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Clínica Maria Martha: um lugar muito especial

Existe, em Pomerode, um lugar especialmente destinado a crianças e adolescentes.

1 de junho de 2000

Existe, em Pomerode, um lugar especialmente destinado a crianças e adolescentes. Não é um parque de diversões, não é uma escola, nem centro de formação. Mas bem que poderia atuar nestas áreas, pela qualidade no atendimento, como o que sugere o próprio ambiente. Este local, com amplas instalações e totalmente adequado para atender aos seus pacientes, é a Clínica Maria Martha, da médica Jane Hasse, que atende tanto a parte de clínica pediátrica como, mais especificamente, a área de Infectologia ? doenças infecto-contagiosas e distúrbios respiratórios, como asma, sinusite, bronquite e renite.


Jane é formada há 10 anos pela Universidade Federal de Santa Catarina. Sua competência é atestada pelos três anos de residência no Hospital Infantil Joana de Gusmão e pelos seis meses de pós-graduação em Infectologia Pediátrica, além de vários cursos na área de alergoimunologia.


A clínica tem sala de recreação específica, com jogos de aprendizagem, sala com vídeos informativos aos pais, dias sala destinadas ao Hospital Dia, duas salas de sutura e curativos, uma para curativos contaminados e outra para não contaminados e uma sala de nebulização. O mais importante de tudo isso é que a criança se sente totalmente à vontade no ambiente, que, nem de longe, lembra o aspecto frio de uma sala de espera de hospital.


A Clínica tem, ainda, pronto atendimento e a ninguém é negado este atendimento, explica a médica Jane Hasse, que para cada paciente há um carinho especial. Jane tem uma regra, que é seguida à risca por suas funcionárias: tratar a criança e a mãe com todo o carinho e respeito. “A mãe já chega ansiosa, se for mal recebida, ficará pior. Por isso, é preciso paciência”, explica.


Jane “sabe de cor e salteado” quem são todos os seus pacientes, o problema de cada um e até a “manha” particular dos pequenos. Jane não faz simplesmente o papel de médica. Vai além: é amiga, interessada em ajudar e fazer com que cada um dos seus pacientes tenha uma qualidade de vida muito maior.


Jane conta que vários colegas seus, de Curitiba e São Paulo, estiveram visitando e acharam a infra-estrutura do local muito boa. “Eles comentaram, inclusive, que talvez Pomerode ainda não comporte um clínica assim”. Para ela, uma criança em um hospital na consegue se recuperar tão rapidamente como se estivesse internada na Maria Martha. “Aqui, as crianças ficam internadas durante o dia, acompanhadas da mãe, recebendo alimentação, sem que isso seja cobrado à parte”, explica a pediatra.


Quanto ao atendimento no Hospital Dia existente em sua clínica, Jane enfatiza que solicitou, insistentemente, junto à Unimed e também outros convênios, que libere o atendimento no Hospital Dia, porém sem respaldo. Quando uma criança ou adolescente chega à clínica, na parte respiratória, ela passa, imediatamente, por um teste pulmonar e é acompanhada mensalmente, até ter alta. Este tratamento, conforme a pediatra, pode variar de seis meses a três anos e engloba, tanto a parte de asma intrínseca, da própria pessoa, como a extrínseca, alérgica.


O índice de crianças e adolescentes com problemas respiratórios é bem alto em Santa Catarina, explica Jane. A mortalidade é de 8,3% em pediatria, ressalta a médica. Segundo ela, este número é alto porque as pessoas se preocupam apenas durante as crises. “Isso não adianta. O tratamento deve ser feito nas inter-crises. É preciso o acompanhamento médico mensal e equipamentos especiais, para que o problema seja solucionado de vez. No começo, as pessoas até podem achar o tratamento caro, mas, no final, compensa, pois as crianças vão deixando de ter crises e não há a necessidade de se ficar comprando antibióticos e outras medicações a toda hora, para combater as crises”, enfatiza.


Jane esteve recentemente participando de um congresso na área de Pneumologia, onde foi enfatizada a importância de se tratar a inter-crise. Só que o governo não dá esta alternativa, pois nenhum posto de saúde possui o nebulímetro pressurizado (spray), além de haver muitos tabus e preconceitos no uso deste tratamento, mesmo entre os próprios pediatras”, assinala a médica.


Jane ressalta, ainda, que criou-se dogmas entre farmacêuticos e médicos, de que o spray mata ou vicia. “Isto não é verdade. Está provado que é exatamente o contrário. Para fazer algo bem feito, basta ter dedicação, ou então, não faça”. E estar atualizado nas questões médicas, para ela, é algo imprescindível. “A medicina muda constantemente. É preciso que o médico acesse a Internet, freqüente congressos, participe de seminários. Se o médico se propõe a fazer algo, deve estar sempre atualizado”.


Uma outra interrogação da médica é quanto à escolha de médicos. “Se os médicos de Pomerode e Blumenau fazem residência nos mesmos hospitais, freqüentam os mesmos congressos, não entendo porque tem gente que acha que os de Blumenau são melhores. Se os médicos daqui são bons na hora de enfrentar uma crise ou problema de emergência, porque não tratar aqui as doenças do dia-a-dia?”


Um dos casos que mais emocionou a médica foi de um paciente de Indaial, que tem a Síndrome de JOB, uma doença raríssima. “Fizemos o tratamento e conseguimos baixar a IGE, que mede a alergia, de dez mil para dois mil. Para mim, foi uma vitória”. Esta criança continua em tratamento na Clínica Maria Martha, e Jane está tentando importar, da Espanha, uma medicação nova, que vai melhorar muito a qualidade de vida do paciente.


Um outro caso é de uma criança fibrose Cística, que motivou, inclusive, a mãe da criança a fundar a Associação dos Portadores de Fibrose Cística do Vale do Itajaí. Uma outra paciente especial para a médica é uma menina que sofria de Púrpura de Henoch Schwlein, uma doença no sangue. Hoje, esta menina é uma moça que faz medicina em Curitiba.


O pequeno Eduard Luan Batista, de seis anos, sofria de crises fortes e constantes de bronquite, que atacavam, principalmente, à noite. A mãe Darci Cilene S. Batista resolveu iniciar um tratamento na Clínica Maria Martha, com o spray. Hoje, conta a mãe, a criança não tem mais nada e suas únicas consultas são de rotinas.


A menina Célia Regina Koepp, de 12 anos, tinha um grave problema de alergia, que era tratado como amigdalite, pois inchava a garganta. A mãe, Elia, levou Célia até a clínica e Jane fez o teste, descobrindo a causa. Em tratamento há um ano e meio, a mãe diz que Célia melhorou muito neste período.


Além de atender na Clínica Maria Martha, a médica atende em Rio dos Cedros e faz plantão e escala de sobreaviso no Hospital e Maternidade Rio do Testo.


Participará do dia 11 à 16 de junho do Congresso Brasileiro Nestlé de atualização em pediatria em Belo Horizonte.

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