Casa de festa
O Salão Belz já foi sede de festas de escolas, igrejas e de casamentos que duravam o dia inteiro
Embora esteja desativado pela Defesa Civil desde meados dos anos 2000, o Salão Belz ainda enfeita a paisagem calma da Rota do Enxaimel. A casa, tombada como patrimônio cultural, foi construída há mais de cem anos por Gustav Rahn e, no início, uma parte do terreno era ocupada por um pequeno comércio, enquanto outra parte servia como ponto de encontro para a realização de reuniões da comunidade. Esse espaço foi cedido para o Clube Alto Rio do Testo em 1929.
Na década de 1950, uma casa foi construída ao lado do mercado. A ideia era uma expansão do comércio, com isso a família e empregados passaram a ocupar nova residência. Em 1967, o imóvel foi transferido para o pai do atual morador, que passou a administrar o clube e o supermercado. Esta foi uma época de muito trabalho para a família.
Cerca de 70 mesas de madeira com área de um metro quadrado enchiam o salão. Nas paredes as propagandas de refrigerantes e cervejas faziam parte da decoração, junto com engradados de bebidas, que hoje, anos mais tarde, se quedam jacentes, como uma lembrança nostálgica. As antigas toalhas brancas e azuis permanecem nas mesinhas restantes, onde outrora muitos copos foram depositados durante as confraternizações ou encontros casuais, animadas por bandas que tocavam no tablado superior.
O Salão Belz abrigou festas de casamentos que de tão bem festejadas, começavam pela manhã e duravam um dia inteirinho. Também sediava festas de escola e igreja, mas o Salão lotava mesmo nas festas de reis e rainhas, quando toda a comunidade aproveitava para prestigiar a realeza, manifestar o espírito festivo e de amizade e tomar cerveja. Já houve ocasiões em que cada metro cúbico do Belz foi ocupado com cerca de 600 pessoas, que davam seu jeito para ir até as festas, dançar ao som das bandas que ali se apresentavam. Não importava se a pé ou de bicicleta, o pessoal chegava sem cerimônia e ia se assentando.
Com tanta festividade, o Salão Belz certamente já viu muitos casais se unindo e construindo suas histórias em Pomerode, mas agora o espaço está fechado. O atual morador, Guido Belz, não descarta a possibilidade de sair do imóvel e deixar ao critério dos filhos a decisão de dar ou não continuidade ao espaço. Algo que quem sabe, também possibilite as novas gerações a conhecerem um lugar onde muita gente já foi feliz.