Economia
Por Gerson Schubert
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve o ritmo de aperto monetário em sua reunião, ao elevar a Selic na semana passada para 10,25% ao ano. O aumento gradativo da taxa de juros iniciou em abril. Segue o comunicado oficial: “Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,25% a.a., sem viés”, parecendo até um Ctrl C, Ctrl V da reunião anterior. Como sempre acontece numa alta e também quando a baixa não é “suficiente”, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou a decisão: “Os primeiros meses de 2010 trouxeram alguma pressão inflacionária apenas em razão de ajustes pontuais e sazonais (…). Diante dessa constatação, todos nós sabemos que após esse conhecido período de naturais ajustes, os preços voltam à normalidade. (…) Diante desse cenário, a Fiesp continua, responsavelmente, argumentando que o ciclo de aumentos na taxa básica de juros contraria a lógica dos números da economia brasileira”, completa a nota oficial da entidade.
Completando o raciocínio do Copom, cito outras informações importantes: – Ministério da Fazenda elevou a projeção do PIB para 6,5% neste ano, esta projeção já era mais otimista, mas a mesma estava pressionando a inflação. Já economistas de instituições financeiras crêem num crescimento de 7,2% e uma inflação de 5,35%, quando a meta seria de 4,5%. – Taxa de desemprego desacelera para 7,3% em abril, o menor nível desde 2002, paralelamente, segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador aumentou 2,3% em relação a 2009. A média de rendimento nacional é de R$ 1.424,10, mas ela é maior em nossa região, justamente devido à falta de mão de obra especializada, sendo necessária uma valorização da força de trabalho existente, para manter a produção no nível atual.
Enquanto o brasileiro está trabalhando e ganhando mais, também está gastando mais. Segundo o Banco Central, o estoque de crédito do sistema financeiro chegou a R$ 1,529 trilhão em junho, uma elevação de 2% em relação a maio. Esse volume representou 45,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho de 2009, o comprometimento era de 41,8%. Segundo o relatório, a expansão do crédito continuou ocorrendo com maior intensidade no segmento de recursos direcionados, que seriam as operações feitas com taxas ou recursos para os setores rural, habitacional e de infraestrutura. Também foi destacado o crédito para consumo, outro grande motivador da alavancagem no crescimento econômico.