Boa Leitura
A menina que roubava livros
A menina que roubava livros
Marcus Zusak
?Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler?.
Liesel Meminger é a menina que a narradora (a morte) encontrou três vezes. A garotinha conseguiu tapeá-la nas três. Impressionada, a ceifadora de almas decide nos contar sua trajetória, pois, como ela mesma diz, em seu ramo de trabalho, o único dom que lhe salva é a distração. Ela mantém sua sanidade.
A história se passa na Alemanha nazista. Uma menina com um irmão morto. Um livro preto com letras prateadas. Neve. Dois pais de criação. A mulher com punhos de ferro. O enrolador de cigarros. Um judeu escondido no porão.
Assim é a história da pequena ladra de livros. Foi nos livros que Liesel viu a oportunidade de fugir daquilo tudo que a perseguia. Ela se esquecia do irmão morto com um olho aberto, no chão do vagão do trem. Ensinaram-na a ler e a partir daí, sua história se passou. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto – e raro – de crítica e público.