Aprender e empreender: Peças chaves do quebra-cabeça
Vire todas as peças. Espalhe. Comece pelos cantos e depois chegue ao centro. Tente encaixar as extremidades até que elas formem o desenho desejado e pronto! O resultado é surpreendente.
Empreender. Um verbo transitivo regular com dez letras que, dentro da língua portuguesa, não necessita de muitas explicações para ser entendido. Aprender. Oito letras e muitos significados. Do dicionário: Verbo transitivo direto, que significa ?tomar conhecimento de?. Como verbo transitivo indireto, ?torna-se capaz de algo graças a estudo, observação, experiência?. Finalmente, como verbo intransitivo, ?tomar conhecimento de algo, retê-lo na memória graças a estudo, observação, experiência?. Do significado por si só, um aprendizado gigante.
A junção de 18 letras e dois verbos formou uma nova possibilidade de aprendizado nas escolas municipais de Pomerode: o Aprender a Empreender.
Esses dois verbos ligados, instigaram professores e alunos a viajar na imaginação, conquistando pouco a pouco, motivos para comemorar tamanho sucesso.
Empreender ou aprender. Aprender a empreender. Uma dúvida que passa longe das conjugações verbais, mas que dentro da sala de aula ganhou forma através de projetos desenvolvidos pelos alunos das 8ªs séries da Rede Municipal de Educação. ?Como Secretaria de Educação e Formação Empreendedora e em consonância com as diretrizes da administração municipal o nosso desafio foi a criação desta nova disciplina curricular. O projeto Pomerode 2020 lançou as bases do empreendedorismo educacional, uma vez que, estabelece metas para o desenvolvimento do município?, afirma a Secretária, Neuzi Schotten.
Aos poucos, a ideia foi se tornando um projeto de sucesso, que encanta e surpreende quem participa e também quem ajuda a construir a novidade.
E não é utópico, pelo menos para os novos empreendedores pomerodenses. O sonho de um negócio próprio se torna realidade semanalmente, durante as duas horas em que eles permanecem nas salas de aula, entendendo a dinâmica da aprendizagem em empreendedorismo.
A compra do quebra-cabeça cujo formato era desconhecido
Não há criança que não se encante com os mistérios de um quebra-cabeça. Não há adulto que não se inspire mediante um desafio. Assim sendo, o quebra-cabeça de formato desconhecido surgiu como uma proposta inovadora para Pomerode. ?Foi quando constatamos tratar-se de um projeto pioneiro. Existem algumas experiências neste sentido, para o Ensino Médio ou graduação, mas não com alunos do Ensino Fundamental?, completa a Secretária.
Leila Carla Flohr, Gerente de Ensino Fundamental do município, coordenadora da implementação do projeto, ressalta que, no início deste ano, os professores foram capacitados pelo professor Walter Cardoso, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que desenvolve projeto semelhante com alunos do Ensino Médio daquela instituição. ?Tivemos a preocupação de selecionar professores que tivessem o perfil da disciplina de Empreendedorismo. Vislumbrávamos professores dinâmicos, com noções de economia, empreendedorismo, facilidade no trato com adolescentes, espírito de liderança e habilidade para administrar conflitos?.
“Foi quando constatamos tratar-se de um projeto pioneiro?.
Neuzi Schotten
A Matriz Curricular foi ampliada, incluindo uma aula de Ciências, uma de Língua Portuguesa e duas de Empreendedorismo Educacional, todas aprovadas pelo Conselho Municipal de Educação. O Conselho visava estimular a permanência dos alunos na escola, além dos horários curriculares, conhecido como contra-turno.
Começando pelos cantos
Aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a conviver, são os pilares desenvolvidos pela Unesco para a educação. Estímulos básicos para montar, em equipe, as primeiras peças deste quebra-cabeça. Recorreu-se ao manual de instruções para definir como as peças do meio deveriam ser inseridas, já que a metodologia dos professores servia como base do projeto e através deles é que foram norteados os princípios e as diretrizes deste desafio.
A prática do Empreendedorismo adotada pela Rede objetivou proporcionar um contato com as complexas relações existentes no mercado de trabalho e nos ambientes de negócios, preparar para o trabalho em equipe com espírito cooperativo, otimizar os espaços escolares, oportunizar o cultivo e o destaque de talentos entre os educandos; evocar a responsabilidade social do empreendedor, despertar a consciência ambiental e o impacto ecológico da produção e, finalmente fortalecer os espíritos empreendedor, investidor e criativo.
Os alunos passaram a receber conteúdos que associam a teoria à prática. Divididos em equipes, foram estimulados ao desenvolvimento de um produto e de uma empresa. Entre os temas trabalhados estão: Responsabilidade social; Sustentabilidade; Organização Empresarial; Ética; Plano de Negócios; Fluxo de Caixa; Concorrência; Marketing; Agregação de valor e Nutrição e Higiene.
O capital inicial que impulsionou a criação de cada empresa foi obtido através de financiamento, consentido através da APP. A comercialização dos produtos é feita na própria escola e na comunidade, de maneira geral.
Promovendo a interdisciplinaridade, as aulas de empreendedorismo agregaram aos seus valores, outros aprendidos em Português, Matemática, Educação Física, Artes, Ciências, entre outras.
Avaliação
A avaliação dos alunos fica a critério de cada professor coordenador, que deverá especificar no Projeto Pedagógico da disciplina. A avaliação tem caráter diagnóstico, partindo da análise de atitudes e saberes prévios do aluno e sua evolução no decorrer das aulas. Leva-se em conta o interesse, a iniciativa, a habilidade de criar, seguir e manter o plano de negócios, superar as dificuldades, trabalho em equipe, responsabilidade para com os próprios objetivos e todos os demais envolvidos, responsabilidade para com o capital e recursos da empresa.
Sucesso acelerado
Um poeta é naturalmente um sonhador e um empreendedor inicia o processo de empreender a partir de um sonho, construindo-o no limiar do impossível.
Um aluno pertencente à turma de aceleração e com um dom para ser empresário; três meninas com vontade e criatividade para desenvolver uma ideia de sucesso; outro amigo da aceleração pronto para ajudar em qualquer ocasião, do início ao fim do projeto: assim pode ser descrita a empresa denominada ?Agrer?, palavra constituída com as iniciais dos integrantes do grupo.
Começou com a produção de bijuterias, mas uma nova ideia tornou o comércio muito mais rentável: a produção de miniaturas de cadeiras que servem como porta-celular e que se tornou um sucesso dentro dos produtos empreendedores. É sem dúvida, um dos mais criativos, podendo ser considerado um projeto sustentável.
Das garrafas de plástico (pet) saem os suportes e os retalhos têxteis completam a criatividade. São diversos tecidos e equipamentos, que quando finalizados, ficam belíssimos. O produto é sucesso também em vendas. Desde o início da disciplina até agora, não sabem precisar quantas cadeirinhas foram vendidas, mas ultrapassam 100 peças. ?Aprendi a ser mais responsável. Antes eu não gostava de estudar, levava as coisas na brincadeira. Quando nos deram as primeiras aulas, achamos que ia ser muito chato, mas com a responsabilidade chegando vimos uma oportunidade de através da venda de nossos produtos, termos lucratividade e nos tornarmos verdadeiros empreendedores?, relatou o aluno Rafael Herlich, da Escola de Educação Básica Municipal Professor Curt Brandes.
Os empreendedores progrediram tanto que anunciaram os produtos no Jornal de Pomerode. Inserções fizeram parte de quatro edições do jornal.
Desafio proposto, aceitação imediata
Esse espírito empreendedor observado na empresa Agrer foi, de acordo com a professora Sirley Maria Moreira Loureiro, um grande desafio a ser implantado. Não somente porque a disciplina era uma novidade para os dois lados, mas porque as experiências observadas anteriormente mostravam somente realidades em ensino médio.
Para Loureiro, professora da UEJA (Unidade de Ensino de Jovens e Adultos), a vontade de trabalhar com essa nova proposta foi tão grande, que a mesma pediu à Secretária Municipal para entrar no projeto. Voltando às aulas, na E.E.B.M. Professor Curt Brandes, assumiu o desafio e se emociona contando como é gratificante ver os resultados: ?Voltei às salas regulares com o propósito de participar dessa nova proposta. Nunca imaginei obter esse resultado, que considero espetacular. Alunos de ensino fundamental montando empresas com criatividade e sucesso, formando cidadãos que podem atuar em qualquer área de qualquer empresa. Trata-se de uma vitória imensurável?.
A professora teve que aprender a empreender e garante, a teoria parecia muito mais difícil que a prática. Dinâmicas e estudos que prendessem a atenção dos alunos e ao mesmo tempo transformassem tudo em um novo método de ensinar, mudaram a rotina da escola, que passou a conviver com o empreendedorismo também fora da sala de aula. ?Os alunos saem para vender produtos, participam de feiras, e sabe o que é mais interessante? Todos começaram com apenas R$5,00, emprestados pela escola para eles iniciarem a empresa. Hoje eles já me pagam impostos e retiram lucros alarmantes. Nunca esperei tudo isso?, diz.
Loureiro destaca que seus alunos, na sua grande maioria, são persistentes e não desistiram frente aos desafios e dos novos horizontes apresentados pelo mercado. ?Eles fizeram acontecer suas vitórias?.
“Eles fizeram acontecer suas vitórias?.
Sirley Loureiro
O diferencial garante o sucesso
O valor de uma ideia pode ser apresentado pela seguinte fórmula: imaginação, esforço e perseverança somados. Portanto, nunca se deve desprezar uma simples possibilidade, principalmente quando ela estiver alinhada com vocação, propósito de vida e amplo sentido de realização. Este foi o norte da boutique de arte ?Le Joie?, sem dúvida, um dos projetos mais elogiados. Não apenas pelos produtos, mas pela criatividade e desenvolvimento na apresentação. Assim é a ?Le Joie?. As quatro alunas da E.E.B.M. Duque de Caxias surpreenderam quando mostraram, para autoridades e convidados no teatro municipal, o que aprenderam na sala de aula.
Um desfile de moda, composto por modelos produzidos milimetricamente, ao som de uma música impactante e de imagens que ressaltavam o trabalho produzido pelas empresárias.
“O segredo do nosso sucesso é a mistura de nossas personalidades?.
Dayane Fiedler
As modelos eram alunas de outras séries e segundo elas, receberam um treinamento para fazer tudo certo na hora do desfile.
Hoje, a empresa também é destaque na criatividade das peças. Não são mais miçangas e canutilhos. As garotas já trabalham com tecidos, costuras e até fios, tudo para agregar valor de mercado aos produtos por elas criados.
Onde buscam inspiração? Fácil, responde Dayane Priscilla Fiedler: ?fazemos pesquisa de tendência?.
A disciplina ultrapassou as barreiras da sala de aula e se mostrou altamente rentável, tanto que as empresárias pretendem continuar com a empresa no próximo ano, apesar de todas não frequentarem a mesma escola.
Encomendas são feitas semanalmente e elas acabam desenvolvendo peças de acordo com o perfil de cada cliente. ?Cada uma de nós tem um estilo e por isso fica fácil de trabalhar. o segredo do nosso sucesso é a mistura de nossas personalidades, o que nos permite atender todos os tipos de público?.
As garotas relataram ainda que os crachás de identificação usados foram desenhados por elas. ?Quem sabe mais empresas não estarão em breve utilizando nossos crachás??. Questionam-se, diante do grande interesse por eles. ?É bom pensar assim. A gente sonha e corre atrás para fazer dar certo. Achamos que é esse o espírito. Às vezes, acabamos esquecendo o ?faz de conta? e incorporamos a postura de empresárias modernas e atualizadas em relação ao mercado, falando sobre tendências e público-alvo, de tudo um pouco o que temos aprendido durante esse período. E pensamos agora, que é esse mesmo o objetivo proposto. Facilitar o nosso entendimento sobre negócio. Fomentar nossa capacidade de explorar novas possibilidades e garantir a continuidade dos negócios de gerações, de muitos de nossos pais e avós, mesmo que sejam negócios pequenos e desconhecidos ou até mesmo de ser, quem sabe um dia, um empresário da nova geração de negócios de Pomerode?.
Forças somadas pela interdisciplinaridade
Muitas metodologias tradicionais não atendem aos novos desafios, fazendo com que novas abordagens sejam necessárias. Uma disciplina isolada era o primeiro objetivo, contudo, as pretensões foram sendo cada vez mais audaciosas, e diante da aprovação entusiasmada por todos os professores pelo empreendedorismo, essa disciplina naturalmente se transformou em matéria multidisciplinar: nas aulas de matemática, como aprender a controlar o caixa; nas de ciências, os cuidados com a higiene dos produtos; nas de educação física a ginástica laboral e em artes, a criatividade.
Para a professora de língua portuguesa da E.E.B.M. Olavo Bilac, Elana Pagel, as aulas de português foram totalmente modificadas e voltadas sempre para a prática que os alunos estavam vivenciando. ?ensinei a fazer contratos, atas, textos para jornais, anúncios publicitários, cartões de visitas e trabalhar a apresentação dos produtos?. Segundo Pagel, essa inovação e multidisciplinaridade motivaram os alunos a aprender muito mais. ?e com eles, aprendemos também, quanto educadores, como podemos somar quando trabalhamos juntos, assim como eles estavam fazendo?.
O espírito de equipe foi o aspecto mais trabalhado pela professora da disciplina, Cristina Tavares de Oliveira: ?Foi difícil para eles aceitarem que todos têm que trabalhar juntos. uns queriam trabalhar mais, outros menos, mas aos poucos conseguimos fazer todos entenderem que o trabalho em equipe vai estar ao lado deles para o resto da vida, em qualquer função que eles exerçam no mercado?.
De acordo com a professora, os alunos tiveram um pouco de receio desse trabalho, mas com o passar do tempo foram compreendendo o verdadeiro valor e a real importância de trabalharem em conjunto. ?Algumas brigas até aconteceram, mas isso era esperado, pois a idade deles é mais complicada. Alguns alunos encararam apenas como uma disciplina e não absorveram tudo o que poderiam com o projeto, como algo para levar para a vida, algo que vai para sempre fazer parte da personalidade deles?.
Crescendo e aprendendo como um pequeno empreendedor
Ser um pequeno empreendedor significa possuir um pequeno negócio, nunca perdendo de vista a possibilidade de fazê-lo crescer e obter um lucro cada vez maior. Esse foi o objetivo da empresa ?Biscoitos Tutti Cutti?.
?Tudo começou com a escolha das equipes, que foi realizada levando-se em conta a afinidade entre os colegas de classe. O próximo passo foi fazer uma pesquisa de campo para definir o produto. perguntamos a pais e alunos qual seria sua preferência. depois disso, recebemos um empréstimo de R$10,00, cedido pela APP da escola, para a compra de ingredientes para fazer os biscoitos?, relata Oliveira.
As integrantes contam que a avó de uma das empresárias se prontificou a ajudar. Diferente de algumas empresas, a ?Tutti Cutti? só vende produtos sob encomenda. ?Para aumentar os lucros da empresa, tivemos que agregar valor aos nossos produtos, fazendo com que algo chamasse a atenção dos clientes. Foi aí que fizemos a nossa cesta do Brasil, já que estávamos em época de Copa Mundial de Futebol. A cesta da nossa empresa continha adereços do Brasil e outros brindes?.
Uma das regras exigidas pela disciplina de Empreendedorismo era a comercialização dos produtos de maneira ecologicamente correta. A empresa então agregou valor aos biscoitos. No Dia do Meio Ambiente, quem comprasse um pacote de biscoitos, ganhava um pacote com sementes de fênix, uma bela planta ornamental.
?Aprender a fazer nosso currículo foi importante para registrarmos nossa formação e ao procurarmos trabalho teremos estas informações de forma organizada e simplificada. Tivemos uma noção de como devemos preencher e o que deve constar nesse documento. Já com o trabalho de ginástica laboral, na disciplina de educação física, aprendemos vários movimentos que nos ajudam na melhora das articulações. A disciplina de empreendedorismo ajudou muito para que no futuro tenhamos uma noção de como administrar uma pequena empresa. Conseguimos ver como temos potencial?, revelam as jovens empreendedoras Paula Catarina Pagel e Thaynara Volkmann Vogel.
“Conseguimos ver como temos potencial?.
Paula e Thaynara
As alunas da empresa PMG Guloseimas, da E.E.B.M. Duque de Caxias também se destacaram na culinária. Os minibolos (cupcakes) fazem tanto sucesso que desaparecem assim que chegam à escola para serem vendidos. ?São uma delícia mesmo!?, confirmam os consumidores. Semanalmente, as empresárias se reúnem na casa de Pâmela Taís Voigt.
Para fabricar os doces, a aluna Graziele Atanásio dos Santos explica que ficam equipadas com luvas, toucas e aventais. Todo o processo é realizado sem ajuda externa. ?Pegamos a receita na internet e não imaginávamos que daria tão certo?.
A simplicidade que se consagrou como criatividade
?Não queríamos algo que nos desse mais trabalho do que já tínhamos. É difícil conciliar a escola com outras tarefas como os esportes e as aulas complementares. Quando falaram que teríamos que montar uma empresa, pensamos em escolher algo simples, caso contrário não daríamos conta?, exclama Bruna, uma das empresárias do Blog Comparação.
A diferença desta empresa é que, ao contrário da maioria, trata-se de uma prestadora de serviços: um blog que compara semanalmente os preços dos supermercados da cidade, através das ofertas que os próprios estabelecimentos enviam aos alunos.
São R$20,00 mensais arrecadados de cada um dos mercados que tem suas ofertas destacadas no blog. O trabalho dos alunos é postar os menores preços e analisar onde está mais barato para comprar. ?Pegamos as ofertas e montamos uma tabela com os preços. Achamos essa ideia meio sem querer, mas está sendo um sucesso. Nunca esperávamos que as pessoas achassem isso legal. Entendemos que ter um blog com os preços ajuda na hora da compra, só que é difícil acreditar que nossa ideia está sendo tão bem recebida assim?, confirmam.
A empresa hoje é uma das mais reconhecidas. ?E é bom porque nem dá muito trabalho?, comentam rindo os integrantes. São cinco alunos que se revezam nas postagens das notícias, assim como nas buscas pelas ofertas. Um deles desenvolveu o blog e agora só complementa com as novidades. ?Aos poucos o blog está ficando mais bonito?, avalia.
Responsabilidade Social: peça fundamental em qualquer quebra-cabeça
Mas nem só de lucros e de controle de caixa vivem as empresas participantes da nova disciplina escolar de Pomerode. Os alunos também recebem instruções de como uma empresa deve agir diante dos problemas sociais da nossa cidade.
Foi pensando nisto que a empresa da E.E.B.M. Doutor Amadeu da Luz iniciou as atividades no Centro de Convivência Pommernhein. São visitas semanais aos idosos que estimulam os dois lados a se entenderem e a conviver melhor.
Para as cinco alunas, Bianca Hornburg, Carolina Amanda Egger, Nicole Cristina Glasenapp, Nicole Eduarda Ewald e Thaisa Henckel, ajudar é uma forma de auxiliar o desenvolvimento e o crescimento delas próprias. Já para os idosos, ter jovens convivendo com eles é uma forma de suprir a ausência da família.
“Não custa nada e a gente ainda se sente muito bem quando vem até aqui?.
Bianca Hornburg
Todas as sextas-feiras elas vão até o Pommernhein durante a manhã e fazem unha, barba, conversam e até tentam aprender bordado e crochê com os idosos. ?A gente espera elas chegarem na sexta, porque sabemos que vai ser um dia diferente e muito animado?, conta uma das moradoras do asilo, enquanto Bianca Hornburg pinta suas unhas. ?Eles são muito carentes e para nós, é muito bom passar esse dia com eles. Não custa nada e a gente ainda se sente muito bem quando vem até aqui. Às vezes é só conversa, às vezes fazemos mais, mas no fundo, tudo o que eles precisam é um dia diferente, e é o que conseguimos fazer quando estamos aqui?, finaliza a aluna e empreendedora pomerodense.
I Seminário de Empreendedorismo Educacional de Pomerode
Primando pela visibilidade das empresas no cenário municipal e reconhecendo o trabalho desenvolvido pelos alunos e professores coordenadores, a Secretaria promoveu o I Seminário de Empreendedorismo Educacional da Rede Municipal, no dia 15 de setembro, às 19h, no Teatro Municipal. ?Não queremos formar apenas homens e mulheres de negócios. Queremos formar cidadãos que sejam os protagonistas em tudo o que fizerem e que este protagonismo seja fundamentado em valores humanos?, disse a Secretária na abertura do evento.
A coordenadora do Empreendedorismo Educacional, professora Leila Carla Flohr, parafraseou as palavras de Albert Einstein: ?Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto?.
O prefeito Paulo Maurício Pizzolatti definiu em poucas palavras o verdadeiro sentido do projeto. ?Não consigo identificar nada mais empreendedor do que a própria iniciativa em si, de implementar o projeto com alunos de Ensino Fundamental. A atitude é empreendedora pois ensina, acima de tudo, a fazer com que os alunos sejam empreendedores?.
A moldura do quebra-cabeça
A junção de todas as peças formou o primeiro quebra-cabeça da nova disciplina das escolas municipais de Pomerode. Foi através desta união que alunos, professores, coordenadores e comunidade em geral, conquistaram o primeiro sucesso de algo novo, um novo conceito de empreender.
?Quem dera que em meio a tantos textos compartilhados, mensagens de valores e princípios solidificados, que os alunos passassem a ver, a si próprios, como estrelas e não apenas enxergar as dificuldades e obstáculos da vida?, exclamou o professor Valter Cardoso, incentivador maior dessa proposta ousada da Secretaria de Educação e Formação Empreendedora.
Schotten ainda recebeu vários elogios pela implantação da disciplina na matriz curricular dos alunos. ?Tenho certeza que a grande parte desses adolescentes será composta por agentes transformadores. Mesmo que não sejam empreendedores, terão uma visão diferente do que é ser empregador. Eles saberão na hora de irem para o mercado de trabalho, as dificuldades, as angústias e os anseios de cada patrão, porque puderam vivenciar, mesmo que de maneira remota, essa experiência?, disse a empresária Ângela Valentini.
Era esse mesmo o objetivo da disciplina: ?Não queremos formar empresários, mas sim pessoas preparadas para encarar o mercado de trabalho e a vida de uma forma diferente?, completa a Secretária. Aprender a empreender servirá para a formação de cidadãos-alunos ou alunos-cidadãos, que pensam em equipe, auxiliam no trabalho conjunto e pensam em todas as dificuldades em prol de um único resultado, a solução do problema, seja ele financeiro ou social.
Para Lorizete Pegorini, tecnóloga da E.B.M. Amadeu da Luz, enquanto uns viram a disciplina como um grande problema, alguns alunos e professores encararam como uma grande chance de crescer e aprender. ?Uns viram o Empreendedorismo somente como dificuldade, já outros, como nós, viram uma oportunidade?.
Finalizando seu depoimento, a professora da disciplina, Maria Cristina Sborz Dallmann, citou fatores que, sem a disciplina, alguns alunos demorariam muito a aprender, conquistas importantes como a criatividade, a iniciativa, o controle financeiro, a responsabilidade social, a sustentabilidade, o planejamento etc. ?Acredito que o conjunto de temas abordados e atividades realizadas tenham contribuído para que, se não para todos, ao menos para uma boa parte dos alunos sentirem-se preparados para atuar em qualquer área que escolham?.
Dallmann ainda parafraseia Fernando Dolabela, quando cita que ?é empreendedor, em qualquer área, alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade?. De fato, a disciplina transformou vários sonhos, anseios, desejos e ideias em uma realidade concreta, disponível anualmente nas escolas municipais de Pomerode. O projeto é sem dúvida, a iniciativa mais empreendedora da ?Cidade mais Alemã do Brasil?.
Clique na imagem abaixo para ver todas as fotos.
![]() |
| Aprender e empreender |
