Do apelo à esperança
Mãe de aluno especial quer apenas que o filho volte a frequentar a Apae. Porém, com a mudança no trajeto do transporte, isso não é mais possível
No final do mês de julho a equipe do Jornal de Pomerode apresentou uma reportagem especial falando da atual situação da Apae, que, atualmente, sofre com o corte de cerca de 50% do repasse que é feito pelo Governo do Estado, através do Fundo Social. Com isso, a instituição se viu tendo que cortar custos. E, uma das situações repassadas às famílias com alunos especiais, foi a mudança no transporte.
Desde o retorno das aulas, no dia 1º de agosto, o ônibus da instituição passa apenas pela via principal da cidade, fazendo com que muitas famílias tenham que levar seus filhos até pontos estratégicos para que possam ir para à Apae. Porém, a realidade de algumas famílias é a falta de condições de levar estes alunos até o ponto onde o ônibus passa.
Este é o caso de Amélia Adolia Kreutzfeld, mãe de Wagner Ferreira da Silva, que mora na Rua Ribeirão Souto, em Testo Central. Desde o retorno das aulas, Wagner não tem ido mais para a Apae. “O ponto de embarque mais próximo para ele é em frente ao Restaurante dos Amigos, e eu não tenho carro para levá-lo até lá. Ele não consegue caminhar por muito tempo, tem as pernas atrofiadas e a coluna bem torta, seria muito doloroso fazer ele andar até lá todos os dias”, ressalta Amélia.
O apelo de Amélia é que olhem por estas crianças, que o seu filho possa voltar a contar com o ônibus que o pegue em casa e leve até a Apae. “Agora ele passa seu dia aqui dentro de casa, uma vez e outra faz algo, mas não tem mais vontade e até ficou doente. Então, o que eu mais quero é que esse ônibus volte a pegar ele, porque eu não tenho como o levar até o ponto”.
O pai de Wagner os abandonou assim que soube que o filho era especial, isso aos três meses de vida, e, desde então, a mãe Amélia está fazendo de tudo para manter seu filho bem e indo para o lugar que ele mais gosta, a Apae. “O que eu mais queria era ver o sorriso do meu filho no rosto outra vez. A Apae não é a segunda casa dele, para mim, é a primeira. Chega 10h30mim e ele quer comer, tomar banho, pegar a mochila… era a rotina dele e, ao meio dia, estava pegando o ônibus aqui na frente de casa. Agora ele não tem mais isso, está difícil e acredito que existam muitos pais nessa mesma situação”, comenta Amélia.