Geral

Confiando todos os dias

Foram dias e mais dias na luta contra a doença, sem nunca perder as esperanças que ficaria bem e seguiria em frente

8 de abril de 2016

Difícil imaginar que um dia você perderia seu chão ao descobrir que está doente.E não é qualquer doença, mas sim, um câncer. Foi assim com Laurita Tiedt, que descobriu em 2010 ter Linfoma, o câncer atacou células do intestino, final do estômago e junto a isso, ainda descobriu pedras na vesícula, fígado e teve que retirar a cabeça do pâncreas. Laurita passou por duas cirurgias e uma quimioterapia, já que não quis mais fazer as demais sessões. Mas ela e sua família nunca perderam a esperança, sempre acreditaram que ficaria tudo bem.

Tudo começou com as queixas frequentes de dores na barriga. Sua filha trabalhava na mesma empresa que ela e, junto a uma amiga do trabalho, aconselharam-na a ir ao médico e descobrir o porquê estava com aquela dor que a fazia muitas vezes deixar de comer. Foi então que Laurita seguiu para o Posto de Saúde, onde o médico apenas receitou calmantes a ela, sem solicitar ao menos um exame para saber o que de fato ela tinha e levar em sua próxima consulta, já marcada para dois meses após a primeira.

Mas a dor continuava, nenhum remédio a fazia se sentir melhor, tinha vontade de comer, mas tudo o que comia, vomitava, passando de 80 quilos para 48, em apenas dois meses. Foi aí que resolveu pagar uma consulta particular, fazendo então, exames para saber o que se tratava. Durante a endoscopia, que foi no dia seguinte a consulta, Laurita já vomitou sangue, e puderam perceber os nódulos em seu intestino. Com mais alguns exames, o médico que estava cuidando do caso, Dr. Rigobert Krueger, passou todas as informações do que seria necessário fazer.

Laurita foi levada ao hospital com muitas dores, ficou internada uma semana recebendo sangue. Foram três bolsas, já que estava muito fraca e não suportaria uma cirurgia dessas. Após uma semana, realizaram a cirurgia, utilizando mais quatro bolsas de sangue. A cirurgia demorou mais que o esperando, foram oito horas, que ainda não foram suficientes para fazer tudo o que era necessário.

Um tempo depois, Laurita seguiria para as sessões de quimioterapia. Antes mesmo da primeira quimio, sua filha Bruna perguntou à mãe se ela queria cortar os cabelos. Laurita confiante disse, “não, meus cabelos não vão cair”. Após cinco dias da quimioterapia, os cabelos foram caindo, até ficar sem nenhum.

Segundo Laurita, a quimio quase a matou, foram duas ampolas que ela recebeu no dia, e dois dias após, estava passando muito mal, febre, enjoo, desmaios por várias vezes, andava um pouco e caia, caia o tempo todo. Depois disso, ela voltou ao médico e disse, “eu fiz uma sessão que você me pediu, depois dessa, nada mais”, depois daquela única sessão, Laurita nunca mais fez quimioterapia, preferia morrer da doença a ter que passar por isso outra vez, de tão mal que passou.

Laurita também passou três dias na oncologia no Hospital Santo Antônio, em Blumenau. O seu marido estava lá com ela, faltando dias no trabalho, sua filha estava grávida e ficou com a mãe, onde teve que dormir no chão. Laurita contou que o quarto em que estava no hospital de Blumenau era como um cubículo e que, eles estavam esperando a sua morte, nenhum médico veio vê-la nestes três dias, ver o seu soro, se precisava de mais, se estava com dor, apenas olhavam pelo vidro para ver se ela continuava viva. “Mordia o colchão de dor, minha barriga doía e ninguém me ajudava, só me davam morfina e aí eu disse para minha filha e meu marido, se é para morrer, quero morrer em Pomerode, mas não em Blumenau”. Foi uma luta para que eles conseguissem tirar ela de lá e trazer para Pomerode. “Eu disse para eles que essa noite não ia mais dormir lá, que se não me deixassem ir, eu ia fugir a pé.” O marido e a filha de Laurita foram conversar com o Dr. Rigobert, que concordou em a trazer para o Hospital de Pomerode, mas ele deixou claro para o marido, que milagres ele também não conseguiria fazer. O marido disse que sabia disso, mas que o desejo dela era ficar em Pomerode.

Quando chegaram em Pomerode, o Dr. Rigobert e sua secretária estavam esperando, não tinha mais ninguém. “Quando eu cheguei, minha barriga ainda doía e estava muito inchada, ele olhou e disse que eu estava com uma inflamação e que precisaria abrir antes que isso estourasse lá dentro. Eu saí de Blumenau quase morta e, depois que ele colocou o dreno na minha barriga, senti um alívio muito grande e até já tive vontade de comer. Já estava dois dias em Pomerode, um feriado se aproximava e o doutor ia viajar, me disse que se eu quisesse, poderia ficar no Hospital e outro médico ficaria responsável, mas eu não queria nenhum outro médico. Preferi ir para casa, pois já estava bem”. Laurita não quis saber de consultar com nenhum outro médico. “Depois disso eu não queria mais saber de outro médico, só iria me consultar com ele, porque ele já sabia do meu caso, ele me conhecia, e também falei pra ele que não iria mais fazer quimioterapia e, também não fiz”.

Laurita passou por muita coisa neste curto período, ela ainda continuava amarela, não ganhava peso, fez mais exames e foi constatado duas pedras no fígado que voltaram. “O doutor pediu que eu tomasse muito chá de folha de abacate, abacaxi, Coca-Cola e muita água, para ver se elas esfarelavam e saiam sozinhas, se elas não sumissem em um ano, ele teria que me operar outra vez. E, por Deus, elas não saíram e tive que ir para mais uma cirurgia. Foi quando ele viu que eu estava cheia de aderências e precisava descolar os órgãos. A segunda cirurgia, pela previsão, levaria três horas, mas com a complicação da aderência dos órgãos, levou sete. “No final da cirurgia o doutor falou com meu marido, disse que estava tudo bem, que demorou, não porque era complicada, mas sim delicada. Já que na cirurgia anterior teve que mexer e cortar vários órgãos, inclusive cortou a cabeça do pâncreas. Às vezes quando estou sozinha, eu penso em tudo isso. Só Deus sabe, ninguém mais, como eu sobrevivi”.

Laurita, durante o tratamento e logo após desistir de fazer as sessões de quimioterapia, mudou seus hábitos alimentares e, começou tratamentos alternativos. Por indicação de uma vizinha, leu um livro que falava sobre câncer e que continha receitas, tratamento diferentes para o câncer e, o que ela pode fazer ela fez. Tomou diversos tipos de chás, sucos, babosa com mel, deixou de comer muita carne vermelha, também fez tratamento com argila, que colocava sob a barriga, e passou a comer mais frutas. Em sua casa, faz questão de manter um pomar com vários tipos de frutas e também uma horta cultivada por ela. Laurita também procura ajudar outras pessoas que sofrem desta doença, visita, conversa com pacientes, conta sua história e tudo o que passou e fez para se curar.

Notícias relacionadas