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Assaltos criam polêmica sobre segurança armada em shoppings

Este ano, no Brasil, há registros de roubos em pelo menos 33 joalherias que ficam dentro desses estabelecimentos.

16 de agosto de 2010

Assalto em Santos, litoral paulista. Os bandidos atiram dentro do shopping. Assalto em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Funcionários e clientes são mantidos reféns. E essas são imagens do caso mais violento este ano no estado.

Véspera do dia dos pais. Ao mesmo tempo, bandidos atacam duas joalheiras de um shopping na Zona Norte da capital paulista. Dois seguranças são baleados. Um deles, atingido na cabeça, ficou cinco dias no hospital e morreu quinta feira passada.

Segundo a polícia, os assaltantes fugiram com jóias avaliadas em R$ 250 mil. A maioria, alianças.

Este ano, no Brasil, há registros de roubos em pelo menos 33 joalherias que ficam dentro de shoppings.

Ontem, os bandidos agiram em Porto Alegre e em Canoas, no Rio Grande do Sul. Levaram mais de R$ 100 mil em jóias e relógios. No estado de São Paulo, foram 16 assaltos, 12 só na capital.

Diante dessa onda de crimes, ficam as dúvidas: como é feita a segurança nesses locais? E os vigilantes? Estão preparados para enfrentar situações extremas?

O Fantástico conversou com um segurança, que tem nove anos de profissão e que já trabalhou em dois shoppings de São Paulo.

Ele diz que, nesses lugares, os vigilantes sempre andam desarmados e recebem uma orientação expressa, em caso de assalto.

“É passado para não reagir. A orientação é inibir. você passar tranquilidade para as pessoas que estão no shopping”, ele diz.
“Agora, você é a favor de o segurança trabalhar armado dentro do shopping?”, pergunta o repórter.

“É complicado. Em uma ação dessas, as pessoas se apavoram, então se você está armado, você vai reagir, você pode acertar outras pessoas inocentes, criança, adulto. É complicado”, afirma o segurança.

Segundo o Sindicato das Empresas de Vigilância de São Paulo, os seguranças deveriam andar armados sim, mas só nas áreas externas.

“Em estacionamentos. Nos controles de acesso para um efetivo monitoramento de quem entra e quem sai, fazendo um trabalho preventivo”,explica o diretor do sindicato das empresas de segurança privada de São Paulo”, diz o diretor do sindicato, Waldemar Pellegrino.

No Brasil, há 396 shoppings que recebem, em média, por dia, cerca de 11 milhões de pessoas. São Paulo tem o maior número de shoppings: 130.

O fato de os vigilantes não trabalharem armados não significa que esses locais não são seguros, segundo o presidente da associação dos donos de shoppings, Luiz Fernando Veiga.

“Segurança armada não faz parte do negócio de shopping. O primeiro objetivo da segurança num shopping center é a proteção da vida humana”, explica ele.

E o que pensam os clientes?

“Eu sou favor de que ele esteja armado porque se ele estiver sem arma nenhuma, o bandido não vai ficar com medo dele”, diz a atendente Kátia Lopes.

“Caso eles usem, eles podem colocar a galera em risco sim. O bandido vai embora bem e alguém pode levar uma bala perdida”, afirma a universitária Tamires Cordeiro.

“Os shoppings estão investindo em treinamento de pessoal com maior intensidade. Estão cada vez mais atentos, investindo em tecnologia, investindo em inteligência de segurança”, revela o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers, Luiz Fernando Veiga.

No shopping Cidade Jardim, um dos mais luxuosos da capital paulista, que já sofreu dois assaltos este ano, houve reforço na segurança.

A direção instalou um detector de metais na entrada de pedestres.

Até agora, a policia de São Paulo prendeu 17 pessoas acusadas de assaltar shoppings. Mas as joias não foram recuperadas e nenhum receptador preso.

Para especialistas em segurança pública e para donos de joalherias , o que realmente ajudaria a diminuir esse tipo de crime é a prisão das quadrilhas que compram e repassam as joias roubadas.

Em nota, o Deic, departamento que combate o crime organizado, informou que os grupos presos responsáveis pelos assaltos desconhecem o destino final das mercadorias, o que dificulta o trabalho da polícia de localizar os compradores das jóias roubadas.

Um levantamento da Bolsa de Valores de São Paulo mostra que este ano o ouro teve uma grande valorização.

Segundo o Instituto Brasileiro de Metais Preciosos, essa alta provocou um aumento no preço das joias e pode ter despertado maior interesse dos bandidos.

“Combater a receptação é a ação emergencial nesse momento. É a ação mais importante e mais eficaz no combate ao roubo de joia”, informa o diretor do instituto, Écio Morais.

“Os freqüentadores de shoppings podem ficar tranqüilos’’, afirma presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers, Luiz Fernando Veiga.

‘’Os shoppings, efetivamente, vão ter que reavaliar a parte técnica de toda segurança, a parte de equipamentos. Isso vai ser uma realidade a partir de agora’’, conclui o diretor do sindicato das empresas de segurança privada de São Paulo, Walldemar Pellegrino Júnior.

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