Geral

Dezoito anos de luta

Doraci Resner fez a sua primeira cirurgia para retirada de nódulos no seio no dia 8 de abril de 1998, e, desde então,
vem lutando contra a doença

8 de abril de 2016

O Câncer de Mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Ele também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A pomerodense Doraci Resner, de 58 anos, descobriu o câncer de mama em 1998 e, desde lá, vem dia a dia lutando contra a doença. “Era um domingo a noite, eu me espreguicei e senti algo estranho na mama esquerda. Fui ao médico na segunda, efetuei os exames e, a princípio, o primeiro diagnóstico não era de câncer. Procurei outro médico e aí foi realizada uma biópsia e se confirmou que era câncer de mama. Alguns dias depois foi feita a cirurgia. Para ser exata, no dia 8 de abril de 1998 eu tirei um quadrante da mama.

Depois fiz radioterapia e quimioterapia. E, por cinco anos, tomei um remédio que inibe o câncer e nunca deixei de fazer os exames de rotina cada seis meses”, explica.

Cinco anos depois de ter retirado os nódulos no seio, quando ela fez um exame completo para ser liberada para passar a fazer os exames anualmente, um grande susto veio a tona. “Quando a doutora ia me liberar para fazer os exames anuais, foi feito um raio-x de pulmão e aí apareceu algo de diferente. Foram diagnosticados cinco nódulos no pulmão, depois fiz ressonância e foi confirmado. Acabei fazendo quimioterapia durante seis meses e passei a tomar uma medicação que tomo até hoje. Aí consegui controlar os nódulos todos e, graças a Deus, está tudo sob controle”, conta.

Quando tudo parecia estar sob controle, Doraci teve que enfrentar novamente outra cirurgia, dessa vez para retirar toda a mama esquerda. “Em 2009 descobri um novo câncer na mesma mama. Tive que retirar a mama toda e novamente passar por quimioterapia e radioterapia. E, desde 2003, continuo com a mesma medicação. Deste ano em diante passei a frequentar, em Florianópolis, um Centro de Apoio ao Paciente com Câncer, é um hospital Espírita, que muito me ajudou na recuperação”, explica.

Mesmo diante de todas as dificuldades e os vários desafios encontrados no meio do tratamento e cirurgias, Doraci nunca se entregou e encontrou na fé a força para vencer cada obstáculo. “Eu nunca deixei me entregar, sempre tive muita fé em Deus e as minhas forças eu sempre busquei Nele. Além, é claro, do apoio da família e do CAPC (Centro de Apoio a Pessoa com Câncer), lá eles trabalham muito a parte emocional, com terapias em grupos e isso te ajuda a aceitar a doença e não levar como uma sentença de morte”.

Outro fator que fez com que a vontade de vencer fosse maior foi a chegada de sua primeira netinha. Emocionada, ela conta o medo que tinha de não conhecer a neta. “Em 2003 quando eu estava me tratando descobri que ganharia uma netinha. Eu eu queria muito conhecê-la.Isso me inspirou bastante a vencer a doença e poder vê-la crescer”, conta.

Sobre o pior momento da sua vida, ela conta que foi quando descobriu que tinha os nódulos no pulmão. “Quando descobri os nódulos no pulmão foi o pior momento da minha vida, porque foram seis meses de quimioterapia. Mas nunca deixei de trabalhar, eu tive muito apoio das empresas em que trabalhei, isso foi muito importante também, faltava no dia da quimioterapia e no outro dia já trabalhava, eu já era aposentada, mas trabalhei 15 anos depois da aposentadoria”, revela.

Os pacientes que passam por quimioterapias geralmente perdem o cabelo, Doraci revela que não estaria preparada naquela época caso viesse a perder o cabelo. “Nunca perdi o cabelo, mas tive muito medo de perder.Hoje em dia eu estaria preparada para isso, naquela época não. Imagina só, uma mulher perder uma mama já é algo que a fragiliza demais. Imagina perder o cabelo.A autoestima vai abaixo totalmente e isso contribui para piorar da situação”.

Para as pessoas que estão assim como ela, ainda na luta contra o câncer, ela deixa uma dica muito importante. “Nunca percam a fé, nunca percam a vontade de viver, não somos nós e muito menos a doença que vai definir quando vamos partir, é Deus que define, seu caminho já está traçado. E Ele nos dá a força para vencer, basta lutar”, exalta.

Hoje, Doraci integra o time de voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer e pretende ajudar muitas mulheres que estão no estágio inicial da doença. “Eu sempre fui muito ativa, nunca me entreguei e quando eu decidi mesmo me aposentar, eu parti pro voluntariado e passei a ser voluntária na RFCC, onde eu acho que meu depoimento é válido para as pessoas que descobrem a doença. Tento mostrar para elas que sempre há um caminho”.

Doraci ainda não está totalmente curada da doença. Ela mantém uma medicação desde 2003 que impede que a doença vá para outros órgãos. Ela finaliza deixando uma dica a todas as pessoas para que busquem sempre o diagnóstico precoce para que haja mais chances de cura. “Eu tenho uma manchinha ainda no pulmão e essa medicação que eu tomo isola para que ela não vá pra outro órgão. E eu deixo aqui um apelo para que as pessoas se conscientizem que o importante é se prevenir.

Quanto mais cedo se descobre, mais chances se tem de curar ou controlar a doença. Hoje em dia, quanto mais cedo descobrir melhor,. Portanto, é importante que as mulheres busquem a cada dia se tocar e notar as mudanças no corpo, assim como os homens também”, finaliza.

Notícias relacionadas