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(Des) encontros de histórias para toda vida

Duas vidas que se misturam no restante da família tentando prestar homenagens. Misturam-se também pelo fato de serem histórias reais de dois grandes pomerodenses que lutaram e superaram grandes obstáculos, duas doenças que há anos atrás, a cura era algo muito mais complicado do que atualmente. Lorival Engel nasceu com…

17 de dezembro de 2010

Duas vidas que se misturam no restante da família tentando prestar homenagens. Misturam-se também pelo fato de serem histórias reais de dois grandes pomerodenses que lutaram e superaram grandes obstáculos, duas doenças que há anos atrás, a cura era algo muito mais complicado do que atualmente.
Lorival Engel nasceu com apenas um rim e em 1995 começou tratamentos de hemodiálise, iniciou ai também sua luta pela vida. Em um recorte de jornal guardado com carinho pela família, a reportagem de 1997 contava a espera de Lorival por um transplante.
Sua esposa, Silvia, lembra apreensiva dos dias em que o marido tinha que ir a Blumenau três vezes por semana receber o tratamento. ?Ele saia da empresa em que trabalhava e ia direto receber o tratamento. Durante esses dois anos e dois meses, recebeu apoio dos colegas e dos diretores da Karsten, onde trabalha até hoje. Devemos muito pela compreensão de todos no período do tratamento?.
Em 1997, com 39 anos, duas tentativas já tinham sido feitas para ele receber o transplante. Desde a reportagem contando a história até o dia 27/11 do mesmo ano, outras sete tentativas também não deram certo. Na décima chamada, Lorival finalmente conseguiu receber um novo rim.
A cirurgia aconteceu em Curitiba, e a mulher, Silvia, levou vários amigos até a capital paranaense para doar sangue ao marido. ?Foi uma época muito difícil, não sabíamos o que ia acontecer, nem o que o futuro nos reservava. Mas a esperança nunca morreu dentro de nós, e principalmente dentro dele. Tinha dias em que tudo parecia mais difícil ainda, mas ele sorridente seguia para o tratamento. Não podíamos desistir, e ainda bem que não desistimos?, conta.
Com algumas lágrimas nos olhos, segurando para que elas não caíssem, Silva nos contou que a recuperação foi lenta, mas que aos poucos a vida retomava seu rumo. O rim que Lorival ganhou foi através de um banco de órgãos. Segundo informações levantadas pela família, este seria de uma senhora que faleceu, contudo, alguns órgãos, como o rim, puderam salvar/mudar vidas, como a de Lorival.
Treze anos depois, exames ainda fazem parte da rotina do transplantado, mas nada que o impeça de seguir com sua vida normalmente. ?Hoje não colocamos muito sal na comida, pois qualquer problema renal exige isso. Algumas comidas ele também não pode ingerir, mas a vida dele segue normal. Foi como se a cirurgia fosse uma maneira de nos aproximarmos ainda mais, e hoje, aproveitamos cada segundo unidos?, finaliza a esposa.
É bem nesse ponto que dona Mariana Zaulke começa a história de sua família. O marido, Helmut, há sete anos enfrentou um câncer no intestino. A luta, os momentos de sofrimento e a motivação, retirada do fundo do peito, foram fundamentais para que hoje, assim como na história de dona Silvia, o mal fosse vencido e a felicidade reinasse nos respectivos lares.
Helmut descobriu que tinha câncer depois de uma dor intensa no abdômen. Foram três semanas com vômitos e diarreia e até entrar no centro cirúrgico, ninguém fazia ideia do que Helmut tinha.
No centro cirúrgico, em Pomerode, os médicos iniciaram uma cirurgia para a desobstrução do intestino, que a princípio, parecia ser o problema. Quando a cirurgia começou, contudo, ela se dirigiu para outro caminho, que terminou a retirada de 20 cm do intestino fino e meio metro do grosso de Helmut.
Uma semana de recuperação em casa, e recém operado. Helmut não comia nada. A esposa, Mariana, lembra que levava comidas diariamente para ele, mas que o mesmo se recusava a comer. ?Uma semana depois ele pediu uma fruta e depois torresmos. Fazíamos todas as vontades dele, porque ele estava fraco e precisava comer, foi uma época muito difícil para nós?.
Após a cirurgia, Helmut foi encaminhado para o setor de oncologia de Blumenau. Semanalmente então, passou a fazer sessões de quimioterapia. ?Nas primeiras idas, eu passava mal na volta, tinha que parar e esperar um pouco, até ficar mais consciente para conseguir retornar a Pomerode. Foi uma época bem difícil, mas nunca desistia, toda semana eu estava lá, recebendo a medicação, lutando contra o câncer?, conta Helmut.
O período em que conviveu com a doença, viu muitas pessoas que também lutavam contra a doença partirem. ?Era difícil ver que aos poucos, muita gente acabava falecendo, mas ao mesmo tempo, outros venciam a doença, e serviam de inspiração para quem continuava em tratamento?.
A família se emociona ao contar que o sofrimento não era apenas físico. O medo e a incerteza, certas vezes, eram maiores que a motivação para
continuar lutando. Ao mesmo tempo, todo o sofrimento serviu para que eles ficassem cada vez mais unidos, e descobrissem o valor das verdadeiras amizades. ?Muita gente não acreditou que eu fosse sobreviver, chegaram a sair comentários de que eu já estava morto. Era difícil isso, principalmente para minha família, que tinha que dar explicações sobre o que estava acontecendo. Há dez anos atrás, o câncer era ainda mais difícil de curar que agora, principalmente no intestino. Quando eu dei a volta por cima, a primeira coisa que fiz foi voltar ao trabalho, eu me sentia vivo outra vez, e tinha que continuar vivendo normalmente?.
E foi o que aconteceu. Agora, Helmut realiza exames periodicamente para verificar se a doença voltou ou não. Lorival também.
Os dois vivem bem, não tiveram complicações que os impedissem de trabalhar ou coisas assim. Por muitas vezes reclamamos de pequenas dores de cabeça, até cansaço. Por muitas vezes não enxergamos que há problemas maiores que os nossos. Para este, e para tantos outros natais, que a história de Helmut e Lorival faça parte da sua rotina, e assim, suas vitórias sejam inspirações para a vida de tantos outros.

 

Que bichos são esses?

Hemodiálise
É um tratamento que consite na remoção do líquido e substâncias tóxicas do sangue com um rim artificial. É o processo de filtragem e depuração de substâncias indesejáveis do sangue como a creatinina e a uréia. A hemodiálise é uma terapia de substituição renal realizada em pacientes portadores de insuficiênica renal crônica ou aguda, já que nesses casos o organismo não consegue eliminar tais substâncias devido à falência dos mecanismos excretores renais.
É feita através de uma máquina e um dialisador, o sangue é retirado do organismo e levado até o dialisador para que seja filtrado e retorne ao organismo limpo. Esse processo é feito com a utilização de uma veia e uma artéria superficial que dá acesso ao sangue para purificação.

Quimioterapia
A quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
A quimioterapia funciona ao interromper ou retardar o crescimento de células de câncer, as quais crescem e se dividem rapidamente. Entretanto, a quimioterapia também pode danificar células saudáveis que se dividem rapidamente, como aquelas no revestimento da boca e intestino ou as que fazem o cabelo crescer. Os danos às células saudáveis ocasionam efeitos colaterais. Frequentemente os efeitos colaterais melhoram ou somem depois que a quimioterapia termina.

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