Crimes em SC teriam ligação com o PGC
Na noite de terça-feira, 19/04, a Policia Militar de Pomerode montou quatro pontos de blitz nas proximidades do Batalhão da Polícia Militar. Supervisionados pelo Tenente Alexandre Klein, e atendendo a determinação do comando do Estado, os policiais abordaram os veículos que por ali transitavam. O objetivo desta operação é combater…
Na noite de terça-feira, 19/04, a Policia Militar de Pomerode montou quatro pontos de blitz nas proximidades do Batalhão da Polícia Militar. Supervisionados pelo Tenente Alexandre Klein, e atendendo a determinação do comando do Estado, os policiais abordaram os veículos que por ali transitavam. O objetivo desta operação é combater as ações e o avanço do PGC (Primeiro Grupo Catarinense). Felizmente nenhuma ocorrência relacionada à facção criminosa ocorreu.
O PGC passou a ser investigado após os assassinatos na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, que provavelmente estão sendo encomendados pela facção criminosa. Criado no presídio de Criciúma em 03/03/2003, o grupo se espalhou para todo o sistema carcerário do Estado. O PCG foi criado para se opor ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção fundada nos presídios paulistas e cujos integrantes estariam arregimentando presos catarinenses. A movimentação do PGC e as ações que o grupo estaria promovendo no Estado estão sendo apuradas pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Segundo o juiz da comarca de Criciúma, Rubens Salfer, o PGC vem atuando há um bom tempo. “Para se ter ideia da influência da organização, o preso que sai para tomar banho de sol é obrigado a pedir licença para o membro que estiver no comando de um subgrupo. Se ele não cumprir as regras, poderá ser assassinado dentro da cadeia. Temos exemplos de crimes desse tipo registrados na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, em Florianópolis”, diz.
Em fevereiro deste ano, quatro integrantes da facção foram presos em flagrante por porte ilegal de armas em São José. Enquanto praticavam tiro ao alvo em um estande de tiro foram flagrados pela equipe da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). No dia 11/04 uma quadrilha foi presa em Florianópolis durante a operação Al Capone, seis pessoas foram detidas em flagrante por tráfico de drogas, associação ao tráfico e formação de quadrilha.
Após estas prisões a polícia acredita que o traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, esteja fornecendo drogas para o PGC, como uma tentativa de expansão daquela que já é encarada como a maior organização criminosa do Estado. Nesta ação a polícia descobriu em bilhetes um plano do grupo para matar o diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara. Segundo o delegado e diretor da Deic, Cláudio Monteiro, a polícia também tem documentado indícios da atuação do traficante da Capital para o PGC. “Segundo apuramos, ele está inserido no grupo fornecendo inclusive drogas. Tem um relato nessas cartas de três quilos de pó do NC. NC para mim é o Neném da Costeira, não tenho a menor dúvida. Tenho um relato, um indício, mas ainda não tenho a materialidade do crime” relatou o delegado, que manteve em sigilo o conteúdo das cartas.
O chefe da Diretoria da Administração Penal (Deap), Adércio José Velter, informou que em fevereiro cinco integrantes do PGC foram transferidos para presídios federais fora de Santa Catarina, e desde o início do ano 19 transferências já ocorreram. A manobra da direção do Deap em tirar líderes do PGC de São Pedro de Alcântara estaria sendo rejeitada pela facção criminosa. Como represália os líderes estariam comandando os assassinatos acontecidos no presídio da capital, escolhendo presos suspeitos de traição ao grupo.
Nove mortos na apenas este ano
Só neste ano nove presos já morreram na Penitenciária da capital catarinense. O primeiro detento a morrer foi Alexandre Pinheiro Lima, 32 anos, assassinado a facadas por um colega de cela. No dia 08/02, Edson do Nascimento Onofre, de 36 anos, foi encontrado morto embaixo da escada da penitenciária. Os presos o teriam matado porque ele supostamente teria denunciado um plano de fuga. No dia 12/02, Erivan Pereira da Silva, morreu aparentemente de causas naturais e Edson Vieira Sarnento, de 36 anos, foi assassinado por outro preso após se envolver em uma briga.
Já na manhã de 21/02, foi a vez de Fernando Eduardo Pinheiro, de 31 anos. Ele foi encontrado morto na cela, supostamente o detento teria sido eletrocutado. Na terça-feira, 12/04, outro detento foi morto. Diógenes Rafael Vieira, conhecido como Mato Grosso, de 28 anos, estava enforcado com um lençol em sua cela, que era dividida com mais cinco presos. De acordo com informações da penitenciária, o detento já havia tido envolvimento com o PGC.
A sétima morte aconteceu na madrugada de quarta-feira, 13/04, quando Fernando Ribeiro, de 34 anos, foi assassinado por golpes de espeto. O autor do crime, segundo informações da diretoria da unidade prisional, seria o companheiro de cela da vítima, Tiago José Simas, de 26 anos. Ele teria confessado o crime e contado que tentou apenas se defender, pois este teria o agredido.
Fernando tinha nove anos e 11 meses de condenação por furto e roubo, e Tiago cumpria pena de seis anos e 8 meses por roubo e crime de trânsito. Investiga-se a ligação do detento assassinado com o PGC.
Na sexta-feira Santa, 22/04, Miguel Angel Corrêa, de 25 anos, foi assassinado pelo colega de cela, por volta das 3h. A vítima era natural de Montevideo, no Uruguai, cumpria pena por tráfico e foi morta a golpes de estoque, uma espécie de espeto confeccionado pelos presos. A nona vítima também foi assassinada a golpes de estoque, na manhã de sábado, 22/04. Morgon Manoel Plucenio, de 28 anos, foi morto por um companheiro de cela.
Atentado contra a delegacia de polícia em Florianópolis
Na noite de domingo, 17/04, os policiais da 4ª Delegacia de Polícia de Coqueiros, na região continental de Florianópolis foram surpreendidos por tiros. Sete tiros atingiram o prédio, mas de acordo com a polícia ninguém se feriu.
A ação foi gravada pela câmera de vigilância de um prédio vizinho, onde na gravação aparecem um Gol branco e uma moto de grande porte que podem ter sido usados pelos suspeitos.
Outros atentados foram cometidos contra a polícia. No dia 01/04, uma bomba caseira explodiu na base operacional Polícia Militar, também em Coqueiros, por volta da 0h30min. Havia apenas um policial no local, mas ele não ficou ferido. Dois dias depois, no domingo, foi a vez da base de Canasvieiras ser alvo de tiros. Por volta da 1h30min, seis disparos atingiram o local. Testemunhas dizem que os tiros teriam partido de uma motocicleta ocupada por um casal. A polícia investiga os casos.
No início da noite de domingo de Páscoa, 24/04, dois homens em uma motocicleta dispararam quatro tiros contra o posto da Polícia Militar (PM), no bairro Bom Viver, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. Apenas o cabo Júlio César da Silva estava no local. Os disparos atingiram a parede do prédio, logo abaixo da janela, e ninguém se feriu.
De acordo com investigações da polícia, feitas até o momento, o fato tem ligação com a apreensão de uma moto, realizada horas antes no bairro. Segundo informações dos agentes, uma viatura fazia rondas de rotina pelo bairro, quando abordou um homem que trafegava no veículo, todo depenado, sem placas, sem retrovisor e sem pisca. Que ao perceber a aproximação da polícia, o suspeito abandonou a moto e fugiu a pé.
Em seguida, um telefonema anônimo ao posto ameaçou o cabo que estava de plantão. “A voz do outro lado alertava sobre uma represália, dizia que ia haver troco por causa da apreensão da moto” conta Júlio. Policiais realizaram rondas pelas proximidades do posto ao longo da noite, mas ninguém foi localizado, mas já existem suspeitos.