É dia de cinema na Sociedade Vasco da Gama
Cinema para você é aquele lugar longe de casa, com ingressos caros e que você assiste um filme com várias pessoas desconhecidas? Errou, não é mais. Agora, em Pomerode, fazendo parte do projeto Cine Clube Diversidade Cultural, você não precisa sair da cidade para assistir filmes de qualidade e sem…
Cinema para você é aquele lugar longe de casa, com ingressos caros e que você assiste um filme com várias pessoas desconhecidas? Errou, não é mais. Agora, em Pomerode, fazendo parte do projeto Cine Clube Diversidade Cultural, você não precisa sair da cidade para assistir filmes de qualidade e sem pagar um real se quer.
Nesta terça-feira, dia 22/02, às 19h30mim, a Sociedade Vasco da Gama abrirá suas portas para receber a comunidade e promover a exibição do filme “Sem Palavras”, que relembra os 180 anos da imigração alemã em Santa Catarina.
Histórias de quem era criança nos anos 1940 servem de matéria-prima para o documentário de Kátia Klock. "Sem Palavras" foi contemplado pelo Prêmio Cinemateca Catarinense/FCC na categoria documentário média-metragem e recebeu R$ 100 mil. Realizado pela Contraponto, o documentário aborda um período polêmico da história brasileira, os efeitos provocados pela Campanha de Nacionalização de Getúlio Vargas (1937-1945), um conjunto de ações que deixou amargas lembranças.
O documentário, que reforça a programação dos 180 anos da imigração alemã de Santa Catarina, será distribuído em breve em DVDs para escolas e bibliotecas catarinenses e instituições culturais do país e exterior.
Quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial com os Aliados, em 1942, os idiomas alemão, italiano e japonês tornaram-se proibidos no país e estes estrangeiros e seus descendentes começaram a ser perseguidos.”Sem Palavras tem 52 minutos e faz um recorte sob a ótica das lembranças e narrativas orais dos descendentes de origem alemã.
Os profissionais que trabalharam na produção do filme entrevistaram moradores de Blumenau, Vila Itoupava, Pomerode, Balneário Camboriú, Joinville, Brusque, Jaraguá do Sul e Florianópolis, locais em que também teve acesso a arquivos públicos e privados. O trabalho reúne fotografias e arquivos sonoros, revelando uma criteriosa pesquisa.
Sem Palavras reconstrói o clima da época com cenas dramatizadas. As encenações foram realizadas com pessoas que não são atores, e sim descendentes de famílias alemãs de Blumenau. A trilha sonora é outro detalhe bem afinado no documentário. O maestro brusquense Edino Krieger cedeu gentilmente composições para o documentário. Ficou a cargo do trilheiro Ricardo Fujii montar a trilha final. A finalização do documentário é assinada por Paulo Calasans, que montou ao lado da diretora e do produtor executivo Mauricio Venturi.
Com um olhar plenamente mergulhado na contemporaneidade, que mescla memória, história, cultura e identidade, Kátia Klock mexeu em sentimentos para costurar o documentário. A partir de revelações e lembranças pessoais, o objetivo foi construir narrativas orais e resgatar dados históricos para estimular reflexões sobre o passado e o presente. Os álbuns fotográficos das famílias ajudaram a motivar os entrevistados a relembrar episódios do tempo da Segunda Guerra.
Sem Palavras apresenta um dos lados da história através das memórias de quem era criança e descendente de alemão na época da Segunda Guerra Mundial em Santa Catarina. O medo, o silêncio, o drama das perseguições e seus efeitos são visíveis e ainda presentes para quem vivenciou o momento. Inquietudes e reflexões são sentimentos que a equipe do documentário espera provocar ao abordar um tema sobre a perda da liberdade em virtude de uma ditadura.