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Atendimento do SAMU é debatido na Câmara

O encontro ocorreu na tarde de segunda-feira (17/07), com a presença na totalidade dos Vereadores do município. A pauta principal da reunião foi à definição das áreas de atuação do SAMU.

20 de julho de 2006


Após inúmeras reclamações referentes ao atendimento prestado pelo SAMU, o Legislativo pomerodense organizou uma reunião com representantes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Bombeiros Voluntários e Secretaria Municipal de Saúde. O encontro ocorreu na tarde de segunda-feira (17/07), com a presença na totalidade dos Vereadores do município. A pauta principal da reunião foi à definição das áreas de atuação do SAMU.


Através do número 192, o SAMU mantém o serviço de escuta médica permanente para as urgências, através da Central de Regulação Médica, em todo o Estado de Santa Catarina. A ligação estará interconectada às demais centrais de chamada (polícia, bombeiros, etc.). É missão do SAMU garantir a avaliação e acompanhamento médico aos chamados/pedidos telefônicos de urgência; preparar e acompanhar a admissão hospitalar de urgência de acordo com as necessidades do paciente; atender, através das unidades móveis acionadas pela central de regulação, as pessoas vítimas de trauma ou acometidas por eventos clínicos de urgência de acordo com a avaliação do médico regulador; através dos seus meios ou com a ajuda de parceiros, assumir a coordenação e o acompanhamento médico das vítimas/pacientes atendidos por ambulâncias ou equipes de cuidados urgentes; realizar a coordenação, a regulação e a supervisão médica, direta ou à distância, de todos os atendimentos pré-hospitalares; regular e organizar as transferências inter-hospitalares de pacientes graves no âmbito macrorregional e estadual, ativando equipes apropriadas para as transferências de pacientes.


Teoricamente o atendimento prestado pelo SAMU é um verdadeiro exemplo de prestação de serviço relacionado a atendimentos emergenciais. Na prática, a realidade é bem diferente, mostrando que o sistema é falho, o que acaba resultando no não atendimento, como o caso do acidente que ocorreu em Testo Central na SC 418, na sexta-feira (07/07), por volta das 18h30min. Uma moto e um gol prata se chocaram próximo à agropecuária Link. No acidente se feriram os ocupantes da moto, sendo que o carona era filho do condutor da moto. No ocorrido, o pai teve fratura na perna e o filho teve escoriações. Os Bombeiros de Pomerode foram acionados para atender a ocorrência, chegando ao local prestaram os primeiros socorros e encaminharam o pai ao Hospital e Maternidade Rio do Testo. O SAMU entrou em contato com os bombeiros de Pomerode, e como havia dois feridos no acidente, se comprometeu a atender a segunda vítima. Testemunhas que se encontravam no local informaram que a segunda vítima levou cerca de 1h20min para ser atendida, sendo que quem prestou atendimento foram os bombeiros voluntários da empresa Karsten. De acordo com os bombeiros de Pomerode, esse tempo todo seria o suficiente para se atender duas vezes a ocorrência.



Unidades Interligadas


O contraste da teoria e da prática pode ser constatado também analisando que além das unidades móveis próprias do SAMU, a parceria com a Polícia Rodoviária Federal além dos Corpos de Bombeiros Voluntários e Militares e Polícias Militares e Rodoviária Estadual deveria garantir, através da distribuição regional das unidades móveis uma agilização no atendimento tanto de casos traumáticos como das urgências clínicas, o que não está acontecendo, principalmente em Pomerode, que depende do deslocamento da unidade de Timbó, para o atendimento das ocorrências, sendo que esta atende ainda, outros municípios da região.



Central de Regulação Médica


Outra reclamação da população diz respeito ao atendimento prestado pela Central de Regulação Médica de Urgência, quando um médico, auxiliado por um ou vários técnicos, recebe as ligações de pedidos de urgência, tria e classifica em função da urgência do caso e responde de acordo com a necessidade do mesmo. As respostas podem ser dadas de diversas maneiras: orientação por telefone (quando não se justifica o envio de uma unidade ou quando é apenas uma solicitação de informações), envio de médicos generalistas (ou médicos de família) (quando não é necessário o envio de unidade móvel, mas é necessária uma avaliação médica), envio de unidade móvel de suporte básico de vida (bombeiros e polícia nos casos traumáticos ou saúde nos casos clínicos) (quando se faz necessário à realização de avaliação primária e atendimento de suporte básico à vida) e, por último, o envio de uma UTI móvel, composta por três componentes: o médico, o enfermeiro e o motorista-socorrista. Por mais rápido que este atendimento seja prestado, acrescentado o tempo de deslocamento da unidade quando necessário, a demora acaba sendo inevitável e colocando em risco a vida dos usuários do serviço. O nervosismo decorrente da situação e a falta de esclarecimento de alguns usuários no momento de efetuar a descrição do quadro clínico da vítima, acaba por complicar ainda mais a presteza do atendimento.


Quando uma situação de urgência necessita a participação conjunta de meios médicos e de meios de resgate, o SAMU une seus meios aos meios próprios dos serviços de salvamento e resgate do corpo de bombeiros, polícia militar, polícia rodoviária, defesa civil e/ou das forças armadas. Realiza a coordenação, a regulação e a supervisão médica direta e à distância de todos os atendimentos pré-hospitalares que se fizerem necessários. Participa dos Planos de Organização de Socorros em caso de desastres ou eventos com múltiplas vítimas tipo acidente aéreo, ferroviário, inundações, terremotos, explosões, intoxicações coletivas, acidentes químicos ou de radiações ionizantes etc.


O SAMU atua nos casos clínicos através da central de regulação médica de urgências, servindo de escuta permanente para todos os casos clínicos de urgência, através do número telefônico 192. O Médico regulador, além de poder orientar o cidadão que necessita de atendimento, pode ativar equipes do programa de saúde da família para o atendimento domiciliar e, dependendo da gravidade avaliada, enviar equipes móveis de suporte básico de vida ou de Unidades de Tratamento Intensivo Móveis (UTI Móveis).


A atuação nos casos de urgência clínica, no âmbito pré-hospitalar visa: a redução do número de mortes em função do retardo diagnóstico e terapêutico; a redução do número de pacientes com seqüelas decorrentes de atendimento tardio, atendimento parcial e/ou inadequado; a agilização da disponibilidade de recursos colocados à disposição do paciente; A racionalização dos recursos para atendimento ao paciente, evitando desperdício decorrente do uso inadequado de meios, duplicação de atendimentos, retardo do tratamento com conseqüente aparecimento de seqüelas que aumentam o custo social; orientação para utilização de outros meios que não apenas as emergências hospitalares; otimização do uso de ambulâncias hospitalares e ambulatoriais (básicas) e disponibilização de equipes treinadas e UTIs móveis para o correto transporte de pacientes graves entre os hospitais.


Transferências Inter-hospitalares


Novamente estabelecemos um paradoxo entre a teoria e a prática. É obrigação do SAMU intermediar, através da central de regulação médica das urgências, as transferências inter-hospitalares de pacientes graves, analisando as necessidades do paciente, conferindo sua recepção e promovendo a ativação das equipes apropriadas e a transferência do paciente em condições de suporte avançado de vida, evitando, assim, uma interrupção de seu suporte hemodinâmico e ventilatório, assim como medicamentoso, que pode levar a sérias conseqüências, inclusive ao óbito durante uma transferência inadequada.


Na prática, uma senhora que foi encaminhada ao Hospital e Maternidade Rio do Testo, e segundo familiares foi muito bem atendida pela instituição, deveria devido à gravidade do quadro clínico ser removida através da UTI móvel do SAMU, ao hospital de Blumenau. Foi feito o contato com o SAMU, que estava no momento atendendo uma ocorrência em Timbó, para que a remoção fosse efetuada. Após esperar por mais de quatro horas, a família que não tinha grandes condições financeiras, teve que pagar a quantia de R$ 450,00 para UNIMED, para encaminhar a familiar até Blumenau. Chegando ao hospital, a senhora em questão acabou por falecer.



Insatisfação


A revolta em Pomerode com relação ao atendimento prestado pelo SAMU é bastante expressiva e também é considerável o número de reclamações que chegam até a redação do Jornal de Pomerode e a câmara de Vereadores de Pomerode. Após uma hora de conversa e explicações superficiais, foi exposto aos representantes do SAMU, no encontro em questão, exemplos práticos do precário atendimento prestado aos pomerodenses, sendo que estes desconheciam as informações que foram a eles repassadas. De forma resumida, a única questão que ficou clara e que já era de conhecimento é que os atendimentos referentes a problemas clínicos devem ser prestado pelo SAMU e somente os casos que envolvem traumas, podem ser atendidos pelos competentes Bombeiros Voluntários do nosso município.

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