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Consequências da chuva em solo catarinense

Pomerode não está entre as cidades mais atingidas pela enxurrada, mas acesso entre a cidade e Jaraguá do Sul é o único do Estado ainda interrompido.

27 de janeiro de 2011

O Estado de Santa Catarina está mais uma vez em alerta. Depois das enchentes de 2008, as chuvas voltaram a assolar o Estado durante o mês de janeiro. São 51 cidades em alerta, mas 62, de acordo com a Defesa Civil de SC, tiveram danos e estão convivendo com o medo e a insegurança.
Em Pomerode, desta vez, as chuvas não castigaram a cidade, contudo, uma queda de barreiras na Serra que liga o município a Jaraguá do Sul interditou a passagem, não permitindo o trânsito no local. As intensas chuvas na região fizeram com que houvesse uma danificação da manta asfáltica em sua superfície.
Na manhã de terça-feira (25/01), o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Paulo Roberto Meller, veio até a cidade para conhecer o trecho interditado da SC-416. Meller relatou que será feita uma análise da estrutura para que assim, possam estudar a possibilidade da abertura de uma rodovia municipal alternativa, para a circulação de veículos e moradores, até que as obras da SC-416 sejam concluídas.
Conforme os técnicos do Departamento, a camada de asfalto será retirada e muros de contenções construídos. Os geólogos e engenheiros irão percorrer toda a parte dos taludes, com o objetivo de obter um resultado mais preciso. O prazo para a conclusão dos estudos é de 24 horas, ou seja, na quarta-feira. Mas, devido ao fechamento da edição, não podemos relatar o conteúdo deste relatório.
Como esta é a única rodovia do Estado que ainda não foi desobstruída, a posição do governador Raimundo Colombo é dar prioridade para recuperar a área atingida, sendo assim, provavelmente a situação não deva levar muito tempo para ser normalizada.
Os profissionais cogitaram fazer a liberação de meia pista para o tráfego, enquanto a recuperação seja feita. “Porém, como a rodovia é estadual e, para acelerar o processo, será acordado com os dois municípios a abertura de outra via de acesso municipal”, acrescenta.
Uma equipe de engenheiros e geólogos percorreu toda área durante o dia, tanto a afetada em Jaraguá do Sul, como em alguns pontos da SC-416, com acesso à Pomerode. Só depois de feita esta avaliação, poderá se definir custos e prazo de conclusão da obra.
Na ocasião, o presidente da Câmara de Vereadores, Ricardo Campestrini, na companhia de demais vereadores, aproveitou para entregar uma reivindicação da população de Testo Rega. O objetivo é a melhoria do acostamento da SC-416, para proporcionar maior segurança aos pedestres e ciclistas que trafegam ao longo da rodovia. O documento reitera a solicitação já encaminhada ao Deinfra pelo Prefeito Municipal.

Entenda a situação
Na noite de sexta-feira, 21/01, a SC-416, que liga Pomerode a Jaraguá do Sul foi interditada totalmente, após a danificação da manta asfáltica em sua superfície. Devido à velocidade e a quantidade de água que estavam no local, a mesma fez com que houvesse uma infiltração por baixo, criando crateras e uma queda de barreira. O barro que caiu sobre a via atingiu dois veículos que passavam no momento e por sorte, ninguém se feriu no local.
O pedido é que os veículos circulem por acessos secundários, tais como o Morro Strassmann, que liga Pomerode à Itoupava ou via Testo Alto, usando a antiga estrada que vai à Jaraguá ou ainda por meio da cidade Massaranduba, onde o acesso já foi liberado.
A orientação da Defesa Civil é que as pessoas estejam atentas ao risco de deslizamentos. Deve-se ficar alerta para movimentos de terra e rochas, inclinação de postes e árvores, assim como rachaduras e infiltrações. “Ao observar qualquer um desses sinais, é necessário deixar o estabelecimento e entrar em contato com a Defesa Civil ou os Bombeiros. Também deve ser evitado circular em locais alagados”, declara o diretor da Defesa Civil, major Márcio. O mais importante neste momento, de acordo com o major, é preservar vidas e manter a integridade física do cidadão. 

Danos da chuva em Pomerode
As fortes chuvas que ocorreram na semana passada em Pomerode causaram a elevação do Rio do Testo e consequentemente, vários danos na cidade. Os locais mais atingidos foram a Rua São Joaquim, Lorenz Engel, e toda a parte norte da cidade (compreendendo a localidade de Testo Rega).
Casos específicos foram registrados, onde a Coordenadoria Municipal da Defesa Civil (COMDEC) sugeriu que uma família temporariamente saísse de sua residência. O objetivo é realizar um estudo mais detalhado do local, após a terraplanagem e drenagem, assegurando o retorno destas pessoas.
Perto do Clube Pomerode, devido às chuvas, a terraplanagem que tinha sido iniciada para a construção de duas residências foi interrompida, causando transtornos aos moradores da região. A Defesa Civil, junto com o Setor de Planejamento da Prefeitura e engenheiros, estiveram no local e sugeriram a construção de valas de drenagem, além da apresentação de projetos, para evitar que o barro solto seja deslocado para as devidas casas.

Pelas redes sociais
Uma boa alternativa para quem quer pegar a estrada nos próximos dias, já que muitas barreiras caíram e impediram a passagem de carros, é consultar sempre as redes sociais, como o twitter.
A Polícia Militar Rodoviária do Estado, por exemplo, atualiza instantaneamente as condições destas rodovias. São informações que podem auxiliar quem viaja, e não apenas para não acabar no caminho onde há trânsito impedido, mas também sobre barreiras e condições de asfalto. Na quarta-feira, por exemplo, o batalhão divulgou a seguinte nota: “A rodovia SC-416, no km28, município de Jaraguá do Sul continua interditada com alagamento de pista, completamente interditada. Desvio pela SC-418, Pomerode”. Quem desejar seguir e acompanhar as notícias, o link é www.twitter.com/bpmrvsc.
A defesa Civil é outro órgão que disponibiliza em seu twitter informações complementares a cerca das enxurradas. O link é o www.twitter.com/defesacivilsc.

Prejuízo no estado
Em todo o Estado, mais de 900 mil pessoas foram atingidas pelas fortes chuvas. Os primeiros dados apontam que 21.866 pessoas estão desalojadas e 1.862 desabrigadas. Pelo menos cinco pessoas morreram, sendo três em Florianópolis, uma em Jaraguá do Sul e outra em Massaranduba. Outras 162 ficaram feridas. A Defesa Civil ainda completou que no total, 21.953 residências foram danificadas e, em várias cidades, os serviços de abastecimento de água, energia elétrica e comunicações foram atingidos.
A esperança do recomeço já começa a brotar nos catarinenses, mas o prejuízo das enxurradas aparece como rombos nos cofres públicos. De acordo com os dados oficiais do governo estadual, serão gastos R$ 413,6 milhões para recuperação. O governo terá de investir R$ 80,6 milhões em obras emergenciais e outros R$ 333 milhões serão destinados aos municípios que foram atingidos. As informações são do secretário de Infraestrutura, Valdir Cobalchini.
Segundo o relatório, nas rodovias estaduais, estão incluídas obras emergenciais, em pontes e pontilhões atingidos pela enchente. Os maiores prejuízos estão na região do Vale, aonde chegam a R$ 20 milhões, e no Sul, com R$ 19,5 milhões.
Nos municípios, os maiores estragos apontados no relatório estão em Mirim Doce e Jaraguá do Sul, com R$ 15 milhões cada um, seguidos de São Francisco do Sul, Florianópolis e Ilhota, com R$ 12 milhões cada um.
O relatório foi montado a partir de informações levantadas pelos técnicos da Secretaria de Infraestrutura, Deinfra, Defesa Civil, Secretarias de Desenvolvimento Regional e prefeituras.
Raimundo Colombo, governador do Estado, em seu twitter, na quarta-feira, 26/01, divulgou que está indo a Brasília tentar apoio do governo federal para arrecadar o valor. “Recebi relatório da Secretaria de Infraestrutura indicando prejuízos de 413 milhões no Estado. Amanhã iremos a Brasília em busca de auxílio”.
Esta será a primeira visita oficial do governador, que se encontra com a presidente Dilma Rousseff e vários ministros. Junto com a comitiva de Colombo, embarcam para a capital federal os secretários de Articulação Nacional, Acélio Casagrande, de Planejamento, Felipe Mello, de Infraestrutura, Valdir Cobalchini, e o diretor da Defesa Civil Estadual, Major Márcio Luiz Alves.
Outra questão que será abordada pelos catarinenses é em relação às rodovias federais em Santa Catarina, em especial, a duplicação da BR-470. O governador também tem compromisso com o presidente da Infraero, Murilo Marques Barboza, para discutir as atuais condições dos aeroportos catarinenses, uma das suas prioridades de governo.

Helicóptero da Polícia Civil ajuda vítimas em Mirim Doce
A população de Santa Catarina, principalmente do município de Mirim Doce, está recebendo auxílio do Helicóptero da Polícia Civil desde o dia 23/01.
O Serviço Aéreo Policial Civil de Santa Catarina atendeu diretamente, com apoio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, cerca de 120 pessoas que estavam isoladas na localidade de Serra Velha, em Mirim Doce, no Alto Vale. Segundo o comandante, Djalma Alcântara da Silva, no domingo, 23/01, foram executadas 25 missões, entre transporte de Policiais Ambientais, de materiais como medicamentos e, principalmente, alimentos e água potável.
“Também fizemos a retirada de uma mãe e seu filho operado de uma localidade de risco, levando-os para a casa de parentes, num lugar sem perigo”, disse o comandante em nota oficial divulgada pela Polícia Civil. Ele ainda destaca que o maior número de atendimentos é relacionado ao isolamento, como transporte de materiais e alimentos, pois o local não oferece perigo de morte.
O comandante destaca a utilização do caminhão tanque, da Polícia Civil de Santa Catarina, que, com capacidade de 4.300 litros, possibilita que o helicóptero possa abastecer em Rio do Sul, onde está como base do caminhão. Se não houvesse esse caminhão, o helicóptero teria que viajar pelo menos até Lages para reabastecer. De Rio do Sul até a localidade de Serra Velha, são apenas 12 minutos. “Esse tempo agiliza o atendimento do grupo e otimiza a utilização do recurso público”, explica o comandante.
Em 16 de dezembro do ano passado, o Serviço foi premiado com a “Medalha do Mérito Aeronáutico de Segurança Pública”. A medalha foi uma homenagem pelos serviços prestados durante as enchentes que assolaram diversas cidades catarinenses, principalmente na região do Vale do Itajaí, no mês de novembro de 2008.

Doações já começam a chegar
A Defesa Civil do estado já começa a encaminhar auxílio para os municípios mais atingidos com as chuvas. Cestas básicas e materiais para atendimento imediato da população começaram a ser distribuídos na terça-feira, 25/01. Foram adquiridos e enviados: colchões, cestas básicas, kits de limpeza, água potável, roupas de cama, entre outros. O total de recursos já liberados é de R$ 460 mil para dez municípios.
De acordo com o relatório postado no site da Defesa Civil, deste total, para Araquari foram destinados: 20 tubos para auxiliar no problema de uma ponte, 350 cestas básicas, 350 kits de limpeza e foram pagas 180 horas/máquinas. Também foram liberados R$ 30 mil; Criciúma recebeu R$ 150 mil, mais 200 kits de limpeza, alimentos para pronto consumo como: 3.600 barras de cereal, 2.900 biscoitos doces e salgados, 1.271 sucos; 810 achocolatados, 800 latas de leite em pó, 130 lençóis, fronhas, 600 colchões de casal e 800 de solteiro; Para Cocal do Sul foram liberados R$ 25mil. Forquilhinha recebeu R$ 25 mil e mais 100 kits de limpeza e 100 cestas básicas. Jaraguá do Sul: 1.920 colchões, 1.900 cestas básicas, 1.000 kits de limpeza, 126 caixas de hipoclorito e 9.600 litros de água; Joinville: R$ 30 mil para serviço de horas/máquina; cinco rolos de lonas, 115 colchões e 100 cestas básicas; Imaruí: R$ 50 mil; Maracajá: R$ 25 mil e mais: 200 kits de limpeza, 500 cestas básicas, 04 mil barras de cereal, 04 mil biscoitos doces e salgados, 500 sucos, 150 lençóis, 150 fronhas, 01 mil latas de leite, 01 mil achocolatados, 60 colchões de solteiro e 60 de casal; Mirim Doce: 800 kits de limpeza, 900 cestas básicas, 900 colchões, 05 mil litros de água, 10 mil litros de óleo diesel, 500 kits de higiene pessoal (toalha de banho, de rosto, creme dental, escova de dente e sabonete); Morro da Fumaça: R$ 25 mil; Nova Veneza: R$ 50 mil; Santo Amaro da Imperatriz: 04 rolos de lona; São Francisco do Sul: 80 colchões, 150 kits de limpeza, 700 cestas básicas, 03 mil litros de água; Siderópolis: R$ 50 mil; 100 kits de limpeza, 400 barras de cereal, 1.104 biscoitos doces e salgados, 200 sucos, 190 achocolatados, 20 lençóis, fronhas e edredons.

Preocupação com a saúde durante enchentes

As fortes chuvas que atingem o Estado de Santa Catarina são muito preocupantes. São centenas de pessoas desabrigadas, com suas casas embaixo d’água, medo com deslizamentos e soterramentos, etc. Além disso, outro fator requer cuidados redobrados, o perigo de estar em contato com essa água.
Qualquer contato pode deixar a pessoa mais vulnerável a doenças como a leptospirose e a hepatite A. O Ministério da Saúde alerta para várias medidas que devem ser tomadas após a ocorrência de chuvas fortes seguidas de enchentes.
É fundamental ferver e filtrar a água antes de ingerir, assim como o interior da caída d’água deve tem que ser limpo e desinfetado antes de qualquer utilização da mesma. Para esta limpeza, utilizar esponjas, escovas e panos, sem produtos de limpeza. Depois de limpar a caixa, coloque água e adicione água sanitária, deixando agir por duas horas. Depois, esvazie toda a caixa e encha de água novamente.
Os alimentos são outro alerta. Caso qualquer produto entre em contato com a água das enxurradas, ele deve ser jogado no lixo imediatamente, pois é provável que a contaminação já tenha acontecido.
No caso dos utensílios domésticos como panelas, copos, pratos, etc, é preciso lavá-los normalmente, com água e sabão. Após, é importante utilizar um desinfetante, diluindo um copo (200 ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) em quatro copos de água (800 ml). Após preparar a solução, basta mergulhar os objetos na mesma, deixando-os ali por, pelo menos, uma hora.
Para pisos, paredes, móveis e outros objetos, após retirar a lama, lave o local com água e sabão e, a seguir, prepare uma solução diluindo um copo (200ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) para um balde de 20 litros de água. Umedeça um pano na solução e passe nas superfícies, deixando-as secar naturalmente.
Uma vistoria completa pela residência também deve acontecer. A água das chuvas pode trazer animais e insetos para dentro da mesma. Alguns deles podem ser inclusive, venenosos, como escorpiões, aranhas e cobras. É preciso bater os colchões, roupas e sapatos e não colocar as mãos em buracos ou frestas.
Para evitar maiores complicações, o mais recomendável é que depois do contato com a água suja ou ao sentir dores no corpo ou musculares, além de febre e diarreia, é buscar um atendimento médico, e não se automedicar. Se alguém demora a procurar um tratamento pode acarretar em hemorragias e problemas nos rins, no caso da leptospirose, e problema nos pulmões, no caso da dengue.
É importante também verificar o acúmulo de água em recipientes e ambientes, por causa da proliferação do mosquito da dengue.

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