Aumento na conta de luz assusta moradores e comerciantes
Quem já recebeu a conta de luz referente ao mês de janeiro percebeu: o preço da energia elétrica é de deixar qualquer
um assustado
No fim de mês ela sempre está lá. Aquele papel amarelinho que fica um pouco fora da caixa de correio. De longe até parece inofensiva, mas quando se chega perto…Quem recebeu a conta de luz referente ao mês de janeiro ficou realmente de cabelo em pé com o valor cobrado pela energia elétrica. E é melhor preparar o bolso, afinal, este é só o primeiro dos três reajustes que serão repassados pela Celesc e Aneel ainda este ano. Para os catarinenses, a alta deve chegar a 62,37%.
O principal fator de aumento na conta de luz será o fim do aporte do Tesouro Nacional à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo embutido na conta de luz e que até o ano passado era pago em grande parte pelo governo, evitando que fosse repassado aos consumidores. Agora, essa cobrança volta para tarifa.
É da CDE que sai o dinheiro para pagamento das indenizações às companhias geradoras e transmissoras de energia que aceitaram renovar as concessões em 2012, em uma tentativa do Planalto de reduzir a conta em 20%.
Cada companhia de energia tem um reajuste específico porque o cálculo do aumento leva em consideração, entre outras coisas, a situação financeira de cada uma delas e os prazos dos contratos estabelecidos com o governo.
Também vai pesar no bolso o reajuste extraordinário que será aplicado a partir de março. O objetivo é que as distribuidoras de energia, com o caixa pressionado, antecipem receita que só viriam com o reajuste tarifário tradicional do ano. No Sul, Sudeste e Centro Oeste, o aumento médio deve ser de 26%. No Norte e Nordeste a alta deve ser de 20%, porque as duas regiões não compram energia de Itaipu e, portanto, se livram da variação do dólar, moeda em que é negociada a energia da usina binacional.
Para o pomerodense Valdir Jung, o aumento da conta de luz foi exorbitante e ele também ficou assustado com o valor da sua fatura. “Tive o dobro do aumento e não gastamos muito a mais que no mês passado. Usamos o normal, como geralmente gastamos. Foi um aumento muito salgado”, explica. Ele não acha correto que as contas devam aumentar tanto assim, pois o consumidor não está preparado para este baque. “É um absurdo, é um aumento alto demais. Eu tive o dobro do valor, e vai aumentar mais ainda. Desse jeito fica complicado pagar as contas”, explica.
Kátia S. J. Volkmann, do Café Expresso Mil’s, conta que também ficou surpresa com o aumento da sua conta de luz. “Realmente, a conta referente a janeiro teve um aumento de 100% comparado aos outros meses. Foi mais do que estávamos esperando. Isso nos assustou um pouco, já que estávamos acostumados a pagar uma média de valor e agora este aumento súbito”, relata. Ela explica ainda que no verão, os gastos são mais altos para o comércio. “Temos que manter o ar condicionado ligado o tempo todo, porque senão é impossível aguentar esse calor. E claro, essas coisas vão contribuindo para que a conta fique mais alta”.
Para Kátia, os aumentos na conta de energia elétrica são um exagero. “São muitos aumentos consecutivos, o que dificulta as coisas. Ao total, serão mais ou mesmo 62% a mais que nós, catarinenses, vamos pagar. Isso é muito! Se agora já é bastante, imagina quando vierem os outros dois aumentos”.
Governo desiste de ampliar horário de verão – O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou na quarta-feira, dia 11 de fevereiro, após reunião com a presidente Dilma Rousseff, que o governo federal vai adotar um programa para reduzir em 30% o consumo de água e energia. O governo desistiu da ideia de prorrogar o horário de verão, que termina no dia 22 deste mês.
A portaria com a previsão de reduzir o consumo, segundo Braga, será assinada ainda nesta semana pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. O governo vai lançar ainda um guia de eficiência energética para servir de exemplo para todos os consumidores do país.
O governo desistiu de prorrogar o horário de verão tendo em vista o seu pequeno impacto na redução do consumo e até por promover um aumento da demanda no período da manhã, uma vez que, a partir do fim do verão, começa a amanhecer mais tarde.