Deixando seu ambiente mais agradável
Uma profissão que, há pouco tempo, teve o reconhecimento merecido, bem como seus direitos preservados. Até porque, aquele que realiza a limpeza e conservação dos ambientes, sejam residenciais ou laborais, merece o nosso respeito e consideração. O dia 22 de julho é dedicado àquelas pessoas que, com muito carinho e dedicação, se encarregam de executar os trabalhos domésticos.
Uma profissão que, há pouco tempo, teve o reconhecimento merecido, bem como seus direitos preservados. Até porque, aquele que realiza a limpeza e conservação dos ambientes, sejam residenciais ou laborais, merece o nosso respeito e consideração.O dia 22 de julho é dedicado àquelas pessoas que, com muito carinho e dedicação, se encarregam de executar os trabalhos domésticos, deixando tudo à nossa volta sempre limpo e organizado.
A origem da atividade se dá durante o período da escravização indígena e negra, quando o trabalho braçal ganhou valoração negativa em decorrência do processo de colonização racista. No Brasil, o fim da escravidão não significou sua inclusão nos postos de trabalho assalariado, reservados aos imigrantes europeus e asiáticos. Foi a atuação das mulheres negras no trabalho doméstico que assegurou o sustento das famílias negras no pós-abolição, enfrentando condições precárias de trabalho marcadas pela herança escravista e patriarcal, baixa remuneração, violação de direitos sociais e assédios sexual e moral.
Mas a luta pela valorização da profissão do trabalho doméstico e a conquista de direitos dessas trabalhadoras é antiga no Brasil. Sob a liderança de Laudelina dos Campos Melo, trabalhadora doméstica e ativista do movimento negro, houve a fundação da primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país, em 1936. Desde então, a organização política das trabalhadoras domésticas se consolidou por meio da criação de entidades representativas e sindicatos.
Com a Constituição Federal de 1988, a categoria assegurou importantes direitos trabalhistas, o que foi muito importante para o desenvolvimento do Brasil, pois o trabalho doméstico é uma atividade produtiva fundamental para a geração de riquezas, representando cerca de 4% a 10% da força de trabalho dos países em desenvolvimento. Possibilita a administração de residências e famílias, e a dedicação e a permanência no mundo competitivo do mercado de trabalho. A categoria é composta majoritariamente por mulheres, reunindo 93,6% de profissionais. São 15,8% da força produtiva feminina total do mercado de trabalho brasileiro, perfazendo 6,2 milhões de trabalhadoras.
Em Pomerode, a atividade também é bastante praticada e valorizada. Uma das pessoas que garantem o seu sustento por meio do trabalho doméstico é Nadir Neumann. Simpática e sempre com um sorriso no rosto, foi por meio desta atividade que conseguiu complementar a renda, após um período difícil em sua vida. Há alguns anos, eu me separei e precisei fazer alguma coisa para complementar a renda. Como trabalhava no primeiro turno, comecei a realizar serviços domésticos à tarde. No entanto, quando minha filha ficou doente, eu acabei abandonando a atividade e voltei somente para a fábrica, para que eu pudesse ter tempo de cuidar dela, conta.
Após o falecimento de Bruna, sua filha, Nadir diz que seu mundo desabou e que precisava fazer alguma coisa para se reerguer. Quando chegava em casa, as lembranças eram muito fortes, por isso, eu voltei a trabalhar como empregada no período da tarde, como forma de ocupar a minha cabeça e tentar minimizar a dor da perda, relata, emocionada.
Nesta época, ela trabalhou exclusivamente na casa de seus patrões por algum tempo, mas chegou o dia em que não deu mais certo e ela foi demitida, dos dois empregos. A partir daí, comecei a me dedicar só ao serviço doméstico. Trabalhar em empresas é bom, mas eu prefiro trabalhar do jeito que eu estou fazendo. Há maior flexibilidade de horários e eu gosto muito de exercer esta atividade. Não há nada mais gratificante do que você sair de uma residência e ver o resultado do seu esforço, principalmente nas palavras de agradecimento das pessoas. Sinto-me muito bem com isso, delcara.
Nadir diz que procura fazer seus afazeres com o mesmo carinho e dedicação que faz em sua própria residência. Cuido dos pertences como se fossem meus. Aliás, isso é primordial, pois você começa a ganhar a confiança das pessoas. Em todos os lugares que eu trabalho, os meus patrões me tratam bem e confiam em mim. Muitas vezes, eu fico sozinha o dia todo na casa, inclusive, com a chave da porta. Eu sei que a maioria das pessoas não abre sua residência e a sua privacidade para qualquer um, por isso, sei o quanto a minha profissão é valorizada.
Atualmente, nove residências e estabelecimentos comerciais contam com os serviços de Nadir Neumann, que realiza as atividades de segunda a sexta. No sábado, eu me dedico aos meus afazeres, contando com a ajuda do meu atual marido. Afinal, preciso de um tempo para mim também, ressalta.
Infelizmente, ainda existe muito preconceito, herança das mazelas que assolaram o país na época da escravidão. No entanto, Nadir diz que nunca sofreu nenhum tipo de represália por ser empregada doméstica. Muito pelo contrário, sempre contou com o apoio dos amigos e da família. Eu sempre digo que qualquer serviço que a gente faça, sendo honesto, vale a pena. Tenho o apoio de todos e isso me dá forças para continuar fazendo o meu trabalho da melhor maneira.
Só quem tem a oportunidade de contar com os serviços desta mulher guerreira, sabe que o amor e dedicação, colocados em cada ato, são prova de que o trabalho é a melhor maneira de superar as adversidades.