Geral

Crise: funcionários da Porcelana Schmidt estão há 60 dias sem salário

Na última segunda-feira, 02/08, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cerâmica de Pomerode reuniu cerca de 200 funcionários da empresa Porcelanas Schmidt, para realizar uma assembleia que teve como pauta principal os salários atrasados. De acordo com o presidente do sindicato, Alzir Beber, o salário dos últimos dois meses, junho…

6 de agosto de 2010

Na última segunda-feira, 02/08, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cerâmica de Pomerode reuniu cerca de 200 funcionários da empresa Porcelanas Schmidt, para realizar uma assembleia que teve como pauta principal os salários atrasados.
De acordo com o presidente do sindicato, Alzir Beber, o salário dos últimos dois meses, junho e julho, estão atrasados e não existe previsão dos vencimentos serem entregues aos funcionários. Mais de 90% os trabalhadores estão de licença remunerada, a fim de evitar uma nova greve na indústria. No escritório da unidade, quatro funcionários ainda desempenham suas atividades, a loja segue com seu funcionamento normal, onde seis funcionários continuam atendendo.
Um acordo feito há 90 dias não foi cumprido pelos diretores da empresa Porcelana Schmidt, que diante da juíza, no tribunal, também afirmaram que o pagamento seria depositado até sexta-feira, data limite do prazo estabelecido. Contudo, as contas dos funcionários continuavam sem os valores. “Eles prometeram para o dia 21, depois 22 e 23. A juíza em Timbó estipulou o prazo de sexta-feira, dia 30/07, mas até agora, nada, estamos cansados de esperar”.
O processo tramitará na Comarca de Timbó, cidade sede do Sindicato, que atende ambos os municípios.
Desde o começo do ano as fábricas da empresa enfrentam algumas situações semelhantes. O presidente do Sindicato confirma que em Campo Largo, no Paraná, há uma semana os funcionários também estão afastado do trabalho. “Lá no Paraná falta matéria-prima para o trabalho continuar, aqui temos tudo, mas os funcionários estão de licença, porque eles não têm como nos pagar”.
A proposta apresentada pelo presidente e pelo assessor jurídico foi o pedido de demissão via Sindicato de todos os trabalhadores. Segundo o advogado, o funcionário entra na justiça e a partir da data do processo, ele já pode procurar outro emprego. “Estamos instruindo vocês a fazerem o que é melhor juridicamente. Não peçam demissão, pois irão perder parte de seus direitos, como o Fundo de Garantia”.
Para Robert Krüguer, 41 anos e que há 20 trabalha no local, a situação é difícil, mas ele vai ficar. “Não vou entrar com o pedido de demissão, se por um acaso fechar, eu serei demitido do mesmo jeito, prefiro continuar e ficar até o final”.
O modelador também se lembrou das outras crises que a empresa já passou, e para ele, esta pode ser mais uma. “Das outras vezes a gente nunca ficou sem receber nada pelo trabalho, até vejo essa crise como algo maior, mas prefiro esperar pra ver como vai ser a situação”, completou.
Assim como ele, uma funcionária que já trabalha na Porcelana há 17 anos, também vai esperar a situação se acalmar para decidir os fatos. Para ela, não existe outro trabalho que ela queira fazer. “Só sei fazer louça, já estou há tempos aqui, não consigo me imaginar sem esta função. Quero receber o pagamento, mas quero continuar trabalhando lá”.
Diferente dos dois, Lindomar Ernst, acredita que a crise não vai ser resolvida. “Eles estão com medo de pedir a conta, mas eu não vejo mais solução. Não tem salvação, vou sair para conseguir logo outro emprego”. O funcionário já trabalha há sete anos na fabricação de xícaras e esperou o máximo possível, segundo ele, para pedir demissão. “Da outra vez que abriram para a gente se demitir, eu não quis, mas agora eu já não vejo outra solução”.
Os três, contudo, apesar das divergências em relação ao futuro da fábrica, compartilham o mesmo drama: as lembranças de todos os anos no local. “É uma pena tudo isso estar acontecendo, não dá para entender”, exclamou Robert. Lindomar relembra dos amigos que fez, e confirma que ainda é ruim passar pela fábrica e não entrar para trabalhar. “Ficamos tristes em ver o nosso local de trabalho com suas portas fechadas. Não depende mais de nós”.


2010: um ano conturbado para a empresa mais tradicional de Pomerode

A Porcelana Schmidt interrompeu temporariamente suas atividades no dia 15/03, tendo os funcionários aderido à greve, que teve início na unidade de Campo Largo (PR). Com os vencimentos de fevereiro atrasados, a empresa estava negociando com os funcionários das unidades de São Paulo e Pomerode, para que não fosse vivenciada a mesma situação da unidade de Campo Largo, que estava sem produzir.
Segundo Alzir Beber, os funcionários da unidade de Pomerode mantiveram a paralisação até que fosse efetuado o depósito do FGTS, o que não era feito há dois anos. Duzentos funcionários aderiram à greve.
A redação do Jornal de Pomerode procurou a direção da empresa, mas até o fechamento desta edição foi informada que seus diretores não estavam autorizados a se manifestar sobre o assunto. Tentou-se ainda um pronunciamento da unidade de São Paulo, do departamento jurídico, mas não se conseguiu contato.

Notícias relacionadas