Capivaras colocam a saúde pública em risco
Animal é hospedeiro do carrapato estrela, que é o transmissor da febre maculosa. Famílias pomerodenses relatam que
sofrem com os transtornos gerados pelo grande número de animais registrado nos últimos meses
Há alguns anos, na rua mais movimentada do município, a Luiz Abry, um grupo de capivaras foi avistado durante o dia, andando tranquilamente em um terreno, tomando sol. Porém, engana-se quem pensa que após tantos anos essas aparições não são mais comuns em nosso município.
Através da vereadora Letícia Tribess Volkmann, várias denúncias de munícipes que estão perdendo plantações e tendo a saúde afetada por esses animais que carregam carrapatos que são transmissores de doenças como a febre maculosa, o assunto foi abordado em pronunciamento na Câmara.
Em agosto de 2015 a Vereadora Karin Hoeft usou a tribuna da Câmara Municipal para alertar o Executivo ao aumento expressivo de capivaras em nossa cidade. De lá para cá, nada foi feito e os números só aumentaram. Só neste ano dois vereadores cobraram novamente uma ação para amenizar os prejuízos causados à agricultura e à saúde pública.
Na sessão do dia 12 de fevereiro de 2016 a vereadora Letícia apresentou um Requerimento cobrando ações do Executivo a respeito desses animais. “A infestação está causando danos para a lavoura e também para a saúde destes munícipes, o que me fez apresentar um Requerimento na data de hoje para verificar as medidas que estão sendo adotadas pela Administração, visto que quem está sendo atacado pelos piolhos ou carrapatos está fazendo uso de medicação para não ter ainda mais consequências”, falou.
Na mesma data, o Presidente da Câmara Claus Krahn disse esperar o relatório preliminar sobre a situação das capivaras. “Precisamos de uma ação. Não podemos empurrar a culpa para o Estado. Temos que dar prioridade. A saúde pública vem em primeiro lugar”.
Visitamos agricultores na localidade de Testo Alto que estão sofrendo com a invasão de capivaras em suas propriedades e que, além de ter a lavoura prejudicada, estão com a saúde em risco por ter contato com piolhos e carrapatos trazidos pelos animais. Um deles está sob uso de medicação por ter tido contato com o carrapato e várias manchas apareceram em sua pele, além de muita irritação. Outro, teve que rodear toda a plantação de milho com cerca elétrica, mas nem isso foi o suficiente para barrar a invasão dos animais na propriedade. Cerca de 30% da lavoura já foi devorada pelas capivaras.
Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura e fomos informados que o Requerimento enviado pela vereadora Letícia já está com a pasta responsável, que estuda uma medida para esse problema.
Tudo sobre o animal
- É o maior roedor do mundo, pesando até 91kg e medindo até 1,2m de comprimento e 60cm na altura
- A capivara costuma viver em regiões às margens de rios e lagos
- Utilizam a água como refúgio, pois conseguem ficar submersas por alguns minutos
- A espécie animal possui uma grande agilidade para nadar
- Uma fêmea costuma gerar, em cada gestação, de 2 a 8 filhotes
- Alimenta-se de capim, ervas e outros tipos de vegetação encontrados nas beiras de rios e lagos
- Possui dentes incisivos que podem chegar a 7cm
Febre maculosa
- A febre maculosa é uma infecção aguda causada por uma bactéria, a Rickettsia ricketsii. O homem é infectado através da picada do carrapato que eventualmente carrega esta bactéria nas suas glândulas salivares.
- A pessoa infectada pode desenvolver sintomas de 2 a 14 dias após a picada, em média, uma semana. Esses sintomas podem praticamente não existir ou serem muito fracos, o que dificulta o diagnóstico
- Nas pessoas que desenvolvem o quadro mais característicos, a febre pode ser moderada a alta, chegando até 39 a 40 graus. A febre pode durar de 2 a 3 semanas e geralmente a pessoa tem que restringir as suas atividades, necessitando repouso no leito. É comum ter dor de cabeça intensa, dor no corpo, calafrios , edema dos olhos e conjuntivas
- A doença pode evoluir para cura espontânea em 3 semanas. Porém, nas formas mais graves, as lesões de pele são mais hemorrágicas, podendo até ocorrer áreas de necrose nos dedos, nas orelhas, no palato mole e nos genitais. A doença pode levar à morte.