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O entorno do Lago Constanza é um dos cenários mais belos do mundo! Pontilhado de pequenas vilas e cidades, ali não há como não se emocionar com tanta beleza! Ninguém será capaz de esquecer Lindau, com suas casas típicas, janelas e quintais floridos.

1 de junho de 2015

A trajetória do Zeppelin
O entorno do Lago Constanza é um dos cenários mais belos do mundo! Pontilhado de pequenas vilas e cidades, ali não há como não se emocionar com tanta beleza! Ninguém será capaz de esquecer Lindau, com suas casas típicas, janelas e quintais floridos. Impossível não recordar, para sempre, da Ilha de Mainau, um lugar único no mundo! Revestida de jardins, com espécies florais de todo lugar, Mainau encanta pelo colorido de suas flores e pela harmonia de seus canteiros, que a recobrem inteiramente.
Não muito longe de Lindau, está Friedrichshaffen (Porto de Frederico), cidade onde foram construídos os famosos balões dirigíveis, dos quais, nas nossas casas mais tradicionais, encontramos fotos sobrevoando os telhados de Joinville, Blumenau, Brusque e outras cidades fundadas por imigrantes de origem germânica.
Quando visitei o Museu Zeppelin, em Friedrichshaffen, tive a oportunidade de sentir o quanto a Alemanha estava avançada na década de 1930. O conforto de que dispunham os passageiros era semelhante ao de um transatlântico de luxo. Os espaços eram amplos e sofisticados. Com capacidade para longas travessias oceânicas, os Zeppelins eram verdadeiros hotéis flutuantes, permitindo uma viagem tranquila e panorâmica, em cabines com leitos confortáveis.
O restaurante dispunha do que havia de melhor no cardápio alemão e internacional. As salas de estar e entretenimento compensavam a pouca velocidade da aeronave, que fez o trajeto da Alemanha até Nova Iorque em 111 horas, o que equivale a quase 5 dias! Como a viagem era tranquila, sem solavancos, as pessoas se sentiam como se estivessem em casa. Ademais, o Zeppelin era tão avançado para a época, que a viagem era um privilégio maior do que, nos anos 1970 a 2000, embarcar no avião franco-britânico Concorde, que chegava a uma velocidade supersônica de 2.652 quilômetros por hora!
Quando o dirigível (fosse o Graf Zeppelin ou o Hindenburg, as duas versões mais famosas) passava, lento e tranquilo, as pessoas em terra se aglomeravam nas ruas. Era uma emoção tão grande, como se o balão fosse de um outro planeta, de uma outra galáxia. Os poucos que as possuíam, registravam o voo do mais famoso balão em suas máquinas fotográficas.
Em Recife, na localidade de Juquiá, foi construída uma base, onde o Graf Zeppelin pousou 65 vezes. Na primeira vez, o pouso do “charuto” alemão causou tanto alarido, arrebatando a curiosidade de milhares de pessoas, que o então governador do Pernambuco, Estácio Coimbra, decretou feriado estadual! Do grande poeta nordestino Ascenso Ferreira, ganhou poesia: “Apontou! Parece uma baleia se movendo no mar. Parece um navio avoando nos ares”.
Da primeira versão, construída em 1900 pelo conde Ferdinand Adolf Heinrich Von Zeppelin, até o LZ 129 Hindenburg, lançado aos ares em 1936, os dirigíveis alemães sofreram grande melhoria construtiva e tecnológica, a ponto de atuar como instrumento militar, sobrevoando e bombardeando a cidade de Londres, durante a Segunda Grande Guerra.
O Zeppelin lembra uma era de ouro. Pena que a guerra a interrompeu, com pólvora, chumbo, campos de extermínio e bomba atômica…
por Luiz Henrique da Silveira – Senador

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