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Bicho Papão

1 de junho de 2015

Bicho Papão
Quando pequena, minha mãe contava-me sobre diversos personagens da cultura popular que castigavam crianças desobedientes. Era velho do saco, mula sem cabeça, bicho papão, entre outros. Mais tarde, esses personagens foram transferidos para seres da vida real.
– Fique quieto, se não o padre vai brigar com você.
– Se você não se comportar, a polícia vai te prender.
– Olha, tá vendo aquele senhor ali? Ele pega as crianças que não obedecem e as joga no rio.
Talvez uma tentativa de transferência de responsabilidade, na esperança que o menor respeite, ao menos, seres imaginários ou pessoas estranhas, ou que representem certa autoridade na sociedade. A meu ver, a autoridade dos pais sempre teve mais sucesso nessas situações. Não é essa transferência de responsabilidade que tira do pequeno a noção de “quem é que manda” nele.
O que sentimos hoje é que a sociedade tem um novo vilão comedor de criancinhas e adultos. Hoje, toda maldade do mundo e toda a culpa da falta de educação cai sobre a mídia. Se os jovens não vão bem aos estudos, é culpa da mídia. Se não tem emprego, é culpa da mídia. Se há pânico geral a respeito de doenças infecciosas, é culpa da mídia. Se…, é culpa da mídia! Mídia, mídia e mídia.
Afinal, o que é mídia? Segundo o dicionário Aurélio, mídia é a definição genérica dos meios, veículos e canais de comunicação, por exemplo, jornal, revista, rádio, televisão, outdoor, etc. Setor de agência de propaganda responsável pela veiculação de anúncios na mídia.
Acredito que para este caso, a definição que cabe é a primeira. De forma geral, na área de comunicação, mídia é onde se veicula informações. Para isso, há as formas convencionais (cartazes, jornais, outdoor, revista) e as chamadas novas mídias, que se trata de utilizar meios incomuns como instrumentos de levar informações (marca-páginas, um adesivo no chão, etc).
O que me assusta é essa responsabilidade jogada em cima da mídia, como se fosse o bicho papão da atualidade. Como se fosse um monstro destruidor de pessoas boazinhas, transformando-as em seres maus.
É verdade que muitos assuntos veiculados devem ser vistos com cuidado; uma vez que não há total restrição de conteúdo que é publicado. O que deve deixar a mídia tão em evidência é a facilidade com que se tem acesso a ela hoje. Podendo estar em todos os lugares, é praticamente impossível passar algumas horas sem ter acesso a qualquer tipo de mídia.
A publicidade usa dos mais diversos recursos para efetuar aquilo para que foi criada: a venda; e para isso vale apelar. As notícias também cumprem o papel delas, que é informar, na maioria das vezes, a realidade dos fatos, tentando sempre alcançar o maior número de pessoas.
Não creio que o problema está na mídia, mas sim na maneira como é vista. Além do que, este jornal é mídia; se não o fosse, não teríamos o que ler sobre Pomerode semanalmente, se também não houvesse sites e outros meios de comunicação. A necessidade de comunicação é natural dos animais e os seres humanos transformaram os códigos e signos em informação que é veiculada em uma mídia.
Não cabe a nós incumbir a mídia de educar as crianças do país, e sim, é função de toda sociedade educar e estar educada para entender e decifrar o que esses códigos nos transmitem e assim, filtrar o que é bom e que é ruim.

Por: Mariana Rudek
Jornalista – Jornal de Pomerode

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