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Um Italiano brasileríssimo.
Quando convocado pelo papa Júlio II, seu mecenas, o gênio Michelangelo, do alto de seu justificado, mas exagerado, orgulho, respondeu: “Papas há muitos, Michelangelo, só um. Ele que venha até aqui”. Em 1976, por ocasião dos seus 80 anos, o pintor Alfredo Volpi protagonizou situação semelhante. A diferença fica por conta da motivação: pura humildade. Convidado pelo então governador de São Paulo, Paulo Egydio Martins, para almoçar no Palácio dos Bandeirantes, ele reagiu surpreso: “Mas o que é que eu vou fazer em um palácio? Por que o governador não vem até aqui?”. E assim foi. Junto com três secretários, o governador saboreou uma bela macarronada e, ao final, concedeu-lhe uma comenda.
Ele não chegou a concluir o curso primário, mas uma professora, ao vê-lo rabiscando desenhos em seus cadernos, disse que ele ia ser artista. Com 9 anos já rondava ateliês de entalhadores. Aos 12, empregou-se numa tipografia, e com o primeiro salário comprou sua primeira aquarela.
Em sua primeira exposição individual, em 1944, numa sala alugada com auxílio de amigos, ele conseguiu elogios rasgados do célebre crítico Sérgio Milliet. Nesse mesmo ano, o já consagrado pintor Guignard convidou-o para expor numa coletiva em Belo Horizonte.
. Mas, como a unanimidade é burra, havia também quem ousasse discordar do coro quase uníssono. Portinari falava muito mal dele e Di Cavalcanti dizia ser “um carcamano que só pinta bandeirinhas, bandeirinhas, bandeirinhas”.
Poucos anos depois, em 1954, Volpi chega à geometrização, à pintura abstrata.
Mas sua personalidade foi maior. Volpi nunca deu bola para a fama. Assim como não se lembrava do nome do governador de seu estado, também pouco se importava com prestígio.
Ele misturava bom gosto e simplicidade. Depois de cada refeição, nunca podiam faltar o vinho Valpolicella e o queijo Pecorino. Depois um café e um cigarrinho de palha.
Apesar de nunca ter se naturalizado (continuou cidadão italiano até morrer), ele foi um dos mais completos exemplos de uma arte brasileira de alto nível.
Por: Senador
Luiz Henrique da Silveira