Artigo
Justiça, igualdade, tolerância… São palavras que cada dia mais se escutam nas escolas. A Educação nos Valores já está presente no curriculum escolar, mas isso não é suficiente. Ficar no nível teórico não serve de nada. E, na prática, esquecemos frequentemente que palavras tão grandiosas como Empatia ou Respeito se traduzem em premissas tão singelas como não atirar papéis para o chão.
Justiça, igualdade, tolerância… São palavras que cada dia mais se escutam nas escolas. A Educação nos Valores já está presente no curriculum escolar, mas isso não é suficiente. Ficar no nível teórico não serve de nada. E, na prática, esquecemos frequentemente que palavras tão grandiosas como Empatia ou Respeito se traduzem em premissas tão singelas como não atirar papéis para o chão, ceder o assento a quem mais o necessite ou abrir a porta a quem vai carregado.
Que a Educação nos Valores tenha chegado às escolas é um passo que realmente devemos celebrar: Saber ser pessoa é mais importante do que saber resolver integrais ou saber em que ano começou a Revolução Francesa. Entretanto, enquanto que a instrução e formação intelectual é um objetivo a conseguir primordialmente através da escola, a educação e desenvolvimento pessoal é através da família.
Nunca devemos esquecer que o lar é o autêntico formador de pessoas. As crianças aprendem continuamente através dos seus pais, não só o que estes lhes contam, mas também, sobretudo, pelo que veem neles, como atuam, como respondem perante os problemas. Em definitivo, as crianças observam e copiam o proceder dos seus pais perante a vida. A autêntica educação nos valores transmite-se, passa dos pais para os seus filhos desde o dia do nascimento até ao final da vida. Não obstante, tem uma importância relevante durante os primeiros anos. Até aos seis ou sete anos de idade as crianças possuem uma moral denominada heterônima, ou seja, a sua motivação para fazer as coisas, de uma maneira ou de outra, é corresponder ao que ‘papá e a ‘mamã desejariam: o que dizem os pais são verdades absolutas. Conforme crescem, vão compreendendo melhor por que é importante atuar de certa forma e não de outras, mas seguem, sempre, guiando-se pelo que veem em casa, especialmente até aos doze anos. Daí a tremenda importância de educar as crianças através do exemplo, para desenvolver uma educação cívica.
Todos temos na mente uma ideia de como gostaríamos que fosse a sociedade, em que mundo queremos que vivam os nossos filhos: um sítio limpo, em que as pessoas se ajudem e respeitem, onde todos tenhamos os mesmos direitos… Depois saímos à rua pensando no trabalho, nas compras, na ortodoncia do menino e esquecemo-nos de todos esses bons propósitos. De repente, queremos ser os primeiros a sair do metro, incomoda-nos o carro que torna lenta a circulação, esquecemo-nos de dar os bons dias ao porteiro… e assim, dia após dia, diante o olhar sempre atento das crianças, que, já se sabe, absorvem tudo como esponjas.
Já comentamos que, até os doze anos aproximadamente, o lar é a principal fonte de valores, direitos e deveres da criança. Agora também terá que se dizer que há coisas que dificilmente se aprendem mais tarde. Se de pequenos não nos acostumamos a guardar o pacote no bolso quando não há um cesto de papéis à mão, a não pôr a música muito alta para não incomodar o vizinho, a dizer obrigado quando nos fazem um favor ou a não insultar os que são diferentes, será mais complicado aprendê-lo mais tarde. Porque o civismo, o respeito, a honestidade e todos os valores humanos são em grande medida hábitos, rotinas que aprendemos em família, de forma inconsciente, e que mais adiante chegamos a valorizar com a reflexão que permite a maturidade.
Por isso, a melhor forma de transmitir valores, de aprender a viver em sociedade, é não aplicar jamais a tão popular frase de faz o que eu digo e não o que eu faço. Se quisermos que nossos filhos alcancem essa sociedade tão sonhada devemos começar por criá-la nós mesmos e fazer o que dizemos. – Esther García Schmah