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Aprendendo com as diferenças

Os animais podem ser exemplos para os seres humanos em muitos sentidos e um deles faz referência às adversidades pelas quais passam e como encontram as soluções. No caso em questão, o bugio Kafé, que mora com a médica veterinária Roberta Anastácio há sete anos, serve como inspiração. A história de Kafé começou após o animal ser excluído de seu grupo e cair em um terreno residencial.

1 de junho de 2015

Os animais podem ser exemplos para os seres humanos em muitos sentidos e um deles faz referência às adversidades pelas quais passam e como encontram as soluções. No caso em questão, o bugio Kafé, que mora com a médica veterinária Roberta Anastácio há sete anos, serve como inspiração.A história de Kafé começou após o animal ser excluído de seu grupo e cair em um terreno residencial. A veterinária Roberta foi chamada através de uma ligação de resgate efetuada por outro veterinário.
Com expectativa de vida de apenas seis meses, Roberta tomou todas as providências e cuidados necessários ao animal que até hoje vive em sua casa.
No entanto, Kafé teve as vistas prejudicadas e, com isso, tornou-se completamente cego.
Como o assunto é adversidade, a turma do Nível 4 do Colégio Doutor, onde Barbara, a filha de Roberta estuda, está trabalhando o projeto Os cinco sentidos, os sentimentos e a sucata, com a professora Deyse. Por isso, os alunos foram conhecer o bugio.
Depois de conhecermos e estimularmos os cinco sentidos do corpo através de jogos e instrumentos musicais feitos com sucata na sala de aula, fomos visitar o Kafé, que é cego, para que as crianças descobrissem que os demais sentidos ficam mais sensíveis, na falta de algum deles. Trabalhando inclusão, respeito, solidariedade, fazendo com que as crianças vejam as diferenças que existem nos animais e nas pessoas, ressalta a professora da turma, Deyse Giovana Hardt Trettin.
Seja no mundo animal ou humano, o respeito deve ser ensinado e aprendido desde pequeno para que se torne uma rotina e não uma opção. Para as 19 crianças da classe, que possuem de quatro a cinco anos, a visita foi certeza de conhecimento, comprovada através de questionamentos em sala de aula, onde as respostas estavam na ponta da língua.
Os alunos aprenderam a diferenciar o local em que ele vive, do local onde vivem cachorros e gatos. Kafé vive em um recinto, afirmam os alunos. Além disso, as crianças puderam compreender, na prática que os sentidos são mais aguçados quando um deles não se faz mais presente. Ele não tem visão e quando quase caiu do galho se segurou pelo rabo, explicam os alunos.
Por ser cego, Kafé percebe de outras maneiras quando está em perigo. No entanto, não ter a visão não significa que ele não tenha uma rotina comum. Ele se alimenta de banana, maçã, manga, uva verde e roxa, tangerina e folhas de Embaúba, complementam os alunos.
Kafé possui, atualmente, 27 anos. E, apesar de não ser um animal doméstico, pôde mostrar para os alunos o quão importante é receber carinho e dedicação para se recuperar e, acima disso, se adaptar às adversidades.
Mais do que uma visita regada a piquenique e rabos de mentira como presente, o Kafé ensinou que o maior sentimento do mundo sempre será o amor, mesmo que outros não estejam presentes. Afinal, foi amor que o salvou e com amor ele se adaptou.

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