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ARTIGO

Quem anda conforme seus medos e usa seus pré-conceitos como tangenciador de caminhada, se enclausura, se esconde, se fecha em si mesmo.

1 de junho de 2015

Quem anda conforme seus medos e usa seus pré-conceitos como tangenciador de caminhada, se enclausura, se esconde, se fecha em si mesmo.

É como se vivessem em um porão escuro, sem janelas, sem jamais ver a luz do sol. Como se pertencessem a caverna de Platão.

Apesar da crescente valorização de palavras como liberdade, democracia e consciência, basta um simples olhar mais apurado para discernir o quanto somos aprisionados como cães de laboratório, respondendo a estímulos de consumo disseminados com enorme sutileza(às vezes nem tanto).

Você que acorda cedo e sai para o trabalho. Se inquieta com seu salário e os rumos da economia. Paga seu plano de saúde, o seguro do carro e o de vida. Lê seus jornais pela manhã e no fim do dia assiste aos telejornais antes de descansar. Você que está atento e informado sobre os rumos da tecnologia e não perde uma oportunidade de comprar a mais recente novidade.

Talvez você se considere um ser espiritual, evoluído, iluminado ou simplesmente em dia com suas obrigações religiosas, afinal acredita em Deus e respeita o próximo. Está em dia com seus impostos, certo? Não compra produtos piratas, não sonega, não suja as ruas e segue todas as campanhas politicamente corretas.

Você que se diverte e investe em seu lazer, viaja sempre que dá, assiste aos seus programa de televisão e tem suas próprias opiniões em relação à política, futebol e comportamento da sociedade.

Você que vive sua vidinha normal, sem excessos, seguindo o fluxo do que a média aceita, tolera e considera saudável.

E se você estiver preso em uma caverna sem saber ?

E se houver luz do lado de fora ?

E se o caminho da média – estrada para a mediocridade – for o único caminho que você trilha ?

E se um dia você entender que sua vidinha é uma jaula de conforto e, de repente, se sentir a um passo da liberdade ?

Já pensou se – ainda que você não queira – uma curva inesperada em seu caminho colocar sua vida de pernas para o ar e, em questão de segundos, tudo o que parecia estável e encaixado perder completamente o sentido ?

E se não for mais possível fingir que não vê ? Que não sente ? Que não quer ?

Que tipo de sentimento terá quando, não mais o piso fechado, gelado, estável e seguro da jaula estiver diante dos seus pés, mas a grama, a terra e o sol ?

Como será que você reagirá ?

Ou será que você realmente acredita que esse teu comodismo existencial, que lhe dá sensação de conformo e segurança, justifica sua existência? Ou será que você realmente acredita que estará para sempre no controle e o que hoje lhe parece tão seguro, permanecerá assim eternamente ?

Acredita mesmo que sua saúde, seu dinheiro, seus argumentos, sua aparência, sua articulação, sua influência, sua sanidade nunca terminarão? Tem absoluta certeza de que aquilo que você tanto almeja e chama de poder, conquista, metas ou vitórias, lhe conduzirá para fora da jaula?

Como será o dia em que a jaula se abrir e você olhar para a luz do sol?

Quando perceberá que tudo o que precisamos é nos expor a luz e ver o quanto ela brilha aqui dentro?

Até que ponto lhe parece plausível que nada lá fora fará sentido, até que simplesmente seja iluminado pelo Sol? Exposto, encarado, enfrentado?

Até que ponto está disposto a enxergar-se, questionar-se, libertar-se? Olhe para si mesmo, encare-se e descubra que a vida não está lá fora, o mundo é só reflexo, mas dentro de você. Consegue perceber? Pense nisso. – Flávio Siqueira

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