou ser alterada por completo, seguir novos rumos. Pelo menos na teoria.
E por isso, em outubro do ano passado, Pomerode optou pela mudança. Foi democraticamente definida e respeitada, através da soma dos votos, o que a maioria considerava ser a melhor, mais justa e, consequentemente, benéfica decisão. Dentre os nove vereadores, apenas um foi reeleito. Quando o assunto é Executivo, a diferença constatada entre os dois principais candidatos foi pequena, mas um novo prefeito tomou posse. E nas duas esferas, apenas um objetivo: fazer a cidade evoluir.
Nem bem o primeiro ano dos novos mandatos terminou e um mundo de informações, polêmicas e possíveis consequências foram apresentados à comunidade.
A instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mesmo que não inédita na cidade, fez com que a população se assustasse com o termo e se perguntasse até onde isso era necessário.
CPI. Apenas três letras, mas um intenso significado. Significado este que, para muitos, até hoje, ainda é incompreensível, presente, apenas, em grandes cidades. Todavia, o bicho de sete cabeças nada mais é do que a apuração de uma ação ilegal, supostamente efetuada, neste caso, pelo Executivo Municipal.
A possibilidade de cassação do prefeito Rolf Nicolodelli, em seu primeiro ano de mandato, pode ser considerada precipitada por uns e justa por outros. No entanto, política à parte, quando a sociedade dá seu voto de confiança a um candidato, ela acredita fielmente que o confirma das urnas também será a mudança que ela tanto busca. Mas pensa que a novidade virá com o crescimento, com o desenvolvimento, com novas ideias e projetos, com o sentimento de dever cumprido, de ter feito a melhor escolha.
A busca pela justiça pode ser observada nos julgamentos de uma das Comissões Parlamentares de Inquéritos mais comentadas do país: o mensalão. Pois se a sociedade busca por mudanças, não seria justo que as consequências fossem, finalmente, tomadas? E assim sendo, o início da mudança começa aqui, em Pomerode?
Em 2013, as ruas de todo o Brasil foram tomadas por pessoas que não mais aceitam imposições e ações definidas em gabinetes, por um governo que se diz democrático, mas que não abre suas portas para discutir. Enquanto centenas de pessoas são beneficiadas ilegalmente, outras, quem sabe milhares, ou milhões, lutam diariamente, por seus direitos, muitas vezes negados. Lutam pela sobrevivência e por políticas básicas de qualidade.
A grande massa brasileira não pede muito, nada além de trabalho, educação, saúde, saneamento básico. O povo quer comida na mesa, quer emprego que sustente a sua família, quer não morrer em filas de hospitais superlotados na espera por atendimento. O brasileiro quer escola para seus filhos, e, em contrapartida, se não for pedir muito, que Genoíno, José Dirceu e sua turma, pare de enfiar o dinheiro que é nosso, que é público, em suas contas no exterior ou em suas cuecas. Os milhões de Silvas, Fernandes, Pereiras, gritam nas ruas ou em silêncio, em uma só voz, que querem respeito.
Mas voltando à renovação que tivemos em Pomerode. O ato de renovar tem sido a última esperança de uma sociedade descrente em seus regentes. Tão descrente que, em muitos casos, se abstém das verdades por julgar que a situação não mais mudará. É doído constatar que as leis só se aplicam aos que trabalham e pagam seus impostos, jamais aos que são eleitos por lutar por nós e que se perdem ao longo do caminho, saindo dos trilhos como uma locomotiva desgovernada. E utilizando o trocadilho, que cabe neste contexto perfeitamente, fazendo com que nós brasileiros vivamos em um aterrorizante modelo pseudodemocrático de desgoverno.
Nós, que os colocamos onde estão, somos os primeiros a sermos esquecidos. Direitos e deveres são válidos para todos, inclusive, e principalmente, aos nossos governantes. Afinal, são eles que nos representam e com eles, a evolução torna-se uma constante. Caso contrário, o progresso seguirá apenas no futuro, sempre em promessas não cumpridas.
O Jornal de Pomerode acredita que uma sociedade mais crente e justa começa a ser formada dentro de nossos lares, onde certo e errado são definidos quando ainda somos crianças.
Uma sociedade que deixe de defender partidos políticos e comece a lutar por quem realmente importa: o povo. Ser diferente e fazer a diferença são coisas distintas e, por isso, é preciso muito mais do que ser oposição ou situação, é preciso proteger seus direitos, lembrando-se primeiramente de seus deveres. Não somente quanto governantes, mas como cidadãos.
A mudança começa quando os justos não pagam mais pelos erros alheios. E quando errados são devidamente penalizados para que os próximos saibam que a justiça é uma só, igual para todos. Que Pomerode seja referência, não por cassar ou deixar de cassar seu prefeito, mas por ter coragem de por o dedo na ferida, usar vassouras para tirar a sujeira debaixo do tapete, por apurar as supostas irregularidades cometidas, e depois, se necessário, doa a quem doer, usar a espada da Justiça, para aplicá-la, não somente na teoria, mas na prática.