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Bola no pé e foco no objetivo

Fatores essenciais para fazer da equipe Balcam/FME Balneário Camboriú de futsal feminino campeã da 3ª Taça Brasil de Clubes Sub 17 e tornar-se a melhor do país na categoria.

14 de setembro de 2010

 Desde 2005, subir no pódio da Taça Brasil era um sonho a ser perseguido pelas meninas do futsal de Balneário Camboriú. Hoje, já é uma realidade que traz orgulho para quem fez parte dessa busca. Após uma disputa acirrada contra a representação do Barateiro (Brusque), a equipe provou determinação e trouxe o título inédito não só para o município, mas para Santa Catarina. O Estado até então não havia conquistado o primeiro lugar nessa categoria.
Mas o resultado é apenas consequência de algo imprescindível para quem quer se tornar um campeão: foco. Seguir um treinamento direcionado, elaborado em conjunto pelo técnico Silvio Faccin da Rosa e professor Leandro, foi fator decisivo para o bom aproveitamento da equipe. As atletas já vieram em ritmo de vitória desde o ano passado, quando faturaram o campeonato estadual de forma invicta.
Dificuldades naturalmente surgiram, porém foram superadas. ?Tínhamos problemas com a nossa marcação. Mas a garra dessas meninas fez com que o grupo evoluísse a cada partida?, explica o técnico.
Em equipe de vencedores não há preferências. O objetivo é fazer com que todas tenham oportunidades. ?Estamos com 20 atletas, sendo 12 titulares. Mas nenhuma jogadora ficou desmotivada durante a competição, porque criávamos alternativas para que todas chegassem ao mesmo nível de treinamento?, ressalta.

 

Vitória de uma família unida

O título demorou a vir, mas também quando veio, foi para não mais esquecer. Além da Taça Brasil, a equipe de Balneário Camboriú ganhou o troféu Fair Play, como equipe mais disciplinada, e o troféu Bola de Ouro para a artilheira Gabriela, que marcou 11 gols em seis partidas. Atualmente, a jogadora está disputando a Liga Nacional, juntamente com a jogadora Renata.
?A disciplina usada no treino é a disciplina usada na vida. Você tem que ter regras, segui-las, e é isso que faz a diferença em qualquer esporte que você pratica. O futsal não é para a vida inteira, mas cada uma leva a aprendizagem que adquiriu com tudo isso?, diz o treinador.
Tudo foi resultado de treinamento e motivação. ?Mais do que treinar a parte tática, é necessário dar suporte psicológico às atletas, seja através de vídeos motivacionais e conversas, até porque esta união faz da equipe uma grande família?, ressalta.
Se há quem pense que treinar uma equipe feminina é mais complicada, Silvio – que também já treinou futsal masculino – garante que não há diferenças. ?Elas são dedicadas, e como adquirimos uma cumplicidade, conhecemos a atleta só pelo olhar. Então sabemos controlar o grau de ansiedade e estresse?, comenta, com bom humor.
Os papeis a serem adquiridos são inúmeros. Vão desde o técnico que cobra até o pai que escuta. ?Tem atletas que vem de fora, moram sozinhas, então você tem que ser um pouco amigo, pai e não só treinador?, comenta o técnico.

 

Mulherada comanda

Não precisa ir muito longe para ver que mais do que marcar presença em campo, elas amam a bola no pé. No intervalo dos treinos, conversamos com as jogadoras Daniela Nazário, 17 anos, e Elaine Cristina da Rosa, 17 anos, autora do gol que deu o título à equipe na final da Taça Brasil. Falar de futebol não é difícil para elas. Ainda mais quando há amor pelo esporte. ?Eu já gostava, praticava na escola, jogando com os meninos, e depois meu técnico me levou pra jogar Moleque Bom de Bola. Quando eu vim para Balneário, dei continuidade aos treinos?, afirma Elaine.
Para Daniela, o incentivo já começou de casa. ?Meu pai é técnico e já me incentivou bastante desde pequena a jogar?.
Futsal é indiscutivelmente uma paixão. ?A nossa dedicação é máxima, lutando em prol de um campeonato. Além disso, conquistamos muitas amizades. Somos praticamente uma família, gostamos das mesmas coisas?, comenta Elaine.
Kaká e Roberto Carlos são considerados os ídolos de Dani e Elaine. E cada um por uma característica particular. ?Admiro o modo como o Kaká joga e também a pessoa que ele é?, diz Dani.
Elaine procura se espelhar em Roberto Carlos por uma característica em comum: ser canhoto. ?Ele é um grande jogador, na minha opinião e sempre me baseio nele?.
Planos para o futuro? Muitos. ?Quero ser jogadora profissional, mas no futebol de campo, porque tem mais facilidade para despontar. O futsal ainda não tem muito apoio. Também pretendo fazer faculdade de Educação Física?, conta Elaine.
Dani vê no futsal uma oportunidade para conseguir uma bolsa de estudos. ?Assim posso cursar a faculdade de Engenharia Civil?, completa.
O gás total continua nos Jogos Abertos que ocorrerá em Brusque, no mês de setembro. E com certeza, o grupo continuará fazendo história dentro do futsal catarinense.

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