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De casa comercial à “vitrine” e poema

A edificação localizada na entrada da Rota do Enxaimel, atualmente está desocupada. Desde alguns anos, portas e
janelas estão cerradas. A ação do tempo deixou as paredes de tijolos vermelhos empoeiradas e cobertas de cartazes.
Alguns anunciam propagandas de bailes e demais produtos, mas um deles chama atenção.

22 de setembro de 2015

A edificação localizada na entrada da Rota do Enxaimel, atualmente está desocupada. Desde alguns anos, portas e janelas estão cerradas. A ação do tempo deixou as paredes de tijolos vermelhos empoeiradas e cobertas de cartazes. Alguns anunciam propagandas de bailes e demais produtos, mas um deles chama atenção. Trata-se de um poema de Eduardo Galeano. Poesia urbana de alguém que decidiu fazer uma intervenção bela, de modo a inspirar os pedestres que precisam passar pelo trajeto.

As portas cerradas em nada lembra a época áurea, quando ali funcionava um comércio popular de uma construção que foi efetuada por um entusiasta em 1903, do qual pretendia ganhar a vida com uma cooperativa de secos e molhados. Contudo, no ano de 1936, o proprietário que atendia pelo nome de George, faleceu e os negócios passaram para a próxima geração. 

Nas salinhas do comérciomuitos negócios foram realizados. Eram funcionários entrando para solicitar mais troco, que havia acabado ou repassando exigências e melhorias para a diretoria, que administrava o local com grande satisfação. Outras vezes, eram clientes que vinham pagar a conta do mês ou receber o pagamento do leite.

Os diálogos que aconteciam ali eram em alemão, mas não desses para “inglês ver”. Tratavam-se dos imigrantes legítimos que, buscando se estabelecer em um novo país, contribuíram para o desenvolvimento de Pomerode. Contribuintes estes, que originaram a cultura ordeira e bem estabelecida, cujo município goza até os dias atuais, como sendo a “Cidade mais alemã do Brasil”, ou traduzindo para um slogan comercial mais moderno, “Nossa pequena Alemanha”.

Quando o estabelecimento era conduzido a todo vapor, a questão do leite possuía certa naturalidade. Primeiro a matéria prima da bebida era recolhida das casas da região por uma empresa de Jaraguá do Sul. Posteriormente estes produtores tinham um desconto no momento de adquirir o produto final, que era comprado na Casa Comercial Haut. Ironicamente, quem vendia o leite bruto, tornava-se cliente assíduo para consumir o produto finalizado, pagando um valor mensal.

Em meados de 2008 a casa era totalmente voltada ao comércio, contudo no passado, a área comercial ficava restrita a parte de baixo, ficando o sótão restrito a residência da família que ali viviam. Além do mercado, ali também funcionava um açougue e uma queijaria. Quando a família percebeu que precisava de um local mais estruturado para viver, abandonou de vez o espaço, que acabou se quedando vazio. 

Os almoços da família eram ocasiões importantes. Além dos entes com laços sanguíneos, juntavam-se os empregados que moravam em regiões mais afastadas e se alimentavam junto, tornando a hora do almoço diariamente em um grande encontro.

Uma foto datada de 1972 demonstrava as localidades em que os trabalhadores demandavam grande parte de seus esforços. Outra das imagens era aérea, tirada de um avião de todo o antigo Complexo Haut.

A queijaria deixou de funcionar no ano de 1994. O açougue durou um pouco mais, atendendo até 1998, pois havia a necessidade de uma reforma que demandaria grande aporte financeiro. Outro agravante foi a instalação de demais comércios na cidade e os novos vizinhos passaram a se queixar do odor das criações de animais.

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