Chile: O vizinho invejado
Não existe uma definição muito concreta do que é um mochilão. O Michaelis que o diga – nenhuma palavra encontrada
Um mochilão – Não existe uma definição muito concreta do que é um mochilão. O Michaelis que o diga – nenhuma palavra encontrada -. Mas é impossível não ter o que descrever quando se faz um; quando se viaja de ônibus barato, come coisas simples, quando pechincha preço de quarto em albergue, quando faz bolhas nos pés de tanto caminhar ou seus lábios arrebentam do frio que você nunca viu ou sentiu.
Não há uma linha que separa uma viagem normal de um mochilão. É difícil explicar quando se fala pra alguém que vai embarcar nessa aventura. A primeira coisa que imaginam é que você entrou em crise financeira, está fugindo de algo ou foi traído.
Mas é apenas uma escolha entre viajar para um lugar e apreciar o que ele tem para oferecer. Desfrutar do conforto dos melhores restaurantes, da qualidade e requinte dos hotéis cinco estrelas, dos melhores lugares em pontos turísticos, das compras em Shopping Center e de todo o status que o seu dinheiro – e você tem direito a isso, economizou para realizar seu sonho – tem.
Mas de um tempo pra cá, muitas pessoas, espalhadas pelo mundo, começaram a perceber que o planeta é rico e o convida para conhecê-lo. Há tanta cultura e tantas diferenças em um único ser, chamado Humano. Definitivamente não nos conhecemos. Essas pessoas começaram a usar o mesmo dinheiro que gastariam para conhecer uma cidade, agora, para conhecer um país. Como? Com as diferenças de atitudes que já citei. Não é questão de inteligência e programação, a maior diferença aqui é você saber e querer deixar de lado algumas regalias.
Mochilão, mochileiro, viajante, andarilho… Os nomes são parecidos, criativos. Mas a ideia cresceu e foi compartilhada. Países, principalmente da Europa, adquiriram e estimularam muito mais essa cultura de viajar, o que se fundiu com a ideia do mochilão. Sites, blogs, páginas em redes sociais. Destinos, roteiros, preços, sugestões, dicas, alertas, solidariedade. Você encontra de tudo na rede para se tornar um ou se juntar aos mochileiros.
Nossa viagem – E é nessa aventura que você vai embarcar. Que nós vamos. Mesmo em casa, o Jornal de Pomerode vai proporcionar a você a experiência de participar de um mochilão. Quem sabe você não gosta e planeja o primeiro de tantos, não é? A partir de Junho, você vai acompanhar pelo jornal impresso e o nosso site, as aventuras do repórter Bryan Kormann pelo Chile, o vizinho invejado.
No site, você terá acesso ao blog exclusivo desse mochilão, com posts diários. Fotos, textos, vídeos e áudios. Vamos contar o que o repórter vai encontrar pelo país que é um dos maiores charmes da América do Sul. As cidades visitadas, onde ficou hospedado, com quem fez amizade, a gastronomia chilena, a dificuldade da língua dos Hermanos e tudo sobre um dos países mais visitados pelo brasileiro. No jornal impresso, vamos trazer reportagens especiais semanais, textos que vão apresentar a aventura que o jornalista viverá há três mil quilômetros de casa.
Mochilão Argentina, por Bryan Kormann – Em 2012, realizei uma das minhas maiores conquistas, criei coragem de viajar e fazer meu primeiro mochilão. Comprei minha mochila cargueira (especializada para viagens longas, em que você precisa guardar muita coisa), minhas roupas para o frio. Viajei sozinho, aliás, com minha câmera de vídeo, microfone e tripé, durante vinte e três dias pela Argentina. Atravessei o país de ônibus.
Parece besteira, mas a imagem mais linda que guardei em minha memória é a do avião sobrevoando a cidade de Ushuaia, Patagônia, Terra do Fogo, onde comecei a viagem. O local, apesar de receber o rótulo de Fim do Mundo é simplesmente maravilhoso. Estiquei as mãos até a vidraça do avião, como se quisesse tocar as pontas das montanhas nevadas.
Frio, muito frio. Depois de oito horas aguardando em Buenos Aires a conexão que me levaria até o ponto inicial do meu mochilão, enfrentei a baixa temperatura. Mas estava preparado. Além disso, a curiosidade é tão grande, que você esquece os problemas. Ushuaia transmite uma aparência de vila, não de cidade. O lugar é rodeado de montanhas e vales nevados. Lagos, árvores coloridas e animais silvestres.
Cheguei em pleno horário da cesta, o comércio é fechado ao meio dia e reabre por volta das três horas da tarde, mais ou menos. As famílias vão repousar em casa. O local vive basicamente de mercado, lojas de roupas para frio, lojas para acessórios esportivos, câmbio e lugares especializados em chocolate.
Aproveitei o resto da tarde, já que escurece cedo, e fui conhecer o Martial Glaciar, uma montanha nevada que fica há sete quilômetros do centro da cidade. O trecho pode ser feito a pé ou de táxi, por trinta e cinco pesos Argentinos. Subi de táxi e caminhei o trajeto em que o carro não sobe, a vista fez meu dia ter valido a pena, apesar do tombo na neve, na frente de um casal brasileiro.
Durante os quatro dias que fiquei na cidade conheci o Parque Nacional de Ushuaia, com paisagens e trilhas lindas. Fiz o passeio de Catamarã pelo Canal de Beagle, conhecendo um pouco da fauna local e o Trem do Fim do Mundo. Depois dali só a Antártica. Para fechar a programação, conheci o Pub Irlandês Dublin, onde provei os três tipos de cerveja da Patagônia, La Rúbia, La Roca e La Negra.
Segunda parada, El Calafate. Depois de dezenove horas de viagem de ônibus e atravessar o Estreito de Magalhães de balsa, cheguei ao segundo paraíso do mochilão. No local, visitei O Glaciar Perito Moreno. A geleira é considerada uma das maiores reservas de água doce do mundo. O Glaciar está no Parque Nacional Los Glaciares e tem cinco quilômetros de largura e medindo entre sessenta e setenta metros de altura. No segundo dia na cidade, fui à El Chaltén, povoado com quinhentas pessoas, conhecido como a capital do trekking (prática de caminhada, montanhismo).
Bariloche, terceira parada e primeira cidade grande do mochilão. Passeei pela cidade a pé. Adorei, encantadora. Conhecida como Brasiloche, de tantos conterrâneos. Visitei o Cerro Campanário e o Catedral, uma das maiores estações de esqui da América do Sul. A vista lá de cima é linda. Um bate papo com os turistas, inclusive, de todo o lugar do planeta, me ajudou a melhorar um pouco o portunhol.
Villa La Angostura, um povoado de 15 mil pessoas em Neuquén, cidade à setenta quilômetros de minha última parada. As atrações são: o Parque Arrayanes, o nome vem de uma árvore local, os lagos e miradores são atrações que visitei, caminhando em meio a mata, sozinho.
Mendoza, a cidade dos vinhedos que visitei de bicicleta. Conheci o aquário municipal, as ruas arborizadas, as galerias de água que desce das geleiras, Parque Central e San Martin, e conheci um cassino. Engraçado, entrei com dez pesos Argentinos e saí com o mesmo.
Jujuy, extremo norte do país. Vinte horas de viagem até aqui. Uma cidade gigantesca, sem atrativos turísticos. O lugar serve de base para conhecer Purmamarca e Humauaca, povoados pobres que vivem da cultura e venda de artesanato. Na região também visitei Grandes Salinas, a mais de quatro mil metros de altura.
Buenos Aires, minha despedida da Argentina. Comecei bem na cidade, fugindo de um albergue cheio de manos. Depois, de baixo de chuva conheci: Puerto Madero, Plaza de Mayo , Casa Rosada, Catedral Metropolitana, Café Tortoni, Obelisco, Teatro Colón, Calle Florida e livraria El Ateneo. Um pacote básico, por minha conta, com as atrações mais procuradas da gigantesca Buenos Aires.
O país me impressionou pelas belezas naturais, pela receptividade do povo e pela prática em encontrar oportunidade de turismo. Esse primeiro mochilão despertou a vontade de conhecer novos lugares e cultura. Por que não pela América do Sul? Um lugar rico, lindo e cheio de historia. O Jornal de Pomerode leva você a acompanhar o Blog Mochilão Chile, em nosso site www.jornaldepomerode.com.br e a série de reportagens semanais em nosso jornal. Suerte.