Geral

Currículo adaptado, práticas diferenciadas, desafios diários que angustiam os professores

E.B.M. Almirante Barroso

2 de junho de 2010

As escolas da atualidade estão em processo de constante reestruturação, modificando hábitos, e, principalmente, práticas pedagógicas calcificadas pelo tempo. Já foi o tempo que os professores ensinavam os alunos da mesma forma, cobravam essa aprendizagem com provas iguais para todos e tão pouco se ouvia falar de avaliação diferenciada para alunos com dificuldades ou distúrbios de aprendizagens.
Com o passar dos anos, a igualdade de direitos começou a interferir na vida pedagógica das escolas, e crianças com deficiências aos poucos têm ganhado espaço e voz nas escolas brasileiras. A inclusão passa ser assunto discutido por pais que buscam conquistar direitos que já estão garantidos por lei e em alguns casos, que ainda não tiveram as políticas públicas necessárias implementadas.
Mas aos quatro cantos deste país, ouve-se sobre trabalhos diferenciados, projetos que visam efetuar definitivamente o processo de inclusão. Temos que ser coerentes e analisar os dois lados dessa moeda. As escolas, na maioria dos casos, não estão preparadas para receber alunos com deficiências sejam elas físicas ou mentais; os professores, por outro lado, também não se sentem preparados para tanto. Ao governo cabe, como resposta às exigências dos organismos internacionais, implementar programas que venham atender a essa demanda, de forma tradicional – “de cima para baixo”, nesta política do “eu mando e você obedece”, as coisas vão acontecendo no Brasil.
Escolas brasileiras, e em especial as de Pomerode, estão cheias de boas intenções, estão recebendo estas crianças e tentando dar a elas um atendimento digno. Certa vez, ouvi alguém falar que: “os pais não escolhem ter filhos deficientes”, e parece que perante a lei, as escolas também não podem fazer escolhas, no que se refere a este assunto. E das escolas, o que se espera, é que desenvolvam uma estrutura social capaz de responder a esta necessidade e respeitar a diversidade de todos os seus alunos, para tanto, é necessário que a escola promova uma educação que tenha em conta as necessidades individuais de todos os seus alunos e pressupõe uma nova filosofia organizacional, assentada nos princípios da inclusão e da diversidade. Partindo de uma nova perspectiva de trabalho, onde a elaboração de projetos curriculares deve estar adequada às diretrizes que regem o sistema de educação de acordo com a diversidade de contextos que cada comunidade escolar possui, respeitando o que cada turma e cada aluno representam dentro de uma mesma comunidade.
Por outro lado, a prática educativa dentro da sala de aula deverá estar adequada às diversas necessidades dos alunos com e sem necessidades educacionais especiais. Ou seja, cada escola deve proceder a uma adaptação curricular de primeiro nível, consubstanciada no seu currículo. Não esquecendo que essas adaptações curriculares devem levar em conta o aluno individualmente especificamente se houverem necessidades educacionais.
O professor desempenha um papel fundamental, neste contexto, (re)construir o currículo de forma a promover o sucesso educativo de todos os seus alunos. Além de que, muitos professores demonstram alguma apreensão ou ansiedade face à presença de alunos com necessidades educativas especiais em suas escolas, por considerarem que não possuem conhecimentos (científicos e metodológicos), ou que não dispõem de recursos e/ou de serviços de apoio que permitam acontecer o processo de ensino/aprendizagem desses alunos.
Sabemos ser procedentes muitas destas queixas, pois nem mesmo muitos dos cursos de formação de profissionais para a Educação, não contemplam em suas grades formação específica para a atuação deste profissional em sala de aula. E em muitos casos, o professor que não é capacitado para trabalhar necessidades educacionais especiais, também não é a pessoa certa para discutir adaptação curricular, pois o mesmo não “sabe” trabalhar essa questão dentro da sala de aula.
A responsabilidade de capacitar seus profissionais, não é só mais do sistema, hoje os profissionais, sociedade de modo geral são tão responsáveis quanto, o professor tem que ter consciência de que o sucesso profissional também depende do seu comprometimento com a causa da inclusão. A inclusão não é um problema só do Estado, mas da sociedade no todo, pais, alunos, educadores em geral têm que assumir a sua parte nessa responsabilidade.
Professora Clotilde – Responsável pelo Atendimento Educacional Especializado na E.B.M. Almirante Barroso.

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