Atitude em forma de música
Todas as pessoas têm um ídolo, alguém em quem se espelham, alguém que tem o estereótipo de uma pessoa perfeita, muitas vezes, inatingível pelos meros mortais. Essa admiração pode acontecer em diversos campos, como na música, TV, esporte, pois astros surgem na mídia, a todo o momento.
Todas as pessoas têm um ídolo, alguém em quem se espelham, alguém que tem o estereótipo de uma pessoa perfeita, muitas vezes, inatingível pelos meros mortais. Essa admiração pode acontecer em diversos campos, como na música, TV, esporte, pois astros surgem na mídia, a todo o momento. Para demonstrar estes sentimentos, o Jornal de Pomerode criou a Série Meu Ídolo É, que vai mostrar como as pessoas expressam sua admiração por seus ídolos, sejam eles da nova ou da velha geração. Abrindo as reportagens, falaremos sobre João W., de 20 anos, acadêmico de Administração e gerente de uma loja de games em Blumenau. Há três anos, o jovem é fã da banda crossover Ratos de Porão e, principalmente, do seu vocalista, João Gordo. Ouvir ‘Ratos me faz ser mais autêntico no meu dia-a-dia, e acho que é isso que falta pra muita gente por aí, declara João, que se declara fã de carteirinha da banda.
No entanto, a sua identificação com a banda paulista veio apenas em 2010, por influência de seu patrão, que lhe emprestou alguns CD´s. A partir daí, tornou-se grande fã, principalmente do vocalista João Gordo, pelo fato dele tratar com diferença os fãs da banda e os fãs dele como apresentador de TV. Muitos dizem que ele é arrogante e trata mal seus fãs, mas é justamente o contrário. Eu tive a oportunidade de conversar com ele em duas ocasiões, e em nenhum momento ele me tratou com descaso ou algum tipo de rancor. Foi, sim, atencioso, respondendo algumas perguntas. E depois de assistir o documentário da banda, vi que ele é totalmente o contrário do que os outros dizem. Isso fez com que eu me tornasse um fã, principalmente dele, conta.
As ideias que os músicos passam em suas letras, as atitudes, o jeito de ver o Brasil, são uma forma de abrir os olhos de muitas pessoas para mostrar a realidade do país de maneira bastante explícita. Por isso, João tem grande identificação com este tipo de crítica social que os Ratos do Porão fazem. Isso fez com que eu me identificasse com a banda, nessa ideia de falar o que quiser, doa a quem doer. Eu falo o que eu penso, os incomodados que se retirem. Muitos pensam que eu tento ser o João Gordo, de certa forma ele e o ‘Ratos me influenciam, mas não a esse ponto. Cada um é cada um e não vou mudar meu jeito de ser e de falar.
O acadêmico já assistiu ao vivo a duas apresentações da banda e declara que a primeira vez que os viu foi algo inexplicável. A experiência aconteceu no dia 26 de maio de 2012, no Espaço Oca, em Jaraguá do Sul. Esse foi meu primeiro show e com certeza foi o melhor, pois o lugar é pequeno e consegui chegar à frente do palco, eu estava praticamente prensado entre a galera toda e o palco. Já o segundo foi em Itajaí, nos Itajaí Rock Festival, que aconteceu no dia 05 de outubro de 2013. Segundo João, nesta apresentação não conseguiu ficar na frente do palco, mas o que aconteceu nos bastidores ficará para sempre em sua memória. Um amigo meu conseguiu um crachá/credencial da Banda Vlad V, que havia se apresentado antes. Com isso, pude ficar andando pelo lado do palco, com acesso ao camarim da banda. Então, vi a oportunidade de conseguir chegar até os ‘caras, relata. Ele e seus amigos passaram pela segurança e se encaminharam ao camarim, até que o vocalista viu o desespero dos garotos, deixando-os entrar. Tiramos fotos e eles autografarem nossos CDs e pôsteres. Das mãos do próprio Gordo, ganhei minha credencial dos Ratos de Porão, então pude transitar por trás do palco durante a apresentação deles. Ter a oportunidade de entrar no camarim de uma banda que curtimos é uma sensação inexplicável, por que todos eles tratam os fãs muito bem. Estar ali na frente dos ‘caras deixa a gente meio travado, em estado de choque, quase não acreditando. Por isso, digo que é inexplicável, relata João.
Por ser muito fã, o jovem pretende fazer uma tatuagem do logo da banda na panturrilha da perna, como homenagem. Segundo ele, isso não chega a ser considerada uma loucura, pois há várias pessoas que possuem tatuagens deste tipo. Se trata apenas de homenagear uma banda que melhorou sua vida, de certa forma. Além do mais, acho que quem faz loucuras por bandas ou artistas, é doente e precisa de tratamento psiquiátrico, declara João, que possui alguns CDS, os dois DVDs (autografados), um pôster e vários adesivos da banda colados em seu laptop.
Ele também conta que mantém contato com alguns integrantes do grupo por meio das redes sociais, como o baixista Juninho, o guitarrista Jão e o baterista Boka. João acredita que uma banda como o ‘Ratos merece um reconhecimento maior do que tem, pois atravessou gerações mostrando algum contexto social, coisa que o grupo nunca deixou de ter e expressar em suas músicas. Por isso, quando eu tiver filhos, vou mostrar o Ratos de Porão pra eles. Não vou obrigar a gostar, mas vou fazer a minha parte pra tentar manter viva a banda, finaliza.