Aulas comprometidas
Movimento que reivindica piso nacional do magistério ganha força em Pomerode e cerca 50% da categoria está parada.
Os professores da rede estadual de ensino que atuam em Pomerode aderiram na quarta-feira, 18/05 à greve da categoria e aproximadamente 50% dos profissionais das escolas estaduais estão paralisados.
Dos quatro educandários: Escola Erwin Curt Teichmann, Prudente de Morais, José Bonifácio e Testo Alto, apenas a última estava com funcionamento normal, até o fechamento desta edição na quarta-feira.
Eles estão solidários, aos demais servidores da categoria que reivindicam que o Estado cumpra a determinação do Ministério da Educação (MEC), quanto ao piso nacional do magistério, estipulado hoje em R$ 1.187,97, para exigência de nível médio, com carga horária de 40 horas semanais.
Durante a paralisação os professores de Pomerode participaram de reuniões local e regional, para determinar quais serão os procedimentos da greve, seguindo as orientações do Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Santa Catarina (Sinte).
Segundo a professora de matemática, Edilza Trierveiler, que aderiu a greve, essa é a primeira vez nos últimos 10 anos, que há uma paralisação na escola. Ela afirma que não gosta desta situação, mas diz que os professores de Pomerode não podem ficar à sombra dos demais colegas de profissão e deixar de dar apoio a causa. “Estamos brigando por algo que é nosso por direito. Sou apaixonada pelo que faço e sei que melhorando nossas condições quem sai ganhando são os alunos”, declarou Edilza.
Hoje um professor, que está começando tem o salário base, de pouco mais de R$ 600 e isso é considerado um absurdo pelos profissionais, já que em outros estados da União com arrecadação inferior a Santa Catarina, o piso nacional já vem sendo praticado. “Como pode alguns estados pagarem, e Santa Catarina, que é o quinto maior arrecadador de tributos do país, dizer que não tem dinheiro. Para onde vão esses recursos, se falta educação, saúde e segurança pública no estado?”, questiona o professor de inglês e português, Alexandre Souza.
A reclamação do educador é justa, pois até mesmo os municípios costumam pagar melhor que o estado. Um exemplo é Pomerode, onde o piso municipal da categoria está adequado ao Piso Nacional.
Entre as reivindicações dos professores, já respaldada pela Justiça, está o pagamento retroativo, pois a determinação do MEC é de 2008.
O objetivo dos grevistas é permanecer com o movimento até que o Governo do Estado apresente uma proposta condizente com a do Sindicato.
Na segunda-feira , (23/05), o Sinte e o governador Raimundo Colombo estarão reunidos em Florianópolis para tentar dar fim ao impasse. Mas o estado espera que o Supremo Tribunal Federal (STF), faça um acórdão garantindo que o Governo Federal arque com a diferença dos valores, quando o Estado não tiver condições de elevar a remuneração dos professores ao piso nacional. Neste caso, os recursos seriam oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Desvalorização
A indignação dos professores para, Cláudio Maas, que ministra aulas de Biologia na escola Prudente de Moraes é fruto da ingerência dos últimos anos, onde o governo anterior protelou a solução do problema, deixando-a para o atual governador. Além disso, eles usam dados de outros estados para mostrar como há um desrespeito com a categoria em Santa Catarina. Segundo eles, no Paraná, a base salarial equivalente é de R$ 1.087,79.
Outra comparação que é levantada pelos professores é que eles, hoje são mais mal remunerados que estagiários. “Tenho alunos que fazem estágio em algumas empresas aqui em Pomerode, que ganham mais do que nós professores”, reclamou Alexandre Souza.
Situação dos alunos
Segundo a professora Edilza Trierveiler, 50% dos alunos foram solidários e entenderam a reivindicação dos educadores, só apenas ficaram preocupados quanto à reposição das aulas. “Não queremos que nenhum aluno seja prejudicado e após o fim da greve iremos estudar a melhor maneira de repor”, explicou a professora.
Muito além do piso
O problema na educação do Estado é antigo, como apontam os professores. Fora esse problema com a adequação às exigências salariais do MEC, eles dizem que faltam professores e o sistema de aprovação por índice e não por mérito, em longo prazo terá impactos mais perversos na sociedade.
Faltam professores, principalmente das disciplinas da área das ciências exatas, como física e matemática. Quando há esse problema as escolas deixam os alunos no pátio, até que dê o horário da aula seguinte, colocando-os em uma situação improdutiva.
A categoria concorda que todos esses problemas irão provocar uma geração menos preparada e passível de erros primários. Causando efeitos inclusive na economia do Estado, pois empresas de grande porte e multinacionais tem preferência para se estabelecer em locais com mão de obra qualificada.