Colocando a mão na massa, literalmente
Entrar em uma padaria para fazer uma matéria pela manhã, é algo que não recomendo. O cheirinho do pão fresquinho e a infinita opção de bolos e cucas desperta a fome em qualquer mortal.
Entrar em uma padaria para fazer uma matéria pela manhã, é algo que não recomendo. O cheirinho do pão fresquinho e a infinita opção de bolos e cucas desperta a fome em qualquer mortal. Ainda mais quando se conhece a cozinha, e constata que é tudo limpinho e organizado, brilhando em cada cantinho, reflexo da organização e paixão com que os proprietários se dedicam a sua profissão, a fazer aquilo que amam e têm talento.
Sempre me aventurei na cozinha. Fui bandeirante quando pequena (versão feminina do movimento dos escoteiros). Acampávamos e eu, sem receio, pilotava as panelas. O contato com o macarrão, geralmente com salsicha, me fez pegar o gosto. Depois, com 17 anos, fui morar em outra cidade para trabalhar. E assim, não restava outra opção. Ou cozinhava algo de verdade, ou comia macarrão instantâneo diariamente.
E assim passaram-se os anos, começaram os jantares e almoços com os amigos, com o pessoal do jornal, e geralmente quem assumia a parte de alimentar o povo, era eu. E isso nunca foi algo desagradável, pelo contrário, para mim é terapia.
Quando chegou minha vez de escolher onde trabalharia por algumas horas, para fazer esta reportagem, não pensei duas vezes: quero ir para uma padaria. Contato feito, desafio aceito, rumei em uma quinta-feira para a panificadora.
Chegando lá, tudo prontinho me esperando. Minhas ferramentas já organizadas, foi só colocar a toca e as luvas, para proteger na hora do contato com os alimentos, e me lançar para fazer um bolo, na verdade uma torta (sonho de valsa), confeitada. Como assim? Esqueci-me de dizer que meus talentos artísticos são praticamente inexistentes e, vamos combinar, tem que ser um pouco artista com tantos detalhes na hora da decoração.
Para me ajudar, ou por medo do que sairia, a massa de pão de ló já tinha sido preparada pelo Marcelo Wruck, um dos proprietários. Logo de cara tive que cortá-la em três partes, a forma mais reta possível. Impossível, simples assim. Mas vai daqui, vai de lá, com muita calma e uma faca apropriada na mão, até que o corte não ficou tão desproporcional assim.
Próximo passo, o recheio. Pudim, muitos bombons picados, nata, açúcar, chantili. Só de ver tudo aquilo já dava para salivar. E pra quem acha que é fácil, desconhece que tudo tem um ponto certo. Tanto a nata quanto o chantili, se batermos de menos ou de mais, não dá a liga, comprometendo o resultado final.
Começamos a montar, camada por camada. Juro que tinha horas que me senti um pouco pedreira, trabalhando com aquela espátula. Descobri que ou sou canhota e destra, tudo junto, ou que minhas mãos não respondem ao comando do cérebro quando a missão é: girar uma bandeja (suporte do bolo), ir rebocando os cantinhos passando a cobertura e ainda, o que é o mais complicado, deixar tudo retinho.
Com a biqueira, começamos a parte final. Decorar tudo, jogar as lascas de chocolate e o granulado por cima, dando o toque final com as cerejas. Feito isso, olhando detalhadamente, posso dizer com orgulho que não fui tão mal assim, até compraria um bolo igual em uma padaria. E quem, fosse até lá para comprar aquele que fiz, não entraria numa furada. Mas não adianta pessoal, não será possível, pois saí de lá carregando ele nas mãos, presente da equipe, muito apreciado por sinal pelo pessoal do Jornal de Pomerode.
Adorei a experiência. Conheci só um pouquinho a parte dos pães, mas quem sabe, numa outra oportunidade, não aprimoro meus dotes culinários nesta área. Mas por enquanto, vou deixar esta parte para o Marcelo, que aprendeu com a vida seu ofício, errando e acertando, se aventurando na hora de criar novas receitas, trabalhando ao lado de sua família em um empreendimento que leva o capricho e a qualidade aos seus clientes em cada opção, seja doce ou salgada.
E eu? Vou seguir fazendo aquilo que amo e que entendo um pouquinho mais. Vou deixar as panelas e formas para as horas de folga, pois confesso uma coisa: para mim que sou detalhista e que levei mais de duas horas pra fazer um único bolo, botar a mão na massa novamente, só nas horas de folga e sem pressão.
Obrigada à família Wruck por me receber com tanto carinho. E outra coisa, vocês são os caras naquilo que fazem. – Por: Karol Pinto, editora-chefe