Geral

Curt Schramm Campeão por onde passou

Deixar o nome marcado na história não é fácil. Mais difícil é fazer isso em lugares diferentes e assim, conquistar a confiança e a idolatria de muitos. Porém, quando se faz algo com paixão, o caminho para sucesso fica mais fácil. Paixão é o que sempre moveu o gasparense Curt…

21 de maio de 2010

Deixar o nome marcado na história não é fácil. Mais difícil é fazer isso em lugares diferentes e assim, conquistar a confiança e a idolatria de muitos. Porém, quando se faz algo com paixão, o caminho para sucesso fica mais fácil.
Paixão é o que sempre moveu o gasparense Curt Schramm, de 80 anos, o popular Cot, entre familiares e boleiros. O ex-lateral direito brilhou nos campos do futebol amador de Santa Catarina e fez do Tupi sua segunda casa. Mas não foi apenas com a camisa alviverde que Cot teve suas principais conquistas, até encerrar sua trajetória por causa de uma contusão no joelho aos 29 anos. Seus feitos também estão gravados na galeria de campeões do Vera Cruz, da cidade de Pomerode, onde conquistou um título no ano de 1951, e também no União de Ibirama, onde conquistou a Liga de Rio do Sul, em 1953.
Ídolo e campeão de duas torcidas, Curt Schramm lembra que o futebol apareceu em sua vida quando era garoto e por meio de seu pai, Engelbert Schramm, que ajudou na fundação do Clube Atlético Tupi e também na construção do Estádio Carlos Barbosa Fontes.
Isso se passou na década de 1940, quando o adolescente Curt ia com seu pai ajudar na obra do futuro estádio no recém fundado Índio Gasparense (1942). “Já tinha abandonado a escola e como meu pai foi uma das pessoas que fez contato com o Governo do Estado para conseguir recursos para a obra, eu sempre estive envolvido no Tupi. Na obra, ajudei a puxar carroça e quando tudo ficou pronto, vesti a camisa do Tupi e fui para campo”, recordou.
O tempo foi passando e as atividades do Tupi cresciam e lá estava Curt, pronto para suas investidas pela lateral direita, apesar das reclamações dos técnicos que preferiam mantê-lo preso à defesa.
Apesar de gostar de chegar ao ataque, o lateral não marcou muitos gols na sua carreira de jogador, como o próprio diz: “Esse ofício deixei para o meu irmão Ninha (Bruno Schramm). Nem de pênalti eu fazia gol”, lembrou, com muito bom humor.
Dessa sua primeira fase como atleta amador, o irmão é uma figura marcante, que sempre esteve ao seu lado, dentro e fora de campo, inclusive nas viagens que fazia com o time. Uma delas, o jogador se lembra muito bem, porque foi sua primeira excursão como atleta. Ela aconteceu em 1948, quando o Tupi foi a Canoinhas enfrentar o Ypiranga. “Não foi fácil, pois enfrentamos a estrada de ônibus até Jaraguá do Sul e de lá seguimos para Canoinhas de trem. Foi minha primeira viagem. No jogo não tivemos tanta sorte, perdemos uma e empatamos a outra”, lamenta.
Os anos 1940 se passaram e nem mesmo o exército, ao qual serviu em 1949, o afastou dos campos. Nas folgas de fim de semana, voltava rapidamente para Gaspar para vestir as cores do time da cidade, o Tupi.

Década de
conquistas
Mesmo tendo se criado e descoberto o futebol com a camisa do Tupi, não foi no Índio que Curt Schramm conquistou seu primeiro título. Durante um período de inatividade do futebol do time gasparense, por causa de estragos causados pelas chuvas, que demoraram a ser recuperados, Curt foi jogar no Vera Cruz (Pomerode). O convite partiu do então presidente Ernesto Buselin, que morou alguns anos em Gaspar e conhecia o potencial do lateral. Lá jogou dois anos, 1951 e 1952, onde foi campeão logo no ano de estréia. Ao seu lado em campo, Curt lembra de nomes como Gepi, Antônio Campos e Fernando Campos; Ortiz e Bubi Siegfried, que vestiram a camisa cruzmaltina e assim, como o gasparense, escreveram seu nome na história do time do bairro Testo Central.
Na época não existia tanta rivalidade entre Gaspar e Pomerode e o jogador lembra que em razão disso, a cobrança pelo fato de ser um jogador de fora não era grande.
O bom desempenho em Pomerode foi repetido em 1953, quando foi jogar, em Ibirama, o Campeonato da Liga Riossulense, vencendo o Concórdia, de Rio do Sul, na final. Os adversários deste ano eram tradicionais times do futebol do Vale e Alto Vale do Itajaí e entre eles estava o Cruzeiro, de Presidente Getúlio. Na passagem por Ibirama, o lateral direito se recordava da viagem que fazia para chegar a tempo de entrar em campo. “Para chegar em Ibirama, pegava o trem às 6h30min de domingo e só conseguia voltar na segunda-feira, quando tinha o trem de volta”. De lá ia direto para o açougue da família, onde garantia seu sustento, pois do futebol o craque só recebia como pagamento muitas cervejadas e churrascadas no final das partidas.
Dois títulos em três anos, a década de 1950 ainda guardou um bicampeonato, 1956 e 1957, da Liga Blumenauense de Desportos, esse enfim com a camisa de seu clube de coração.
O retorno ao Tupi em 1954, depois de ter jogado também pelo Guarani de Blumenau, foi maravilhoso e após dois anos, veio o primeiro título em cima do Vasto Verde.
Desta conquista, o jogador não esquece a escalação daqueles que fizeram história no futebol gasparense e, com o coração repleto de saudades, Cot escala o esquadrão vencedor olhando para a foto do título: “Esse primeiro (da esquerda para a direita) é o Batista, o segundo Natalino, depois Erich Becker, Vicente, Aloés, Valmor Demmer, Paraguaio, Ico, Pedro Facão, meu irmão Ninha, Lito, Nana, Ari Corrêa, Mazinho, eu e Arnaldo Corrêa”.
O bi, em 1957, foi novamente contra o Vasto Verde e essa conquista habilitou o time a disputar o Estadual amador contra o Baependi, de Jaraguá do Sul, campeão da outra Liga. Essa, por sinal, foi a partida que mais marcou a carreira de Curt Schramm. “Lembro como se fosse hoje. Nós perdemos em casa de 3 a 2 em uma partida, na qual meu irmão e o Nana perderam pênalti. Na volta, em Jaraguá do Sul, vencemos por 3 a 1 e levamos a decisão para a prorrogação. Nós estávamos segurando a partida para escurecer e o juiz encerrar, mas o Baependi conseguiu marcar e liquidou o jogo. Eles avançaram na competição, mas o campeão acabou sendo o Operário, de Joinville”, relembrou.

Hora de parar
Depois da conquista do bicampeonato, Curt jogou mais dois anos até parar por causa de uma contusão no joelho. “Naquele tempo era diferente. Você machucava o joelho e eles mandavam você fazer exercício de bicicleta para melhorar, mas não adiantava. Se fosse hoje, teria conseguido voltar a jogar”, lamentou.
O lateral jogou algumas peladas depois que parou, mas sua relação com o futebol acabou sendo substituída por outras funções no Clube Atlético Tupi. “Depois que parei fiz de tudo no clube. Trabalhei como massagista e hoje não deixo de ir ao Barbosa Fontes acompanhar os jogos”.

Recordações
Além de todas essas lembranças, Cot guarda com carinho na memória um dos poucos gols que fez. Foi contra o Paula Ramos, de Florianópolis. “Entrei na área e me atirei de carrinho para marcar. Tinha a foto deste gol, mas não achei mais”, recorda, destacando que todos esses registros dos áureos tempos de futebol amador foram feitos por seu irmão, Ingo Schramm e sua inseparável máquina fotográfica.

Paixões
O quadro na parede da sala de sua casa (foto abaixo) mostra que não é somente o Tupi que mora no coração do jogador. Outras duas paixões, Flamengo, do Rio de Janeiro, e cavalgadas despertam a atenção do gasparense. Pelo rubro-negro, dedica espaço às conquistas do passado. Já para os cavalos, as fotos recordam muitas cavalgadas pelo estado, participações em todos os desfiles da Oktoberfest de Blumenau e os tempos de CTG Coração do Vale.

Notícias relacionadas