Currículo adaptado, práticas diferenciadas, desafios diários que angustiam os professores
E.B.M. Almirante Barroso
As escolas da atualidade estão em processo de constante reestruturação, modificando hábitos, e, principalmente, práticas pedagógicas calcificadas pelo tempo. Já foi o tempo que os professores ensinavam os alunos da mesma forma, cobravam essa aprendizagem com provas iguais para todos e tão pouco se ouvia falar de avaliação diferenciada para alunos com dificuldades ou distúrbios de aprendizagens.
Com o passar dos anos, a igualdade de direitos começou a interferir na vida pedagógica das escolas, e crianças com deficiências aos poucos têm ganhado espaço e voz nas escolas brasileiras. A inclusão passa ser assunto discutido por pais que buscam conquistar direitos que já estão garantidos por lei e em alguns casos, que ainda não tiveram as políticas públicas necessárias implementadas.
Mas aos quatro cantos deste país, ouve-se sobre trabalhos diferenciados, projetos que visam efetuar definitivamente o processo de inclusão. Temos que ser coerentes e analisar os dois lados dessa moeda. As escolas, na maioria dos casos, não estão preparadas para receber alunos com deficiências sejam elas físicas ou mentais; os professores, por outro lado, também não se sentem preparados para tanto. Ao governo cabe, como resposta às exigências dos organismos internacionais, implementar programas que venham atender a essa demanda, de forma tradicional – “de cima para baixo”, nesta política do “eu mando e você obedece”, as coisas vão acontecendo no Brasil.
Escolas brasileiras, e em especial as de Pomerode, estão cheias de boas intenções, estão recebendo estas crianças e tentando dar a elas um atendimento digno. Certa vez, ouvi alguém falar que: “os pais não escolhem ter filhos deficientes”, e parece que perante a lei, as escolas também não podem fazer escolhas, no que se refere a este assunto. E das escolas, o que se espera, é que desenvolvam uma estrutura social capaz de responder a esta necessidade e respeitar a diversidade de todos os seus alunos, para tanto, é necessário que a escola promova uma educação que tenha em conta as necessidades individuais de todos os seus alunos e pressupõe uma nova filosofia organizacional, assentada nos princípios da inclusão e da diversidade. Partindo de uma nova perspectiva de trabalho, onde a elaboração de projetos curriculares deve estar adequada às diretrizes que regem o sistema de educação de acordo com a diversidade de contextos que cada comunidade escolar possui, respeitando o que cada turma e cada aluno representam dentro de uma mesma comunidade.
Por outro lado, a prática educativa dentro da sala de aula deverá estar adequada às diversas necessidades dos alunos com e sem necessidades educacionais especiais. Ou seja, cada escola deve proceder a uma adaptação curricular de primeiro nível, consubstanciada no seu currículo. Não esquecendo que essas adaptações curriculares devem levar em conta o aluno individualmente especificamente se houverem necessidades educacionais.
O professor desempenha um papel fundamental, neste contexto, (re)construir o currículo de forma a promover o sucesso educativo de todos os seus alunos. Além de que, muitos professores demonstram alguma apreensão ou ansiedade face à presença de alunos com necessidades educativas especiais em suas escolas, por considerarem que não possuem conhecimentos (científicos e metodológicos), ou que não dispõem de recursos e/ou de serviços de apoio que permitam acontecer o processo de ensino/aprendizagem desses alunos.
Sabemos ser procedentes muitas destas queixas, pois nem mesmo muitos dos cursos de formação de profissionais para a Educação, não contemplam em suas grades formação específica para a atuação deste profissional em sala de aula. E em muitos casos, o professor que não é capacitado para trabalhar necessidades educacionais especiais, também não é a pessoa certa para discutir adaptação curricular, pois o mesmo não “sabe” trabalhar essa questão dentro da sala de aula.
A responsabilidade de capacitar seus profissionais, não é só mais do sistema, hoje os profissionais, sociedade de modo geral são tão responsáveis quanto, o professor tem que ter consciência de que o sucesso profissional também depende do seu comprometimento com a causa da inclusão. A inclusão não é um problema só do Estado, mas da sociedade no todo, pais, alunos, educadores em geral têm que assumir a sua parte nessa responsabilidade.
Professora Clotilde – Responsável pelo Atendimento Educacional Especializado na E.B.M. Almirante Barroso.