Economia
Por Gerson Schubert
Dizem que os discursos de nosso Presidente são polêmicos, outros dizem que é tudo programado, ou então vários assessores determinando o que ele deve dizer. Esta semana, no 33º Encontro do Período de Sessões da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Lula afirmou que os países que têm carga tributária menor que 10% não têm condições de desenvolver boas políticas sociais. Suas palavras foram: “Tem gente que diz que, no meu país, a carga tributária é apenas 9%, 10%. Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. O Estado não pode fazer absolutamente nada. Está aí cheio de exemplos para a gente ver, para a gente perceber que exatamente os Estados que têm as melhores políticas sociais são os que têm a carga tributária mais elevada. Basta ver os Estados Unidos, a Alemanha, França, Suécia e Dinamarca”. Eu concordo que com 10% de arrecadação não é possível fazer muita coisa, mas 40%? Também concordo que o Estado deve cobrar uma alta carga tributária, mas o que não pode acontecer é a falta da contrapartida. Concordo inclusive em pagar mais imposto, se eu não precisar mais recorrer a escolas particulares, a planos de saúde privados, previdência privada, pedágios, seguro para carro, casa, etc. Afinal de contas, se o Estado, segundo nosso presidente precisa cobrar muito, também tem a obrigação de oferecer o melhor. Semana passada falei que os presidenciáveis de 2010 já estão nas ruas fazendo promessas e planos de governo, ótimo! Uma delas, Marina Silva, opinou que a máquina pública está inchada. E está mesmo! Não é à toa que o Estado precisa comer tanto de nossos bolsos para manter tanta gente e tanta estrutura sem eficiência. Já ouvi falar de “choque de gestão”, palavras de Geraldo Alckminn em 2006. Já cansei de ouvir sobre reformas, eu mesmo já cansei de falar sobre elas. Quando apenas vamos passando nosso dia-a-dia, trabalhando, recebendo e gastando, não notamos em tudo aquilo que precisa ser mudado ao nosso redor. Para o próprio leitor não ficar cansado, espero repetir isso pela última vez, vamos ouvi-los e cobrá-los, é o que nos resta.
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Sempre que acontecem acidentes de trânsito, os meios de comunicação destacam a imprudência e as más condições das estradas. Concordo e muito com o primeiro motivo, mas culpar estradas mal cuidadas em minha opinião é hipocrisia. Quando eu sei que o asfalto tem buracos ou está mal sinalizado, tenho sim que redobrar o cuidado e dividir a velocidade. Não há motivo mais absurdo para as mortes no trânsito que a imprudência. Ultrapassagens perigosas, embriaguez, falta de atenção, enfim. É claro que precisamos de boas estradas para trafegar, lembrando a primeira parte da coluna de hoje, mas toda atenção e prudência é pouca quando sei e também quando não sei como está a rodovia.