Arte e bom gosto
Grupo Cervejeiros Pomeranos, de Pomerode, coloca em prática a arte de criar e degustar o líquido que contém o mais puro malte: a cerveja artesanal
A curiosidade, a movimentação do mercado nacional e mundial, a dificuldade em conhecer o processo e a arte e a busca por cerveja de melhor qualidade, além de diversidade são alguns dos motivos pelos quais um grupo de amigos se reuniu para colocar em prática a arte de fabricar cerveja artesanal.
O grupo Cervejeiros Pomeranos, composto por Tales Dallmann, Arthur Zinke, Ricardo Xará Klein, Emerson Pira Schöfer e Luis Carlos Valle, se reúne uma vez por mês. Os objetivos principais do grupo são a troca de ideias e experiências, agendar os próximos eventos, próximas brasagens e claro, degustar as próprias criações e as da concorrência (risos), afirmam.
O interesse em comum pelas cervejas artesanais e especiais fez com os amigos criassem o grupo. A ideia surgiu a partir do interesse de um grupo de amigos em conhecer mais sobre a cultura das cervejas artesanais e especiais, bem como em começar a fabricar as próprias cervejas. Com isto a troca de ideias começou a ser cada vez mais constante, como também a compra de equipamentos, insumos e, por fim, começamos a brasar as primeiras cervejas, sempre com o auxílio de um ou mais colegas. Vimos que os resultados das primeiras cervejas foram muito bons, além de que cada vez mais pessoas estavam se interessando em fazer cerveja ou a largar mais as cervejas de massa e conhecer o universo das artesanais e especiais, explicam.
Por enquanto, a fabricação está sendo efetuada apenas para consumo próprio. No entanto, o crescimento é um desejo do grupo. Por enquanto estamos tentando ser auto-suficientes (risos). A ideia no futuro é de conseguir vender as nossas cervejas para difundir a cultura da cerveja artesanal e a cidade de Pomerode, enaltecem.
Fabricar uma cerveja artesanal, no entanto, é mais complexo do que se pensa e exije conhecimento. Fizemos curso de cervejeiro artesanal junto à ACERVA (Associação dos Cervejeiros Artesanais) e o Institudo Joinvilense de cerveja. Um dos membros é até Biersommelier, frisam.
O empenho vale a pena e a diferença entre as cervejas artesanais e comuns podem ser observadas até por quem desconhece o ramo. A diferença da cerveja artesanal para a comum são os ingredientes, em especial, o malte e o processo. As artesanais são puro malte, já a maioria das cervejas de massa possuem, por lei, um mínimo de apenas 55% de puro malte, os demais 45% são preenchidos com milho e arroz, esclarecem.
O processo de fabricação é, basicamente, composto por três processos básicos: mostura, fervura, que geralmente ocorrem no mesmo dia, e a fermentação que ocorre de uma a algumas semanas. O processo de mostura, que dura de duas a cinco horas, extrai os açúcares fermentáveis e outros componentes importantes do malte. Primeiro o malte é moído, depois misturado à água quente. Dependendo da receita são feitas algumas rampas de temperatura por tempos determinados, ou apenas uma que fica entre 65 e 70°C para que as enzimas atuem quebrando o amido em açucares fermentáveis. Depois disso, a água rica em açúcares (agora chamada de mosto) é retirada e o que restou do malte moído é lavado com água quente para extrair o máximo possível dos açúcares que restaram. A casca do malte serve como um filtro natural. Quanto à fervura,o mosto é normalmente de uma a duas horas. Durante a fervura, o lúpulo é adicionado em momentos variados, com a finalidade de conferir amargor, paladar e aroma que o cervejeiro deseja. No final da fervura, o mosto é separado do lúpulo através do processo chamado de Whirpool (Redemoinho) e rapidamente resfriado, sendo preparado para a fermentação. Já na fermentação, o fermento, ou levedura, é adicionado ao mosto para iniciar a fermentação, que consiste no processo de transformação dos açúcares fermentáveis em álcool e CO2, criando a cerveja. As fermentações Ale (de alta fermentação) duram de 5 a 10 dias a temperaturas de 16 a 21ºC. As fermentações Lager (de baixa fermentação) geralmente são mais longas, com uma fermentação inicial de 10 a 13ºC, seguida de um período de maturação a 1ºC, que aperfeiçoa os aromas e paladar da cerveja. No final da fermentação, a cerveja é carbonatada e envasada.É claro que há inúmeros processos de fazer cerveja, como com fermentação natural, carbonatação natural, adição de outros temperos além do lúpulo, etc. Todavia, o roteiro resumido acima dá uma boa ideia inicial da espinha dorsal da produção do nobre líquido, explicam.
O tempo de preparo é longo e pode levar semanas. Além disso, para uma brasagem de 25 litros o valor inicial fica entre R$600,00 e R$1.500,00, dependendo da qualidade e sofisticação. Em geral para uma remessa de 25 litros são de cinco a seis horas de processo para a mostura e fervura, uma semana para fermentar e de duas a três semanas para maturar e envasar, contam.
O mercado cervejeiro está em constante crescimento e eventos locais podem comprovar este desenvolvimento. A evolução do mercado da cerveja artesanal, através do aumento do número de nano e micro-cervejarias, como também dos pontos de venda de cervejas e equipamentos para fabricação de cerveja artesanal, podem ser observadas principalmente na nossa região. Podemos notar isto com o Festival da Cerveja de Blumenau, que neste ano dobrou o número de expositores e que provavelmente irá triplicar o número de visitantes, concluem.
O grupo, mesmo que ainda recente no município, já tem pretensões de difundir a tradição e auxiliar quem também o deseja. Nossas ambições são difundir cada vez mais a cultura da cerveja artesanal entre nossos amigos, familiares e população em geral através de eventos, cursos e assessoria para novos cervejeiros, ressaltam.
Os Cervejeiros Pomeranos também possuem uma página no facebook, onde, em breve, disponibilizarão informações do primeiro curso e demais eventos.