De cara na parede
Projeto de adaptação de calçadas para deficientes visuais é mal executado pela prefeitura e direciona pessoas a paredes
de estabelecimentos do Centro
A prefeitura de Pomerode até tentou adaptar as calçadas do Centro da cidade aos deficientes visuais, mas não deu certo. A ideia era colocar um piso tátil de alerta e outro direcional, nas faixas de pedestres das ruas Paulo Zimmermann, 15 de Novembro, Luiz Abry e Frederico Weege, que ajudasse na travessia das vias, entretanto o projeto acabou sendo mal executado e pode direcionar o deficiente para algumas colisões contra paredes dos estabelecimentos da região.
Em frente a loja Koerich, o piso direcional leva até a porta da loja, na qual uma geladeira repousava no momento em que a equipe do Jornal de Pomerode fez os registros. Um pouco mais adiante, na próxima faixa de pedestre no sentido da Farmalan, o piso leva direto para uma das vitrines da loja Daniela Augusta. Mais adiante, na faixa que atravessa a rua 15 de Novembro, o piso orienta o deficiente a bater no portão de uma residência. Já na travessia da Frederico Wegee, quem vai cruzar a rua é conduzido diretamente para a parede do restaurante Schroeder. Finalizando o quadrado, ao atravessar a rua Luiz Abry, em sentido do Zoológico o deficiente visual iria na direção da parede da loja Schumann.
Ao questionar a prefeitura de Pomerode sobre o assunto, o Secretário de Planejamento Mauricio Eduardo Gorigoitía Vega, explicou que o projeto faz parte de um pacote de projetos de reurbanização feito entre 2010 e 2011, que iniciava na Praça Jorge Lacerda e terminava na Rua Independência, com um custo superior aos R$ 10 milhões. Mas apenas a quantia de R$ 1 milhão foi disponibilizada e ficou definido por reurbanizar apenas o trecho mencionado. O secretário afirma que o projeto seguiu a norma ABNT NBR 9050 que trata da Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos e cita o item 5.14.3 que diz: “nas faixas de travessia, deve ser instalada a sinalização tátil de alerta no sentido perpendicular ao deslocamento, à distância de 0,50 m do meio-fio. Recomenda-se a instalação de sinalização tátil direcional no sentido do deslocamento, para que sirva de linha-guia, conectando um lado da calçada ao outro”. E o secretário justifica. “Fazendo uma análise da norma, não há erro, afinal ele direciona para o objetivo que é chegar na faixa de pedestres. O que não concordo no projeto e gostaria de estar modificando, mas não posso, é a continuidade em alguns pontos. No projeto consta apenas o direcionamento para onde estão as faixas de pedestres e não o trajeto das calçadas completo. Assim que assumimos em 2013 a obra estava com mais de 85% concluída e procuramos fazer adaptações para amenizar um pouco os erros, mas não obtivemos autorização do convênio para fazer as mudanças. Somente após a finalização do convênio poderemos fazer modificações”, finaliza.
O projeto está disponível na Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente.