Coluna de Economia
por Luiz Felipe Eischtaedt de Bem
Quem nunca passou por uma ressaca depois de beber todas no dia anterior? E o que se costuma falar? Nunca mais farei isso! Quando menos se percebe, a pessoa está repetindo a bebedeira. Esse tipo de comportamento reflete de certa maneira a relação de muitos brasileiros com suas dívidas.
Nas últimas semanas o noticiário econômico mundial tem veiculado muitas informações e levantando questões a respeito da situação econômica em nosso país, indagando a alta da inflação, o crédito cada vez mais caro, a inadimplência galopante e uma possível bolha de crédito.
A verdade é que a situação desperta distintas interpretações. O assunto foi destaque no jornal britânico “Financial Times”, que publicou mais de 12 matérias sobre isso em menos de 15 dias. Vamos observar alguns dados para elucidar melhor o tema abordado.
O volume de crédito é crescente, não explosivo. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o crédito representava 24,7% em janeiro de 2005; em abril de 2011 esse valor chegou a 46,6%. Uma alta expressiva, é verdade, mas muito distante de países como China e África do Sul, onde o crédito doméstico passa de 120% do PIB, ou de países como EUA e Inglaterra, onde os números passam de 200%.
A renda familiar e o nível de emprego estão em patamares históricos. Segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as classes mais pobres (D e E), que em 1992 representavam juntas 62,13% dos brasileiros, agora são 33,19%. Nossa classe C – renda entre R$ 1.200,00 e R$ 5.274,00 – atinge hoje 105,4 milhões de pessoas, ou 55,05% da população. O índice de desemprego atingiu patamar de 6,2% em junho, menor valor para o mês desde o início da série (março de 2002);
Nosso sistema financeiro é conservador se comparado ao de economias mais desenvolvidas.
Como estamos lidando com a questão do perigo de uma escalada na inadimplência, vale observar como se comportam os países quando o assunto é o endividamento das famílias. Segundo dados da OCDE, no Brasil esse índice é de 42% da renda líquida; na Alemanha, o valor chega a 99%; no Japão, 126%; No Canadá, 148%; e no Reino Unido, 171%.
Não acredito que o país esteja em uma bolha de crédito, mas é preciso tomar cuidado para que isso não se torne realidade e, para evitar problemas maiores, o brasileiro deveria cuidar a cada dia mais de suas finanças pessoais.