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Desabamento de morro compromete localidade

O deslizamento que preocupa Pomerode pode ser consequência das enxurradas de 2008

16 de setembro de 2010

 No dia 16 de agosto, dois moradores da Rua Mato Grosso, acionaram a Defesa Civil do município de Pomerode para averiguar a situação do morro que estava atrás de sua residência. A partir desta data, a população que vive ao entorno da área demarcada ficou em alerta.
Há duas semanas, contudo, a situação começou a se agravar. Na edição anterior do Jornal de Pomerode, o coordenador da Comdec, Ademar Marquardt, afirmou que medidas preventivas no local estavam sendo realizadas, a fim de não comprometer toda a estrutura da região. ?As primeiras medidas de prevenção neste local foram por meio do envio de trator de esteira e uma retroescavadeira, que realizaram o desvio de água, fechando boa parte das rachaduras, para evitar a infiltração das águas proveniente das chuvas e zelando pela segurança das pessoas que moram perto do local?.
Na sequência, também foram utilizados bambus para auxiliar na drenagem, pois a antiga tubulação não funcionava como o esperado. ?Com a valeta aberta e os bambus colocados para fazer a drenagem, em poucos dias já observamos o solo bem mais seco?, contou.
Antes que uma tragédia acontecesse, os dois moradores que estavam na casa foram retirados e levados a outra moradia, alugada pela Administração Municipal.
O que já era esperado pela Defesa Civil e demais órgãos que fiscalizavam e monitoravam o local aconteceu na terça-feira, 14/09. A casa, que fica justamente na ponta do morro, e que foi o motivo das primeiras pesquisas, acabou desmoronando em consequência do deslizamento. ?É como uma espécie de concha de sorvete, onde a parte superior vai caindo e erguendo a parte inferior, a casa iria sofrer as consequências e não tínhamos como evitar isso. A parte de cima está caindo, e o solo em baixo levantou, como se estivessem empurrando uma gangorra, até que ela não estabilize, o solo não para de mexer? completou o coordenador, já na quarta-feira, 15/09.
Ademar explica que antigamente, há aproximados 25 anos, uma Lagoa com cerca de seis metros foi aterrada exatamente onde foram construídas as residências desta região. Na sequência, a antiga lagoa serviu como aterro de lixos e entulhos. ?Somente dez anos depois desse aterro que a família construiu essa casa, talvez eles nem soubessem o passado desse solo. Isso prejudicou muito, pois é um solo úmido, difícil de secar, tem muitas complicações?, completou.
A preocupação maior nesse momento são as demais residências e as empresas que estão perto do morro. O proprietário do galpão da empresa, Luiz Fernando de Campo Selke, relatou que todos estão confiantes para que a natureza ajude no trabalho e o solo fique estabilizado. ?Funciona como uma gangorra, quando as duas partes se estabilizarem o solo também ficará. Acompanhamos diariamente a evolução, medimos com réguas se a terra sobe e o quanto sobe, fizemos também essa fenda, com o apoio da Prefeitura, para que a parte deslize para esse lado, evitando o contato com a empresa?.
Selke acompanha os trabalhos de medição, e está confiante a cerca dos resultados. ?A natureza está atendendo aos meus pedidos. São muitos funcionários, não queremos nem podemos parar de funcionar. As medidas que tomamos em conjunto com o governo municipal são para enfraquecer o deslizamento?, complementou.
O engenheiro ambiental da Prefeitura Municipal e membro do Conselho da Defesa Civil, Luiz Gustavo Teixeira, afirma que medidas preventivas continuam sendo realizadas. ?Medimos todos os dias, verificamos altura, o quanto cada fenda cresce, e assim vamos controlando. Mais que isso não podemos fazer, esperamos soluções de órgãos competentes?.
Para isso, o projeto Ceped/Ufsc (Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres), liderada pelo professor e geomorfólogo Joel Pellerin e a mestranda geógrafa Mari Machado, está acompanhando o caso. Determinar possíveis soluções e evitar novos impactos à população local é o primeiro passo. Essas soluções serão apresentadas através de um relatório que será entregue a Defesa Civil nos próximos dias. ?Estamos fazendo as medições, verificando o solo. Como já foi mexido em algumas áreas, talvez demore um pouco mais. Continuaremos monitorando, estudando tudo. Quando chegarmos a uma conclusão, ela será apresentada?, confirmou Mari.
Os dois, juntamente com Luiz e Ademar, realizaram uma nova medição na manhã de quarta-feira ? diariamente são realizadas duas medições para verificar aumentos nas fissuras. Em alguns pontos, a fenda está próxima aos seis metros. De acordo com esses relatórios diários é possível verificar que há áreas onde as rachaduras aumentam cerca de 30 centímetros por dia, já outras, onde o solo está mais estabilizado, o morro cede um pouco menos.
A primeira hipótese desse deslizamento é a de que tudo teve início na enxurrada de 2008. Desde a época, várias encostas e morros são vistoriados pela Defesa Civil, mas, segundo Ademar, na ocasião teria se formado uma pequena fenda, que não foi percebida pelo órgão e agora, a partir da seca do último mês, o lençol freático diminuiu e como consequência a trinca do morro aumentou significativamente. ?O primeiro deslizamento foi em 2008 e aconteceu na parte de cima do morro. Não conseguimos perceber a fenda, era muito pequena e atingiu a área superficialmente. Agora que piorou, mas é em decorrência de todas as circunstâncias passadas que compõe o lugar?.
Todos os moradores do entorno do morro estão em estado de alerta. A Defesa Civil já instruiu os mesmos para que, ao sinal de chuva forte ou barulhos e estalos que indiquem novos deslizamentos, se possível, não permaneçam nas áreas de risco. ?As casas mais em baixo não estão ameaçadas, mas com uma chuva forte a situação pode mudar significativamente, e pedimos que todos os moradores se retirem das casas para evitar tragédias?, exclama Ademar.
Além disso, funcionários da Prefeitura realizam o corte dos eucaliptos de grande porte que foram plantados no morro. A exigência partiu dos técnicos da Ammvi e do Ceped, e tem como objetivo, aliviar o peso sobre o solo. Os técnicos também sugeriram fechar as fendas para drenar a água das chuvas e evitar novas infiltrações, mas a tentativa não funcionou. ?Em dois dias as fendas já estavam novamente abertas?, afirmou Luiz.
O prefeito municipal, Paulo Maurício Pizzolatti, também atende as recomendações da Defesa Civil e dos técnicos que trabalham no local. ?Estamos disponibilizando todo o maquinário necessário para atender as exigências dos técnicos do Ceped e da Comdec?.

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