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Emocionados, chorando, D. Almira e o Embaixador Paulo Nogueira Batista nos abraçaram ,dizendo que o helicóptero que traria Ulysses, Dona Mora, Severo Gomes e D. Henriqueta, saíra de Angra, na tarde de domingo e não havia chegado a São Paulo.
Duas décadas sem Ulysses
Emocionados, chorando, D. Almira e o Embaixador Paulo Nogueira Batista nos abraçaram ,dizendo que o helicóptero que traria Ulysses, Dona Mora, Severo Gomes e D. Henriqueta, saíra de Angra, na tarde de domingo e não havia chegado a São Paulo.
Na quinta feira anterior, dia 8 de outubro de 1992, eu estava em meu gabinete, quando, por volta das 18 horas, ele me chamou. Levei-lhe uma coleção de gravações da Orquestra de Glenn Miller, feitas durante a Segunda Guerra Mundial para animar as tropas aliadas na frente de batalha. Um bombardeio alemão sepultou-as, durante cinquenta anos. Achadas intactas durante uma escavação, aquelas músicas foram reunidas num álbum, com o nome de “Lost Records” (discos perdidos).
– Homem feliz, esse Glenn Miller.Teve uma vida de sucesso. Desapareceu no mar. O mar é silêncio e paz! Quando eu morrer, se me botarem num caixão, pode dizer que ali vai um homem contrariado!
Ulysses era devoto de Nossa Senhora Aparecida. Morreu no dia da Padroeira do Brasil!
D. Mora teve a mesma premonição. Uma semana antes, atendeu a um desejo irresistível de conhecer a Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Como não conseguiu a companhia da filha ou da irmã, foi com a Marta, sua fiel cozinheira de tantos anos. Ficou lá, rezando um longo tempo. Comprou uma imagem da nossa virgem negra. Morreu no dia da nossa santa.
Ulysses nos deixou como um velho chefe. Queria que fosse assim, “sem choro nem vela”, como na canção de Noel Rosa, de cujas composições gostava tanto. E, principalmente, sem discursos hipócritas…
por Luiz Henrique da Silveira (Senador)