Artigo
Corrida para o fim do mundo…
Como não há povos nativos da Antártica, sua história é a história da sua exploração.
Entre 1772 e 1775, o lendário Capitão James Cook cruzou o Círculo Polar Antártico três vezes, desfazendo o mito da existência de terra naquela região. Depois disso, várias expedições aproximaram-se da região. Em 1838, vale o registro, um explorador francês, Jules Dumont d’Urville, descobriu o arquipélago de Joinville no oceano Antártico. Mas o suposto continente ainda permanecia inalcançado e inexplorado.
Em 2009, o Museu de História Natural de Nova York realizou uma exposição – “Race to the End of Earth” – sobre a épica corrida ao Polo Sul. Depois de assistir a um belíssimo vídeo em alta definição, os visitantes da mostra, graças à minuciosa recriação dos ambientes originais, podiam sentir-se quase como partícipes daquela epopeia heroica e dolorosa que rendeu glórias a Roald Amundsen e causou a morte a Robert Falcon Scott.
Esses dois notáveis exploradores protagonizaram um cinematográfico duelo no gelo. O norueguês Amundsen e o britânico Scott iniciaram, em 1911, uma dramática corrida para ver quem chegava primeiro ao Polo Sul.
Costa da Antártica, outubro de 1911. Separados por mais de 600 quilômetros, dois grupos preparam-se para a conquista do Polo Sul: na baía das Baleias, a equipe norueguesa, liderada pelo explorador e marinheiro Roald Amundsen; perto do cabo Evans, na ilha de Ross, a Expedição Terra Nova, comandada pelo capitão Robert Falcon Scott, da Royal Navy.
O desafio era o mesmo: percorrer 3000 km (ida e volta) sobre um deserto de gelo. No entanto, Amundsen pretendia apenas alcançar a meta de ser o primeiro a conquistar o Polo Sul, razão pela qual sua equipe era formada pelos melhores esquiadores e condutores de trenós do seu país. Em contrapartida, Scott dirigia um grande programa de investigação, que incluía cientistas e pessoal da Marinha, com pouca experiência em viajar sobre a neve e o gelo.
Em termos de mobilidade, o norueguês utilizaria, de acordo com a tradição dos inuit e dos lapões, trenós puxados por cães. Scott levava cavalos da Manchúria e trenós motorizados, que ficaram inutilizados antes da partida. Em relação à vestimenta, os nórdicos iam mais bem equipados, com peles como as dos inuit, enquanto as camisolas de lã e agasalhos ingleses não conferiam o mesmo isolamento e proteção.
A 19 de outubro, os noruegueses partem: cinco homens em quatro trenós puxados por 52 cães nativos da Groenlândia. Uma semana depois, Scott iniciava a marcha com dez cavalos e 16 homens.
A lentidão dos cavalos dá vantagem aos noruegueses. A 15 de novembro, Amundsen chega à zona continental. Naquela altura, os nórdicos já tinham uma vantagem de 500 km sobre os britânicos. A 4 de dezembro, Amundsen tivera de procurar uma passagem entre o labirinto de picos e glaciares, enquanto Scott conhecia, graças às informações de Shackleton, a rota entre a barreira de Ross e a meseta. Com isso, a distância entre as expedições tinha diminuído para 200 km.
Graças ao melhor planejamento e à logística mais adequada, Amundsen e seus quatro companheiros vencem o duelo e, no dia 14 de dezembro de 1911, conseguem o seu objetivo. O ponto mais ao sul do planeta foi alcançado em uma tarde ensolarada com temperatura ambiente de -23 °C e ventos leves vindos do sudoeste. A bandeira de seda vermelha e azul da Noruega foi fincada na planície branca.
Mais de um mês depois, Scott encontra a bandeira norueguesa aonde imaginava que seria marcado o seu nome e cravada a bandeira inglesa. No caminho de volta, exaustos, com fome e frio, sem a motivação da conquista, morrem todos a 13 quilômetros de um depósito de provisões.
Esta homenagem a Amundsen deve-se ao 87º aniversário da partida do explorador norueguês para o Polo Norte, que transcorre nesta segunda-feira, 21 de m
Por: Luiz Henrique da Silveira (Senador da República)