Do alto do morro
Com 83 anos de existência, Casa Radünz é um espaço onde o zelo e o cuidado são encontrados no alto da Rua Curitiba
O caminho até a Casa Radünz, não é o mais óbvio. Para chegar lá é preciso estar atento a entrada da Rua Curitiba, onde não existem indicações sobre a casa, e subir um pequeno morro. Do alto avista-se uma outra entrada sem número aparente, que leva até a construção em enxaimel identificada pelo número 377.
O jardim bem cuidado, cortinas do lado de dentro das janelas da edificação e roupas no varal, denotam que ali é local de residência. Mas trata-se de uma residência consolidada no terreno há 83 anos. A casa foi construída no ano de 1932, pelo patriarca da família Radünz, como tantas residências na região que foram erguidas pelos colonos da época.
Pela entrada da cozinha, na lateral da casa, os visitantes eram recebidos. Aos fundos, a pequena chaminé anunciou, por muitos anos, quando uma cuca era assada ou um café preparado.
Uma varanda recebe alegremente quem chega. Uma pequena escada leva até o pequeno portão pintado de verde água, com acabamentos em cor de terra. Ao fundo as grandes janelas de vidro, também com acabamento em verde água, contrastam com a parede de tijolos a vista. Na parte superior, lambrequins com estrelas douradas dão o toque de graciosidade e acima da porta principal encontra-se a frase em alemão “Wer Gott vertraut hat wohl Gebaut”, que tradução para o português significa: “Quem confia em Deus construiu verdadeiramente”.
Na parte de dentro encontram-se referências evangélicas nas paredes da sala. O espaço foi adornado com imagens de Jesus e frases religiosas em alemão. Muitas canções ecoaram pelas paredes em todos esses anos, tendo em vista que o rádio foi grande companheiro dos que ali viveram. As fotos e algumas medalhas de campeonatos de dominó, também ajudam a contar um pouco da história da família.
Móveis antigos de madeiras remontam a época em que os tijolos haviam acabado de ser dispostos nas paredes. No corredor entre a sala e cozinha fica uma escada que dá acesso ao sótão, que ficavam repletos de sapatos bem organizados. O andar superior guardava uma pequena bicicleta e antigos galões de leite, que faziam parte de pequeno um negócio familiar. O fim do trajeto culmina em uma pequena porta ao lado do sótão, que já serviu de quarto de uma das filhas.