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Complexo Weege

O primeiro passo para a industrialização pomerodense foi dado com a Indústria Weege. Hoje, o espaço foi vendido

28 de agosto de 2015

O ano era 1901. Nesta época, Pomerode ainda fazia parte do município, agora vizinho, Blumenau. No entanto, a primeira indústria da história da cidade começou ali e foi o guia para o crescimento do então bairro Rio do Testo. 

A empresa Weege Indústria Alimentícia foi um polo de desenvolvimento da região. O “Complexo Weege” contemplava loja comercial, fábrica de tintas, fábrica de banha, frigorífico, fábrica de latas e caixas, defumador e fábrica de laticínios. Em quase toda família pomerodense há, pelo menos, um membro que trabalhou direta ou indiretamente na empresa durante seu período áureo de funcionamento.

A rua, hoje homenageia o idealizador da fábrica, Hermann Weege e, com a abertura da Casa Comercial Weege, que vendia “secos e molhados”, a história da mais antiga indústria de Pomerode começou a ser escrita.

A história teve início quando Hermann Weege voltou de um tempo de estudos em Curitiba, decidido a montar um negócio em sua cidade. Com a modernização de alguns equipamentos e locais na residência de seu pai, o empreendimento começou na atual Pomerode Fundos.

A Casa Comercial Weege abriu de fato e passou a estar localizada em seu endereço atual depois que Hermann se casou com Pauline, nascida Karsten, e, juntos, começaram sua vida no local. Os anos seguintes serviram como experiência em administração, pois na Casa Comercial eram vendidos tecidos, arroz, feijão e outros itens de necessidade pública.

Conhecendo o negócio e querendo aperfeiçoá-lo, em 1918, Hermann Weege construiu sua empresa de Laticínios e também a 1ª Usina Hidrelétrica da região. Com o comércio de seus produtos dando certo, em 1922 foi aberto o frigorífico. Os animais eram comprados dos colonos da região.

Devido ao aumento da produção, o fornecimento de energia que era feito através da usina hidrelétrica, a necessidade de aumento de sua capacidade fez-se necessária. Pois, além de abastecer a empresa, a Casa Comercial, algumas residência e a Igreja, a usina era a única fonte disponível. Essa ampliação foi realizada em 1928.

O crescimento econômico foi visível na região e, com ele, as vendas começaram a expandir o mercado. Em 1936, o Ministério da Agricultura emitiu o alvará que possibilitava a venda dos produtos para fora do Estado. Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará e Rondônia eram alguns dos estados para qual empresa vendia. 

Desta forma, a marca Weege e a cidade começaram a ganhar destaque nacional. Em 1945, a empresa possuía um caminhão que transportava gelo para a Capital do Estado, Florianópolis. Novamente, destacando-se no Estado.

O idealizador da empresa faleceu em 1947. Com isso, seus filhos assumiram o controle da empresa. Em 1951, foi comemorado o cinquentenário da indústria, mesmo ano em que o frigorífico queimou. Apesar do impasse, a reconstrução e ampliação foi concluída em 1952. A Casa Comercial foi reconstruída em 1958 e ganhou mais um andar, sendo transformada em um supermercado também. Neste mesmo ano também houve o rompimento da caldeira.

Os anos de 1960 foram marcados por perdas na família Weege. Em 1965, faleceu o filho, Arno Weege e em 1967, faleceram a esposa, Pauline Weege e o irmão, Vitor Weege. Por outro lado, em 1961, Armin e Jürgen Weege, netos de Hermann, entraram como diretores adjuntos na empresa.

Em 1980, a nova laticínios foi inaugurada e, desde então, a empresa seguiu as suas atividades até que o momento de crise mais difícil bateu na porta. Com a falta de dinheiro sendo apontada como a grande causa, em 1999 a empresa solicitou falência. 

Independente de estar ou não em funcionamento na atualidade, a Weege Indústria Alimentícia marcou a história da indústria em Pomerode. Foi pioneira no setor e na geração de empregos, quando chegou a empregar 180 funcionários, então pomerodenses.

As marcas, o prestígio e o nome Weege seguem na memória da população e, principalmente, registrados na economia municipal. Um marco para o crescimento do município, em diversos sentidos. Recentemente o espaço foi adquirido por uma empresa que prevê a construção de aproximadamente 22 salas comerciais. Dentre elas um restaurante e café e tudo isso feito com base em um projeto inovador voltado para o turismo e o setor comercial de Pomerode.

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