Detecção precoce contribui para tratamento contra câncer de mama
Inca lança cartilha para ajudar profissionais do SUS na identificação e no tratamento da doença
Quanto mais cedo é descoberto um câncer de mama, maiores são as chances da cura. Para auxiliar o diagnóstico precoce da doença, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) editou a publicação Parâmetros Técnicos Para Programação de Ações de Detecção Precoce do Câncer de Mama. O material pretende ajudar gestores estaduais e municipais de saúde no planejamento da atenção ao câncer de mama e contribuir para facilitar o diagnóstico precoce da doença. O Instituto lançou uma tiragem com 25 mil exemplares da cartilha, que será distribuída para as secretarias estaduais e municipais, universidades, centros de mastologia (especialidade médica dedicada ao estudo das glândulas mamárias) e bibliotecas em todo país. Os textos também estão disponíveis no site do Inca (www.inca.gov.br) . A publicação trata da importância de utilizar parâmetros técnicos para organizar Redes Regionais de Atenção Oncológica. Assim, todos os estados e municípios deverão trabalhar em conjunto no controle do câncer e as informações coletadas sobre a doença poderão ser compartilhadas. “Com a organização de dados, ficará mais fácil planejar a atenção ao câncer de mama”, assinala Luiz Antonio Santini, diretor geral do Instituto Nacional de Câncer. As Redes Regionais formarão Redes Nacionais, que envolverão diferentes parceiros, tanto do governo quanto da sociedade civil. Os estados trabalharão de forma independente, com estratégias diferenciadas, traçadas a partir de informações retiradas dos bancos de dados. Um grupo de profissionais do Inca elaborou a metodologia de trabalho e formulou os textos da publicação. A metodologia usada baseou-se na adaptação de informações dos bancos de dados brasileiros e da literatura internacional. A equipe recebeu a colaboração de diversas áreas do próprio Instituto, como também de áreas técnicas do Ministério da Saúde e de outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil. Diagnóstico precoce Segundo o Inca, o câncer de mama representa a maior causa de mortes entre as mulheres brasileiras ? mais de nove mil por ano. Um levantamento do Ministério da Saúde mostrou que, no Brasil, geralmente os tumores são diagnosticados em estágio avançado. Pesquisas do Inca realizadas entre 1999 e 2003 revelaram que, nesse período, apenas 3,35% dos casos de câncer de mama receberam diagnóstico no começo da doença. O diagnóstico tardio afeta o tratamento e diminui as chances de cura dos pacientes. “A melhor forma de mudar esse quadro é com detecção precoce, que aumenta em 90% as chances de tratamento e cura do câncer”, diz Ronaldo Corrêa. A redução da mortalidade por câncer de mama é uma das diretrizes da Política Nacional de Atenção Oncológica, lançada em 2005 pelo Ministério da Saúde. A política trata o câncer como um problema de saúde pública. Todos os níveis de atenção à saúde (alta complexidade, média complexidade e atenção básica) devem estar articulados para que diagnósticos e tratamentos sejam oferecidos com qualidade, no momento adequado e para quem realmente necessita. Se acontece a identificação de um tumor em um posto de saúde, é fundamental que os profissionais saibam fazer o encaminhamento da forma mais adequada possível para a continuidade do tratamento em uma unidade capacitada e habilitada em tratar o câncer de mama. De acordo com a publicação do Inca, existem dois tipos de exames de rastreamento do câncer de mama: o clínico e a mamografia. O auto-exame também é uma forma de detecção precoce da doença, porém não deve ser substituído pelo exame clínico. Para o diagnóstico do câncer, utilizam-se a mamografia (radiografia dos seios), a ultra-sonografia (método que aproveita o eco produzido pelo som para ver em tempo real as sombras produzidas pelas estruturas e órgãos do organismo) e a biópsia (quando se retiram amostras de tecidos). Segundo os Parâmetros Técnicos Para Programação de Ações de Detecção Precoce do Câncer de Mama, todas as mulheres com idade acima de 35 anos com casos de câncer da mama na família (mãe, irmã e filha) diagnosticados antes dos 50 anos, com câncer de ovário em qualquer idade ou com história de câncer de mama masculino na família devem procurar anualmente atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Ali podem fazer a mamografia e o exame clínico, com atendimento por profissionais treinados, como médicos ou enfermeiros. Todas as mulheres com idade a partir de 40 anos devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. Entre 50 e 69 anos, toda mulher deve fazer uma mamografia, no mínimo, a cada dois anos, além do exame clínico anualmente. Fatores de risco Alguns fatores favorecem o aparecimento do câncer de mama. A doença atinge principalmente as mulheres (os casos em homens são mais raros, mas existem). A presença de casos na família representa outro fator de risco. A primeira gravidez em idade tardia, o envelhecimento, a obesidade, a inatividade física e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas também podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da doença. O Ministério da Saúde e o Inca atuam na orientação sobre esses fatores. Promovem ações contra o uso abusivo do álcool, a incorporação de hábitos alimentares saudáveis e estimulam as mulheres a manter o peso ideal, principalmente no período pós-menopausa (quando a mulher pára de menstruar).