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De volta ao mercado

Sêneca já dizia: Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres. Pesquisas apontam que um dos fatores responsáveis por animar os aposentados, foi o aquecimento do mercado.

1 de junho de 2015

Sêneca já dizia: Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres.
Pesquisas apontam que um dos fatores responsáveis por animar os profissionais aposentados, foi o aquecimento do mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos. Num cenário de baixo desemprego, em que há demanda por mão de obra qualificada, apenas 5% dos aposentados não pretendem voltar a trabalhar. A verdade é que a carência de mão de obra faz com que o profissional aposentado seja cada vez mais valorizado.
Nos últimos anos, profissionais mais experientes já vinham sentindo a maior disputa por mão de obra. Entre os trabalhadores com mais de 50 anos, a taxa de desocupação em novembro de 2012 foi de apenas 1,7%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população brasileira está envelhecendo e há cada vez menos ingressantes no mercado de trabalho, o que cria essa condição de excesso de oferta de emprego e estimula quem está fora do mercado.
Em Pomerode, uma das empresas que apoia a contratação de colaboradores com mais de 60 anos é a Cativa, através do Projeto Melhor Idade.
O Projeto, que teve início em março de 2013, atualmente conta com seis colaboradores, sendo três de manhã e três a tarde. O horário de trabalho destes funcionários é de quatro horas diárias, sendo, no período da manhã, das 7h30min às 11h30min e no período da tarde, das 13h30min às 17h30min.
As atividades desempenhadas são nos setores de Limpeza de Bordado, Corte de Aplique, Localizar e colar aplique nas peças, Bordado Manual, Retoque de Peças de aplique e estamparia, Desfiar gola, Dobrar e embalar peças. Os colaboradores são aposentados, tem mais de 60 anos, possuem carteira assinada e recebem remuneração pelas quatro horas trabalhadas, além de uma estrutura com ambiente climatizado.
A busca por profissionais já aposentados é recente no Brasil e tem crescido consideravelmente. O cenário para estes futuros ex-aposentados se mostra extremamente promissor. Os motivos para voltarem ao mercado são muitos: desde complementar a renda até se sentirem mais úteis.
Luiza Cristina Ehlert, 60 anos, é pensionista e desde junho do ano passado faz parte da equipe da Cativa. Para ela, o trabalho na terceira idade tem muitos benefícios. Além do fato de podermos sair de casa durante, pelo menos, meio período, também sabemos que ainda somos úteis e podemos trabalhar, ressalta.
A vaga, divulgada pela rádio, foi ouvida por Luiza numa sexta-feira de manhã. Lembro-me que na sexta-feira a tarde já vim para a empresa. Na segunda-feira seguinte já efetuei o exame, na terça conheci a empresa e na quarta-feira já comecei a trabalhar, conta.
Luiza diz que sabe da procura de pessoas da terceira idade por empregos e que a dificuldade para voltar ao mercado de trabalho existe. Aqui onde estou não sofro nenhum tipo de preconceito, mas sei que ele existe em outros lugares. Isso, claro, acontece por conta da nossa idade, frisa.
Antes de trabalhar na Cativa, Luiza fabricava trufas em sua residência, mas devido a falta de registro parou a produção. Também trabalhou com estopa. Hoje, mesmo com as quatro horas matutinas ocupadas, a tarde Luiza confecciona semijoias, pedrarias e artesanato, além, é claro, de cuidar de seu jardim.
Atualmente, a terceira idade pode ser considerada melhor idade pelo fato de contar com o apoio da sociedade. Podemos contar com apoio, mas antes não era assim. No entanto, o mais importante é aceitar a idade e querer se ajudar. Manter a mente lúcida e jamais desistir das coisas são pontos fundamentais, enaltece.
Com quatro filhos e cinco netos, Luiz acredita que o trabalho lhe ofereça a independência que precisa. Nossos filhos crescem e não podemos parar e ficar sozinhos. Faço as minhas vontades e tenho certeza de que se parasse de trabalhar ficaria doent. E é isso que vou fazer até que consiga, finaliza.
A longevidade e a qualidade de vida, tão buscadas na atualidade, permeiam uma nova realidade onde homens e mulheres da terceira idade não se conformam com a vida monótona, sem criatividade. Dona Luiza faz parte desta nova realidade e, assim como ela, há dezenas de outros que buscam o mesmo caminho. Logo, buscam movimento, alegria, aprendizado. Buscam trabalho, que enriquece o dia a dia. Afinal, criar faz parte do processo evolutivo e, como a própria ciência assegura, é um caminho para viver mais e melhor.
De acordo com o portal Terceira Idade, esse setor no Brasil cresceu cerca de 11 vezes nos últimos 60 anos, passando de 1,7 milhão para 18,5 milhões de pessoas nesta faixa etária. Em 2025 serão 64 milhões e, em 2050, um em cada três brasileiros será idoso. Considerando os dados da atualidade, a sociedade e o governo devem estar preparados para essa nova realidade e isso envolve também a questão trabalho.
Indiferente do caminho a ser traçado, é importante ressaltar que nascemos, crescemos e chegamos à velhice. E quando a velhice chegar é hora simplesmente de continuar, pois, se os ideais perduram, a vontade de lutar deve persistir dentro de todos. Sem essa garra, a vida não prospera e perde o seu sentido.

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