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Batom, rímel e um distintivo

Olhos azuis, cabelos louros, salto alto, maquiagem e vaidade. O que muita gente não sabe, é que por trás dessas e outras características, se esconde uma policial.

1 de junho de 2015

Olhos azuis, cabelos louros, salto alto, maquiagem e vaidade. O conjunto perfeito que descreve uma bela mulher. O que muita gente não sabe, é que por trás dessas e outras características, se esconde uma policial.
Fabiane Fester Volkmann, escrivã da Polícia Civil de Pomerode, atua nesta área desde 2010, quando entrou na Academia de Polícia Civil (Acadepol), em Florianópolis.
Para quem pensa que escrivã não é policial, se engana. Fabiane conta que para atuar na função, teve que passar por todos os treinamentos que tanto os agentes como os delegados recebem.
Ela conta que foram cinco etapas, entre testes teóricos, psicológicos, práticos, físicos e sociais, até poder assumir sua função de escrivã de polícia.
Logo ao sair da Acadepol, Fabiane conta que houve um fato engraçado. Durante os seis meses de treinamento, todos usávamos uniforme. Mas no último dia, podíamos ir com qualquer roupa. Ao ir embora, estava com minha bolsa, minha mala, andando na rua e me deparei com uma briga; duas pessoas estavam batendo em um homem. Como eu estava apta e a minha função como policial também é manter a ordem pública, procurei minha arma e gritei: – Parado, larga a arma. Mas não havia arma, era uma briga apenas; mas o condicionamento da profissão levou a isso. E até hoje é, para mim, um marco divertido da minha carreira, relembra.
Ela assume que hoje, foi todo este treinamento diário durante seis meses que a preparou em todos os sentidos para atuar como policial.
De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Justiça, apenas 25% do efetivo do Policial Civil do Brasil, é composto por mulheres; e Fabiane faz parte deste índice que a própria considera baixo. Em Pomerode, ela divide o cenário policial civil com outros oito policiais, todos eles homens.
A profissão de policial passa, inerentemente, um estereótipo de pessoa grosseira, insensível e desumana. Porém, Fabiane desmistifica o fato e diz que é preciso ter um preparo psicológico muito bom. Não podemos nos sensibilizar com os casos que chegam até nós. Mulher tem fama de se sensibilizar com tudo, mas nesta profissão isso não pode acontecer. É preciso se desligar quando o trabalho termina, explica.
Fabiane conta que em muitos casos, os criminosos acabam a respeitando mais do que aos próprios policiais homens. Acho que é por causa da minha cara de brava, brinca ela.
A escrivã também revela que, apesar de problemas como em qualquer entidade ou empresa, ela sente-se orgulhosa em fazer parte da Polícia Civil. Buscamos, independente de homens ou mulheres, cumprir nossos deveres e garantir os direitos da população, relata.
Um fato curioso, é que tanto ela, como o marido, são policiais. Apesar de muitas pessoas acharem que isso atrapalha o relacionamento, ela diz que não. Muito pelo contrário, isso é muito bom. Compartilhamos problemas e achamos soluções juntos. Um ajuda o outro e isso contribui bastante.
Apesar da masculinização da carreira policial, Fabiane reforça: Vai ser muito difícil alguém me ver sem salto e desarrumada. Não é por que eu sou policial que preciso andar desleixada. E na maioria das operações, inclusive, também vou de salto alto. Gosto de me arrumar e me sinto bem assim, conta.
Fabiane conta ainda que, apesar de ser apaixonada pelo que faz, a profissão mostra certas coisas que geram para ela, como receio e preocupação. Preocupação certamente natural e instintiva. Vejo de tudo aqui na delegacia, de todos os crimes possíveis; mas o que mais me angustia, é que na maioria dos registros, há algum envolvimento com drogas. No futuro quero ser mãe, e vejo que esse mal está cada vez mais disseminado em Pomerode, o que me preocupa em relação aos meus filhos, finaliza.

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