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Completa, por favor!

Creio que posso dizer algumas coisas sobre outras profissões, que não a minha exercida atualmente, pois já me lancei em algumas outras áreas profissionais, antes de me oficializar como jornalista.

1 de junho de 2015

Creio que posso dizer algumas coisas sobre outras profissões, que não a minha exercida atualmente, pois já me lancei em algumas outras áreas profissionais, antes de me oficializar como jornalista. Creio que toda a experiência de vida seja válida e o que vou dizer pode até se tratar de um clichê, mas tudo que você faz de diferente nessa vida vai agregar valor em algum aspecto, e se você souber relacionar fatos, essas experiências podem ser bastante úteis em outros momentos da vida, que nem se poderia imaginar.

Dessa vez, fui frentista de um posto de gasolina aqui em Pomerode, por algumas horas na manhã de 24 de abril. Um trabalho que não me pareceu muito difícil de exercer. É claro que as condições do dia me favoreceram. Não havia muito movimento, e eu estava muito mais para aprendiz do que para uma profissional consagrada. O gerente do posto, Carlos, disse que os dias de maior movimento são as sextas-feiras e sábados, aquele dia era uma quinta. Uma quinta-feira nublada e pacífica, na qual motoristas não estavam muito dispostos a encher o tanque, trocar o óleo ou apenas dar uma passadinha lá para lavar o para-brisa.

Ouvi muito, fiz algumas perguntas. Quando o orientador é boa gente não precisam muitas perguntas para obter todas as respostas e outras mais. Aliás, essa é uma virtude que muito admiro nas pessoas, a capacidade de elaborar respostas de maneira completa e efetiva, sem monossilabismos. Li, recentemente num livro de filosofia que a comunicação é uma arte, mas deixemos isso de lado. Talvez Freud saiba explicar.

O cenário de um posto de gasolina nunca me emocionou. Nunca prestei muita atenção em seu funcionamento. Para mim, tratava-se apenas de um lugar onde se colocava gasolina ou álcool, ou servia para comprar bebidinhas e salgadinhos. O que não deixa de ser verdade, mas também têm as variações de diesel, um S-500 e outro S-10 (S é o símbolo do enxofre na tabela periódica), lavagem de carro (aqui no sul se fala lavação, mas em São Paulo é lavagem, estou mais acostumada com lavagem), troca de óleo e por ai vai. Nunca desliguei o celular, tampouco os meus amigos fumantes (uma vez que não fumo) apagaram seus cigarros para frequentar o ambiente. Mas naquela quinta-feira aprendi as funções básicas do frentista e compreendi a importância de tais cuidados. Acontece que num ambiente como um posto de gasolina, existem muitos vapores pelo ar, que podem iniciar um fogareiro e até uma explosão, por uma pequena faísca. Quem sofre é o frentista, pois o foco do incêndio começará nos seus arredores, podendo evoluir para algo muito maior. E não temos a intenção de ver ninguém voando em picadinhos pelo nosso céu patriota.

Cordial, Carlos me mostrou como se abre um capô de carro (nunca tinha aberto um só para constar). É relativamente pesado, mas nenhum fim de mundo. Também me mostrou como se mede o nível de óleo. Todos os carros tem uma vareta de metal com a marcação de dois níveis, o correto é o que fica mais acima. A diferença entre a primeira marca (no fim da vareta) e a segunda (um pouco mais acima) é de 1 litro. É preciso acrescentar óleo quando o nível marcar o primeiro nível. Também aprendi a mensurar a água do radiador, fluído de freio e de direção hidráulica. Mas não tenho como entrar em detalhes para explicar aos leitores, porque a identificação é um pouco diferente em cada carro.

O descarregamento de combustível, ou o abastecimento do posto é feito a cada dois dias por um caminhão tanque. Cada caminhão comporta 30 mil litros, separados por compartimentos de 5 mil litros. No meu dia de frentista houve um descarregamento. A área dos tanques do posto foi cercada por cones, mas não demorou muito tempo.

Fui para a bomba atender os clientes. Chegou uma mulher, pediu R$ 50 de gasolina e perguntou se aceitava um cartão, o gerente disse que sim. Ela me deu as chaves do carro e entrou para efetuar o pagamento. Teve início minha primeira operação como frentista na prática. É fundamental repetir o valor e o tipo de combustível para o cliente. Ele pode estar com um carro que não é o dele e pedir por álcool quando o carro é movido a gasolina. Isso gera um big problema para a gerência. Eu repeti. Peguei a chave, destranquei o tanque do carro e fui operar a bomba.

Fácil. É só digitar o valor, passar o cartão no leitor (cada funcionário tem o seu), levantar a trava e inserir o bico da bomba no tanque do carro. O uso de uma estopa é fundamental para não deixar cair combustível na lataria e nem na mão. A bomba trava quando chega no valor marcado, não há risco de transbordamentos. A dona do veículo voltou, agradeceu e foi embora. Enchi um pneu e lavei um para-brisa também. Como disse, não tem segredo. Tem que ter cuidado em atender bem, ser cortês. Ah! Acompanhar os clientes que entram na conveniência também é recomendável. Vai que ele foge sem pagar não é mesmo? Aqui, nessa cidade não é comum, eu nunca vi, mas quem vem de fora pode fazer e já fizeram inclusive.

Achei simples, sem segredos. O inconveniente é ter de ficar de pé por um tempo grande. Creio que num dia de maior movimento a dificuldade seja maior, em virtude do desempenho acelerado, mas naquela quinta-feira tudo fluiu direitinho e ninguém batizou a gasolina com álcool e nem fugiu sem pagar a conta.

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