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Pablo Neruda, do alto de sua condição de maior poeta sul-americano, disse, numa entrevista ao Jornal do Brasil, quando de uma de suas passagens pelo Rio de Janeiro, que a mais bela frase poética do nosso Continente foi escrita por Orestes Barbosa, na insuperável canção Chão de Estrelas.

1 de junho de 2015

Pablo Neruda, do alto de sua condição de maior poeta sul-americano, disse, numa entrevista ao Jornal do Brasil, quando de uma de suas passagens pelo Rio de Janeiro, que a mais bela frase poética do nosso Continente foi escrita por Orestes Barbosa, na insuperável canção “Chão de Estrelas”:
“Barraco era sem trinco,
Salpicava de estrelas o nosso chão.
Sem saber que a beleza desta vida…”
O mesmo Orestes Barbosa produziu outras pérolas para o cancioneiro nacional. Em “A Deusa da minha rua”, chorou o amor impossível de um jovem pobre pela moça rica:
“Tem os olhos onde a lua
Nos seus olhos, eu suponho,
Foi claridade buscar.
Toda gente homenageia,
E até o mar faz maré cheia…”
Ao fazer uma feliz reconstrução sutil da “Amélia”, de Mário Lago, Chico Buarque exalta a fidelidade feminina:
“Fiz seu doce predileto,
Qual o quê?
Você sai, nem acredito…”
Cartola, embora com pouca escolaridade, é autor da inesquecível “As rosas não falam”, de que, se vivo fosse, Neruda, também, diria maravilhas:
“Mas que bobagem:
Simplesmente, as rosas exalam…”
Autor mais notável do samba carioca, Noel Rosa, revela sua paixão não correspondida pela operária da “Fábrica de Tecido”:
“De uma chaminé de barro,
Tão aflito…”
No mesmo nível de construção poética, Johny Alf, escreveu a incomparável “Eu e a Brisa”:
“Se o amor chegasse, eu não resistiria
Fica, oh brisa fica, pois, talvez, quem sabe,
E traga alguém que queira te escutar,
“…E um raio de sol
Como um brilhante que partindo a luz…”
Em parceria com Vinícius de Morais, Tom Jobim eleva a mulher às culminâncias:
“Se todos fossem iguais a você,
Uma canção pelo ar
Uma cidade a cantar…”
Muitos outros poetas, como Joubert de Carvalho que compôs “Maringá”; Dorival Caimy, que celebrizou “Dora”e “”Marina”, Herivelto Martins, com “Normalista”, ou Silvio Cesar, com seu “Moço,Velho”, exaltam a mulher e a paixão que ela desperta, e que faz toda a riqueza do nosso cancioneiro popular.

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